NOVO ENSINO MÉDIO

NOVO ENSINO MÉDIO: Em reunião, MEC propõe diminuir formação básica para viabilizar educação técnica

O Novo Ensino Médio aumenta a carga horária das escolas, muda a distribuição de disciplinas no currículo e possibilita que os alunos escolham em quais áreas vão se aprofundar.

Bruna Oliveira
Bruna Oliveira
Publicado em 30/08/2023 às 0:57
GUGA MATOS/JC IMAGEM
Alunos do 2º ano do ensino médio realizaram provas domingo e segunda-feira FOTO: GUGA MATOS/JC IMAGEM

Nessa segunda-feira (28), o Ministério da Educação (MEC) realizou uma reunião com representantes de secretários de educação, professores, estudantes e conselhos estaduais, durante a qual optou por modificar parte da proposta referente ao novo Ensino Médio que havia sido exposta no começo do mês.

Com isso, haverá ma redução na carga horária da formação básica, que inclui matérias como Português, Matemática, História e Biologia, para os alunos matriculados em cursos técnicos, em comparação com os demais estudantes.

Segundo informações obtidas pelo Estadão, a formação geral básica será composta por 2400 horas, enquanto a formação específica abrangerá 600 horas.

A exceção se aplica ao itinerário formativo associado à educação técnica e profissional, no qual serão destinadas 2100 horas para o conteúdo básico e 900 para o conteúdo específico.

Confira mais informações abaixo.

NOVO ENSINO MÉDIO COMEÇA A VALER A PARTIR DE QUANDO?

Prevê-se que o Projeto de Lei, contendo o texto relativo ao novo ensino médio, seja finalizado nesta semana para ser encaminhado ao Congresso.

A reforma, aprovada em 2017, visa flexibilizar a carga horária dessa etapa, permitindo que parte das disciplinas seja escolhida de acordo com as preferências dos alunos.

No entanto, críticas substanciais foram levantadas acerca de sua implementação, especialmente no âmbito da rede pública, apontando para a carência de estrutura e a insuficiente preparação dos professores para lecionar essas novas matérias, além da considerável diminuição das disciplinas da formação básica.

Em resposta às preocupações manifestadas por associações de estudantes e docentes, o ministério lançou uma consulta pública com o intuito de receber sugestões sobre o assunto.

Posteriormente, no início de agosto, apresentou uma proposta e desde então tem mantido encontros com organizações ligadas à educação para solucionar os pontos de divergência.

Outro ponto debatido durante a reunião foi o desenho dos itinerários. Em sua proposta inicial, o MEC havia estabelecido três trilhas formativas:

  • Linguagens, Matemática e Ciências da natureza;
  • Linguagens, Natemática e Ciências humanas e Sociais;
  • Formação técnica e profissional.

Contudo, a sugestão não recebeu a aprovação dos secretários estaduais, que almejam uma maior adaptabilidade na configuração dos itinerários.

Durante a reunião, um dos tópicos discutidos centrou-se na viabilidade de apresentar ao menos cinco estruturas distintas, entre as quais uma se dedicaria à educação técnica e profissional.

Após a deliberação, o formato que mais se aproximou de um consenso implicou na combinação de três áreas de conhecimento, sem predefinição. Sob essa perspectiva, não seria mandatório que todos os itinerários incorporassem as áreas de Linguagens e Matemática.

Apesar de contar com a aprovação da maioria, a decisão final ainda não foi definitivamente tomada.

A diminuição da carga horária da formação básica também constituía uma reivindicação dos secretários de educação e dos conselhos estaduais, os quais apresentaram, na semana passada, um documento ao ministro Camilo Santana, no qual pleiteavam um total de 2,1 mil horas, representando uma redução de 300 horas em relação à proposta original do MEC.

Na presente segunda-feira, o ministério optou, entretanto, por atender parcialmente essa demanda, implementando uma diminuição apenas na carga horária destinada ao ensino técnico.

Esse entrave na disposição do ensino técnico surge devido à proposta anterior do MEC, que alocaria somente 800 horas para a vertente profissional.

MAS AFINAL, COMO FICA O ENSINO MÉDIO?

A situação do Ensino Médio vai ser pauta na palestra Mas Afinal, "Como Fica o Ensino Médio?" que vai ser realizada pela presidente executiva e fundadora do Todos pela Educação, Priscila Cruz, durante o XIX Congresso Internacional de Tecnologia na Educação (CITE).

Ao todo, o evento conta com 51 palestras, 7 oficinas e 5 prosas/mesa redonda com nomes importantes do cenário Educacional do Brasil e do mundo.

Quem participar, ainda vai ter acesso a apresentações culturais, Ideathons, Salão de Empreendedorismo (estandes virtuais para a comercialização de serviços e produtos educacionais) e ao Espaço do Conhecimento (programação dedicada à disseminação e compartilhamento de trabalhos acadêmicos).

O CITE acontece nos dias 20, 21 e 22 de setembro de 2023, no Recife, em Caruaru e em Petrolina. Clique aqui para se inscrever.

 

Andrea Piacquadio/Pexels
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ARTES/SJCC
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