O cenário financeiro contemporâneo apresenta um paradoxo: a informação está mais acessível do que nunca, mas o endividamento jovem continua a ser uma realidade preocupante. A promessa de consumo imediato, a facilidade de crédito e a falta de preparo para gerenciar finanças complexas colocam muitos estudantes e recém-formados em uma armadilha que compromete seu futuro.
O estudo do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) e da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) revela que metade dos entrevistados da Geração Z (18 a 24 anos) não possui controle sobre suas finanças. Dentro desse grupo, metade admite que frequentemente cede a impulsos de compra e perde a noção dos limites de gastos com lazer.
Neste contexto, a educação financeira emerge não apenas como uma disciplina útil, mas como uma habilidade essencial para a sobrevivência e o sucesso. Por isso, cursos de Administração, Ciências Contábeis e Economia são pilares fundamentais na formação de uma geração financeiramente saudável.
Márcia Rejane, coordenadora dos cursos de Administração e Ciências Contábeis da UNINASSAU Recife - campus Graças, afirma que a educação financeira não pode se limitar ao controle de despesas, mas também precisa incluir visão de futuro.
“Ensinar investimentos básicos, noções de previdência, construção de reserva de emergência e análise de riscos capacita o estudante a construir patrimônio e evitar vulnerabilidades financeiras. Isso fortalece a autonomia do jovem e permite que ele tome decisões responsáveis ainda no início da vida profissional, reduzindo a chance de endividamento crônico ao longo dos anos”, explica.
A coordenadora ressalta que esses cursos formam profissionais capazes de analisar cenários econômicos e tomar decisões responsáveis, além de introduzirem o estudante a conceitos fundamentais como gestão orçamentária, análise de custos, planejamento financeiro e comportamento do consumidor.
“Esses conhecimentos ampliam a consciência sobre o uso responsável do crédito e desenvolvem uma mentalidade de longo prazo, preparando o jovem para decisões financeiras mais seguras, tanto na vida pessoal quanto profissional”, acrescenta.
Márcia destaca que a grade curricular da UNINASSAU contempla disciplinas que tratam diretamente de temas como finanças pessoais, matemática financeira, gestão de custos, mercado financeiro, análise econômica, planejamento estratégico e gestão de risco.
“Em várias dessas disciplinas, trabalhamos situações reais que incluem o problema do endividamento, especialmente o uso inadequado de crédito, o consumo impulsivo e o impacto emocional da inadimplência”, pontua.
Márcia também elenca as principais iniciativas e projetos de extensão que a coordenação tem implementado:
- Liga Acadêmica de Educação Financeira: onde alunos e professores trabalham o assunto, desenvolvendo iniciativas de conscientização e divulgação para a comunidade;
- Plantão de Orientação Contábil: realizado em parceria com docentes da área de Ciências Contábeis.;
- Projetos de extensão integrados: nos quais os estudantes desenvolvem ações sociais em escolas, comunidades e empresas, disseminando conhecimentos sobre educação financeira para jovens de baixa renda;
- Workshops com especialistas do mercado: abordando crédito, previdência, investimentos e armadilhas do consumo.
“Essas ações aproximam teoria e prática, permitindo que o aluno vivencie soluções reais e tenha suporte direto para superar e evitar dificuldades financeiras”, destaca.
De acordo com a coordenadora, os profissionais formados pela UNINASSAU são habilitados a atuar de forma assertiva no combate ao endividamento juvenil. “Seja na orientação financeira dentro das organizações, na elaboração de diagnósticos para famílias e grupos sociais, no desenvolvimento de programas de educação econômica ou mesmo como empreendedores que disseminam práticas saudáveis de controle financeiro. Eles aprendem a olhar para o endividamento não apenas como um número, mas como um fenômeno social que exige acolhimento, estratégia e educação”, ressalta.
“Combater o endividamento jovem é uma missão que ultrapassa a sala de aula. Exige mais do que conteúdo técnico: envolve acolhimento, orientação e a construção de ambientes de aprendizagem que promovam autonomia e consciência financeira”, finaliza a coordenadora.
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