PREPARAÇÃO

Enem 2025: Técnicas de estudo que realmente funcionam para a prova

Prova faz parte das principais formas de ingresso ao Ensino Superior público no Brasil. Neste ano, o exame será aplicado em novembro e dezembro

Paloma Xavier
Paloma Xavier
Publicado em 03/10/2025 às 7:00 | Atualizado em 12/10/2025 às 19:51
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É preciso definir um plano de estudos para as provas antes de escolher a técnica ideal FOTO: Freepik

Com a proximidade do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), é natural que os estudantes intensifiquem os estudos e busquem as melhores técnicas para fixar o conteúdo. As provas deste ano serão aplicadas nos dias 9 e 16 de novembro em todo o Brasil, exceto para os residentes em Belém, Ananindeua e Marituba, no Pará, que farão o teste nos dias 30 de novembro e 7 de dezembro.

A psicóloga escolar do Colégio GGE Alexandra Pontes explica que, para criar um plano de estudos mais assertivo, é preciso conhecer o exame: “É a partir dessa compreensão que o aluno vai conseguir traçar objetivos, incluindo métodos de estudo e cuidados consigo e sua saúde mental. Inicialmente conhecer o edital, como: estrutura da prova (quantas questões, quais áreas de conhecimento, peso das questões, quando é aplicada, tempo por dia); competências avaliadas (estimular a interpretação, desenvolver análise crítica, focar em resolução de problemas e escrita argumentativa) e conhecer e compreender a TRI [Teoria de Resposta ao Item].”

A TRI mencionada por Alexandra é um modelo estatístico de correção que busca avaliar a dificuldade e a consistência das respostas. “Ela não leva em conta só quantas questões o candidato acertou, mas quais questões, considerando três fatores: dificuldade, discriminação e chute. A TRI analisa cada pergunta da prova pelo grau de dificuldade (se é fácil, médio ou difícil), pela capacidade dela de distinguir quem entende do assunto de quem não entende (discriminação), e pela probabilidade de alguém acertá-la por sorte (chute)”, detalha.

“Depois da prova, com todas as respostas de todos os candidatos, o sistema verifica se há coerência nas respostas, por exemplo, se o candidato acertou questões difíceis, mas errou muitas fáceis, isso pode indicar que houve chute. A pontuação final não é apenas a soma de acertos: acertar questões mais difíceis vale mais, mas só se houver consistência no padrão de acertos. Resumindo: Erros em questões fáceis podem reduzir a nota significativamente. Garantir as questões fáceis é básico e muito importante diante do resultado final no Enem”, acrescenta.

Como vai funcionar o plano de estudos?

A psicóloga escolar explica que o plano de estudos é fundamental para dar direção ao que se aprende nas aulas do dia a dia e precisa ser construído a partir da rotina de cada estudante. “Considerando quanto tempo ele tem por dia para estudar, os outros compromissos da semana, os momentos de descanso e lazer, e o horário de descanso (sono). Só assim dá para planejar uma semana realista: não adianta lotar de matérias se você vai estar cansado e não conseguir dar conta.”

E orienta a alternância de disciplinas que exigem alto esforço mental com outras de menor intensidade. “Cada matéria exige um tempo diferente, por exemplo, para algumas pessoas matemática pode demandar 2h/1h30, para outras 1h já é suficiente e o estudante precisa conhecer seus limites e respeitá-los. O plano de estudo não precisa (nem deve) ser rígido: imprevistos acontecem, então, se não for possível seguir a rotina exatamente, pode-se compensar depois. Só é preciso manter disciplina para que isso não vire regra”, complementa.

Ela destaca que a rotina ajuda o estudante a organizar seu tempo, definindo quanto dedicar a cada atividade, como o estudo, o lazer e o tempo com a família etc. “Também permite identificar os momentos do dia em que há mais disposição (manhã, tarde ou noite) para cada tarefa. Com isso, é possível criar um cronograma realista de domingo a domingo, fundamental para o aluno do terceiro ano, que precisa conciliar várias disciplinas com outras áreas da vida.”

Quais são as principais técnicas de estudo para a retenção de conteúdo a longo prazo?

Alexandra exemplifica técnicas para retenção de conteúdo a longo prazo que podem ser úteis para os estudantes:

  • Repetição espaçada (Spaced Repetition): Revisitar conteúdo em intervalos cada vez maiores (por exemplo: 1 dia, 3 dias, 2 semanas etc.).
  • Prática de recuperação ativa (Active Recall): Testar-se sem olhar a resposta, fazer simulados, flashcards, explicar o assunto em voz alta.
  • Ensinar alguém (Técnica de Feynman): Se você consegue explicar bem algo para outra pessoa, significa que você entendeu profundamente, esse processo de explicar ajuda muito a reforçar a memória;
  • Técnica Pomodoro: É útil para manter o foco, evitar fadiga, organizar o tempo. É interessante associá-la com Active Recall e outras.
  • Realizar simulados e provas anteriores: Contam com os benefícios da prática ativa, ajudam no psicológico, na familiarização com o formato da prova, ajudam o aluno a identificar quais suas lacunas, além de ajudar o estudante a treinar o tempo e a organizar melhor a própria rotina de estudo.

Ela comenta também técnicas que podem demandar um pouco mais de tempo do estudante: “Os mapas mentais são ideais para quem aprende melhor visualmente, pois ajudam a organizar informações de maneira não linear, facilitando a compreensão de temas complexos. Os flashcards, que apresentam perguntas de um lado e respostas do outro, são eficazes para revisão rápida e memorização de conceitos-chave, fórmulas e datas. Já os resumos auxiliam a consolidar o aprendizado e a identificar os pontos mais importantes de cada disciplina, especialmente aquelas que exigem mais leitura. O mais importante é que o aluno utilize os recursos disponíveis que melhor se adaptem ao seu estilo de aprendizagem.”

Para a psicóloga escolar, são estratégias úteis porque “representam mais uma possibilidade de estudo. Funcionam como recursos que ajudam o estudante a refletir, organizar as ideias e escrever sobre os conteúdos, constituindo uma forma de aprendizagem efetiva”.

Outras dicas importantes

Alexandra elenca outras dicas importantes para a preparação para a prova:

  • Tentar estabelecer horários regulares para dormir, garantindo o repouso necessário para o corpo e a mente;
  • Praticar atividades físicas também ajuda a reduzir o estresse e melhora a concentração;
  • Manter uma alimentação equilibrada, que forneça energia e sustente seu bem-estar;
  • Reservar momentos para o lazer, fazendo atividades que tragam prazer e conforto, e não esquecer de ter tempo para não fazer nada, permitindo que a mente descanse;
  • Dedicar alguns momentos para refletir sobre a semana, identificando o que deu certo, o que pode ser ajustado e como aprimorar sua rotina.

“Esses cuidados ajudam a manter o equilíbrio necessário para enfrentar os estudos e a prova com mais clareza, foco e tranquilidade”, destaca.

Alexandra também passa um recado para os vestibulandos: “Não se esqueçam de respeitar seus limites e cuidar da saúde mental. Confie no caminho percorrido até aqui, respire fundo, acredite em si e coloque em prática todo o investimento feito ao longo do ano, com clareza, segurança e confiança. Insista, persista e não desista.”

Da preparação à aprovação no Enem! Quais estratégias e desafios dos estudantes?

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