
Depois de cinco anos do lançamento de Fallout: New Vegas, já estávamos até com saudades de visitar o futuro distópico da série da Bethesda. Mas a espera valeu a pena: Fallout 4, lançado no mercado brasileiro pela Gaming do Brasil, é o primeiro game da franquia para a nova geração, e já é um dos sérios candidatos a jogo do ano.
Verdade que poucos jogos conseguem proporcionar a imersão da série Fallout. No novo jogo, os desenvolvedores conseguiram se superar. A Boston pós-apocaliptica retratada no game é um cenário aberto não só enorme em tamanho, como vivo e complexo se analisado de perto. Diversas facções disputam entre si o controle (do que sobrou) da região, e cabe ao jogador sozinho fazer sua escolha, para qualquer lado.
A história de Fallout 4 se passa 200 anos depois da guerra nuclear entre Estados Unidos e China que devastou boa parte da humanidade. O jogador controla o único sobrevivente do Vault 111 – que pode ser um homem ou uma mulher, com aparência totalmente customizável. A partir daí, é ganhar o mundo virtual e construir sua própria saga.
Mais do que em qualquer outro Fallout, a narrativa é mais importante e dependente do jogador em vários fatores. Desde os primeiros minutos, que se ambientam nos EUA pré-holocausto nuclear de 2077, você já é apresentado a sua família e a realidade daquele universo (que é diferente da nossa linha do tempo). Mas logo o pior acontece e você tem que correr para o seu Vault para sobreviver ao ataque atômico. O problema é que, diferente dos outros títulos da série, seu personagem é congelado dentro do abrigo, só para ver - 200 anos mais tarde - seu(sua) marido(esposa) ser descongelado(a) e morto(a), e seu filho, Shaun, sequestrado. Seu objetivo agora é reunir-se com seu filho.
O jogo te dá uma grande gama de ferramentas para customizar seu personagem. Desde o editor de aparência até uma lista com centenas de nomes que podem ser reconhecidos e falados pelo seu mordomo/robô Codsworth. Mas com esse background, eu particularmente achei muito mais interessante criar um personagem mulher. Um personagem homem, ex-militar, que é congelado e vê sua esposa ser morta e seu filho (também homem) sequestrado é clichê demais. Por outro lado, uma mulher, dona de casa, esposa de um veterano de guerra, que vê seu marido ser morto e seu filho único sequestrado, e agora tem que enfrentar a desolação do deserto pós-apocalíptico para resgatá-lo... Isso sim é uma trama mais interessante. Mas como eu disse, a graça é que cada um faz sua história. Nada disso está determinado no jogo, eu mesmo criei minhas motivações.
E esse deserto desolado está lindo! Ele tem o mesmo look and feel dos cenários de Fallout 3 e New Vegas, mas se aproveita muito bem dos gráficos possibilitados pelos equipamentos da atual geração. O mapa é enorme, bebendo da fonte de Skyrim e Witcher III, e seus mundos gigantescos. Por causa disso, na mesma medida, a quantidade de sidequests também é imensa. Tão grande que elas acabam perdendo em profundidade - algo que não acontece em Witcher, por exemplo. Depois de um tempo, você acaba perdendo o interesse naqueles personagens e acaba cumprindo a missão só pelas recompensas mesmo. Mas, no fundo, é uma questão de escolha entre manter-se no foco da narrativa ou derivar pelo mapa da Commonwealth.
Durante boa parte da trama você será jogado de um lado a outro pelas diversas facções que tentam controlar o lugar. Cabe a cada um escolher por qual lado prefere lutar, sem nenhuma penalização ou bônus pela escolha. Cada grupo possui suas virtudes e vícios, e não existe um sistema de karma que vá te dar ou tirar pontos por escolhas "boas" ou "cruéis". Fallout 4 não é maniqueísta.
E para isso você não estará sozinho. Parece que agora é moda ter um companheiro animal, especialmente um cachorro. Dogmeat será seu melhor amigo, pegando itens para você, combatendo inimigos e alertando perigos. O nome é genial, mas um jogo tão personalizável poderia nos dar a opção de escolher o nome do bicho. Além do que, não é raro ele se tornar um fardo. Cansei de ouvir o pobre gritando de dor enquanto estamos encurralado por um bando de salteadores. Acostume-se a deixá-lo esperando no canto enquanto você sai para o combate.
Falando em porradaria, essa parte do jogo evoluiu pouco. O V.A.T.S. não mudou muito, apenas não pausa totalmente o jogo quando acionado e sim entra numa câmera lenta (bem lenta). Para quem não está acostumado, é o sistema de posicionamento tático de Fallout que te permite alinhar um monte de ataques, baseados em uma porcentagem de chance de sucesso. Dá pra ficar sem ele e jogar como um FPS tradicional, mas saber usá-lo é um diferencial. Ainda mais quando o seu personagem (como a minha) não é um porradeiro. O sistema de evolução por perks também mudou pouco, só ficou mais prático e com uma apresentação melhor.
As tranqueiras que você cata pelo caminho da sua missão agora valem um pouco mais do que uns trocados no vendedor. Em Fallout 4 o jogador pode ajudar a reconstruir o mundo e erguer novas estruturas em determinados locais. Revitalizar cidades quebradas, reformar casas e adicionar mobília para seduzir os cidadãos para voltar ao estas cidades e fazê-las felizes e prósperas.
Em resumo, Fallout 4 é um jogo de possibilidades, que pode ser melhor ou pior de acordo com cada jogador. Mesmo sendo direto ao ponto nas missões, ainda vai consumir umas boas dezenas de horas do seu tempo livre e pode ser quase que infinitamente rejogável, uma vez que as opções de customização são enormes. Em relação aos seus antecessores, não houve um pulo gigantesco - está mais para uma atualização. Mas é complicado mexer em algo tão icônico como o universo de Fallout e não descaracterizar o jogo.











