Paralisação

Com quase um mês de greve, clima nas universidades federais de Pernambuco é de incerteza

Publicado em 14/06/2012 , às 10 h00

Amanda MirandaDo NE10

A situação é incerta nas universidades federais pernambucanas. Os professores estão em greve há quase um mês e, enquanto alguns alunos concordam com a paralisação, o clima entre outros é de apreensão. Poucas informações chegaram a eles; uma delas é que o calendário acadêmico já foi afetado. No Estado, aderiram ao movimento nacional, que conta com mais de 50 instituições paralisadas, as universidades Federal e Federal Rural de Pernambuco (UFPE e UFRPE) e a do Vale do São Francisco (Univasf).

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Os docentes protestam contra a situação atual da carreira e a estagnação nas negociações com o governo para um rejuste salarial. De acordo com os manifestantes, o governo não cumpriu o acordo feito em 2011. O acordo garantia um reajuste de 4% a partir de março deste ano, incorporação da gratificação específica do magistério superior (Gemas) e compromisso de reestruturar as carreiras do magistério superior e ensino básico, técnico e tecnológico. Nessa terça-feira (11), representantes dos professores reuniram-se com o governo federal, que pediu “trégua” de 20 dias aos docentes para continuar as negociações. Outro encontro está marcado para o dia 19.

Na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), a paralisação começou no dia 17 de maio. Os estudantes reclamam, sobretudo, da falta de informação. "Ouvimos por aí que os professores não podem fazer chamada, mas eles continuam fazendo e ficamos sem saber o que fazer. Não sabemos nem se seremos prejudicados se aderirmos ao movimento", afirma o aluno do 4º período de letras Renato Neves. Boa parte dos professores continua dando aulas.

A greve na Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) também começou no último dia 17. Ao contrário da UFPE, a adesão dos docentes à mobilização é quase absoluta. "Só um professor continua a dar aula, o de álgebra linear. Posso afirmar que a maioria dos professores do departamento de matematica está em greve", diz João Victor Teixeira, do 5º período de licenciatura em matemática.

A paralisação na Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), onde cerca de 95% dos professores e os estudantes aderiram, começou no dia 15. São cinco campi espalhados nos estados da Bahia, Pernambuco e Piauí e quase 4,6 mil alunos estão sem atividades. A estudante do 2º período de medicina Raíssa Vasconcelos estuda em Petrolina, no Sertão pernambucano, e aguarda, no Recife, uma decisão sobre a mobilização, que considera justa. "Toda a minha sala aderiu porque acreditamos na luta por uma educação pública de qualidade. Lógico que me sinto prejudicada, mas acho que os ganhos são maiores."


Foto: Hélia Sheppa/JC Imagem

As três universidades só farão reajustes no calendário acadêmico ao final da greve. "As duas únicas certezas são que os docentes se comprometeram a cumprir os 100 dias letivos e que o segundo semestre já está comprometido", aponta o vice-reitor da Univasf, Télio Nobre Leite. Os professores da universidade solicitaram a suspensão do calendário. Segundo o vice-reitor, o pedido está sendo analisado juridicamente e será discutido pelo conselho universitário nesta sexta-feira (11).

Depois que a paralisação acabar, os docentes devem repor as aulas e avaliar os alunos. "Eles (os professores) pararam e disseram que dariam informações no decorrer da greve. Até agora só anunciaram que iriam paralisar, mais nada", diz Renato Neves, que está preocupado com a duração do movimento porque viaja em setembro para a Espanha, onde vai cursar um semestre.

Na UFRPE, alguns professores enviam as atividades por e-mail. "Em economia de empresas, conseguimos ainda fazer duas provas antes. A última vai ser um trabalho via e-mail", comenta o estudante do 3º período de administração da UFRPE Anderson Guerra. O problema é que o calendário será reajustado mesmo com o adiantamento das atividades, já que todas as turmas devem começar as aulas do semestre juntas.

Ainda não há previsão para o fim da greve. Segundo o vice-presidente da Adufepe, José Luís Simões, as férias de julho já estão comprometidas, mas há chances de a paralisação não resultar em prejuízos à programação do próximo semestre. "Tudo vai depender do governo. O resultado da reunião foi aquém do que a categoria esperava; mesmo assim, é importante continuar otimista."

PESQUISA - Apesar de muitas aulas não estarem acontecendo nessas três universidades, algumas pesquisas e projetos de extensão continuam. Segundo o vice-presidente da Adufepe, a paralisação depende da área. "Alguns têm prazo para entrega de relatórios, participação em congressos, entre outras atividades inadiáveis". Na Univasf, uma assembleia dos professores decidiu pela manutenção da pesquisa.

O Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes-SN) entregou uma solicitação à Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), responsável pela coordenação das pesquisas, solicitando aumento do prazo. "Quem tem bolsa e usa recursos da Capes, deve contar com a compreensão deles", completa.


Professores da UFPE abraçaram o prédio da Faculdade de Direito em protesto no dia 28. Os da Univasf marcharam por Petrolina no dia 5 (Foto: Hélia Scheppa/JC Imagem)

PRÓXIMAS ATIVIDADES - A Associação dos Docentes da UFPE (Adufepe) e dos professores da UFRPE realizaram assembleia para discutir os encaminhamentos da greve nessa quarta-feira (13). Para esta quinta-feira (14), as duas entidades marcaram um ato de protesto na Praça da Independência, mais conhecida como Praça do Diário, no Centro do Recife. A entidade que representa os docentes da Univasf, Sindunivasf, tem assembleia marcada para a próxima terça-feira (19).


Foto: Bobby Fabizak/JC Imagem

TÉCNICOS - Desde o último dia 11, os técnicos administrativos das universidades também entraram em greve. São mais de cinco mil servidores. A categoria pede melhorias na carreira, reajuste salarial de 20,08%, implementação de 30 horas semanais, além de se posicionarem contra a implementação da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares, que tiraria a autonomia das instituições de ensino na gerência dos hospitais universitários.

Agora, além da falta de muitas aulas, bibliotecas, atendimento e outros serviços administrativos não funcionam por tempo indeterminado. "Os técnicos estão sempre dialogando com a reitoria. Pedimos a manutenção de serviços inadiáveis, como pagamentos e cumprimento de contratos com empresas terceirizadas", diz o vice-reitor da Univasf.

Confira o mapa com todas as universidades federais em greve no País:


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