A preparação para os vestibulares é inegavelmente uma maratona de estudos, revisões e simulados. No entanto, por mais que a dedicação aos conteúdos seja fundamental, a jornada rumo à aprovação exige um componente muitas vezes subestimado, mas de poder imensurável: a inteligência emocional.
A psicóloga escolar do Colégio GGE Thalita Evangelista afirma que o preparo emocional complementa o preparo acadêmico. “Muitos alunos chegam ao ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio) dominando o conteúdo, mas acabam se sabotando pela ansiedade, pela autocrítica excessiva ou pelo medo de errar. A inteligência emocional ajuda o estudante a reconhecer e regular as próprias emoções, buscando manter o foco, a confiança e o equilíbrio. É isso que faz a diferença na hora da prova: conseguir recuperar na memória o que já se sabe sem ser paralisado pela tensão do momento”, explica.
Para Thalita, os principais vilões do psicológico dos alunos são a ansiedade e a comparação. “A expectativa por um bom resultado, as redes sociais e o convívio com colegas que parecem mais preparados geram um sentimento de insuficiência. Isso leva a um medo desproporcional, cansaço mental e, às vezes, até crises de choro ou bloqueio cognitivo. Trabalhamos para que os alunos entendam que cada um tem seu ritmo, e que o caminho do aprendizado é individual”, detalha.
A psicóloga conta que no GGE são feitas ações durante todo o ano para a preparação do aluno. “Como o Projeto de Orientação de Estudos e principalmente o Encontro de Profissões, que auxilia o aluno a compreender quais aspectos envolvem suas escolhas e comportamentos que o levarão para esse futuro. Nesses e outros projetos, buscamos trabalhar o autoconhecimento e o manejo das emoções. Por exemplo, através de rodas de conversa ou entradas em sala, trabalhamos a temática da motivação, ansiedade, sono, rotina, autocuidado, entre outros”, conta.
“Na reta final, reforçamos os atendimentos individuais e as palavras de afirmação, sem esquecer de colocar algumas estratégias em prática, como a respiração e a atenção plena. Ainda, conversamos muito sobre o que é sucesso e fracasso, para reduzir o peso emocional em torno da prova”, acrescenta.
O Projeto de Orientação de Estudos mencionado por Thalita é o primeiro a ser executado no ano letivo. Ela explica que o projeto é pautado no estudo diário como um hábito, a partir da conversa em sala de aula sobre o tema e da entrega do material para a organização do cronograma semanal.
“A ideia que tentamos reforçar para os alunos é a de que devemos prezar sempre pelo equilíbrio. Na orientação em sala e partilhas de dicas, incentivamos pausas curtas entre os estudos, o contato social, exercícios físicos e momentos de lazer. Explicamos que cada coisa tem seu tempo e o cérebro precisa descansar para consolidar o aprendizado. Um aluno exausto pode até estudar mais horas, mas rende menos. O descanso é uma parte estratégica da rotina e não deve ser negligenciado”, detalha.
Thalita também ressalta a importância do diálogo com professores e com a coordenação para a identificação de sinais como desmotivação, irritabilidade, isolamento ou queda no desempenho. “Além disso, checamos os dados concretos, como as notas, registros de comportamento e o diálogo com a família ou profissionais externos. O aluno também pode ser acolhido individualmente, ouvir o que ele sente é essencial, pois nosso papel é ajudá-lo a reconhecer o que está sentindo e construir estratégias em conjunto para lidar com isso, seja reorganizando a rotina, seja trabalhando a autoconfiança. Quando necessário, também orientamos a família a oferecer o suporte externo adequado”, complementa.
A psicóloga também destaca a realização de simulados, que avaliam não apenas o conteúdo, mas oportunizam a vivência de provas e a possibilidade de lidar com imprevistos. “Orientamos os alunos a perceberem como o corpo e a mente reagem durante o teste: o que dispara o nervosismo? Em que momento o cansaço aparece? Depois, trabalhamos estratégias práticas, como pausas conscientes e respiração, para que aprendam a lidar com o estresse antes do dia oficial da prova”, pontua.
Reta final
No período mais próximo aos vestibulares, o GGE prioriza não apenas a revisão dos conteúdos, mas também o acolhimento e a leveza. “Conciliamos essa época com o projeto ‘Descompressão’, no qual criamos um cronograma de atividades divertidas, de expressão emocional e de descontração, para serem realizadas na escola. Assim, fortalecemos a escola como um espaço seguro e de afetividade, além de ser também uma forma diferente de fornecer um suporte emocional”, conta Thalita.
Além disso, há a orientação dos alunos sobre a alimentação, o sono, a respiração e outras dicas voltadas para o ENEM, através de um mural interativo. “A ideia é que eles cheguem às provas mais tranquilos, confiantes e conscientes de que todo o esforço ao longo do ano já foi feito”, pontua a psicóloga.
Pressão familiar
Uma das preocupações elencadas pela psicóloga é a pressão familiar. “A pressão ou conflitos familiares são fatores que interferem no bem-estar emocional dos estudantes. Muitos pais, por quererem o melhor para os filhos, acabam criando e compartilhando expectativas altas ou discrepantes demais diante da percepção do aluno”, explica.
Para atenuar esses potenciais conflitos, o GGE investe em orientações familiares. “Eles participam de uma programação exclusiva no Encontro de Profissões. Também, sempre que necessário, compartilhamos comunicados orientativos, atendemos as famílias e promovemos palestras com temáticas relacionadas, reforçando que apoio é diferente de cobrança. O incentivo deve vir pelo diálogo, pela escuta e pelo reconhecimento do esforço”, detalha.
Thalita reforça que o emocional não é algo separado da aprendizagem, mas sim parte essencial dela. “Pensar em uma escola ou em um acompanhamento que envolve esse olhar de cuidado para o estudante também é investir no seu futuro. Quando o aluno se sente seguro, compreendido e confiante, ele aprende melhor. E isso vale não só para o Enem, mas para a vida. Nosso compromisso, enquanto escola e enquanto psicólogas, é formar pessoas emocionalmente preparadas para lidar com os desafios, para que possam desfrutar do momento de realização dos seus sonhos”, finaliza.
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