Só a vida, não basta!

HELLFENCE, Recife cidade das grades

Publicado em 15/08/2018, às 10h50 | Atualizado em 15/08/2018, às 14h43

Por Diego Garcez

Diego Garcez faz poesia sobre a cidade / Foto: Divulgação

Diego Garcez faz poesia sobre a cidade Foto: Divulgação

Recife cidade das grades

Dos muros

Dos cortes

 

Aqui separa-se tudo, menos o joio do trigo

Abandona-se quem não podia ser abandonado

E acolhe-se quem abandona

 

Recife cidade das cercas

Hellfence

 

Aqui se começa matando na esquina

No monumento cercado

Na praça cercada

No muro que não só separa

Como agride

 

Agride e protege as agressões de casa

A morte da esquina também mata muito dentro de casa

 

Recife cidade das cercanias hereditárias

Aqui tudo foi feito com cerca

Acerca do nada

 

Mata eu, mata tu e mata todos

A arquitetura do medo não protege ninguém

Só serve para trazer mais medo

Mais tensão

Mais morte cega

 

E cegos vamos esquecendo

Que já estamos mortos

Embaixo de uma lápide

Que se chama

Muro

*As colunas assinadas não refletem, necessariamente, a opinião do NE10

Só a vida, não basta! Diego Garcez Diego Garcez é sobretudo poeta, mas encontrou na crônica uma forma de diálogo mais palatável para o mundo das pernas aceleradas. É formado em relações internacionais, empreendedor e entusiasta do Porto Digital, corredor nas horas vagas e pai em tempo absolutamente integral. Facebook: Diego Garcez | Instagram: @garcezdiego. diego.garcez1510@gmail.com

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