Só a vida, não basta!

Eleições 2018: Existe amor após domingo

Publicado em 04/10/2018, às 23h12 | Atualizado em 04/10/2018, às 23h25

Por Diego Garcez

Porque políticos e eleições passam, mas a vida e a  necessidade de afeto continuam / Foto: Pixabay

Porque políticos e eleições passam, mas a vida e a necessidade de afeto continuam Foto: Pixabay

Estamos todos apaixonados, com medo, acuados, raivosos e machucados. Temos os nossos motivos, os nossos calos, nossos pequenos cortes inflamados. Mas não temos o direito de sacudir isso aleatoriamente aos quatro ventos, é preciso calma. Ela nunca foi tão necessária.

Próximo domingo temos eleições e nunca vi nada tão visceral como o momento atual. Não me lembro de ter visto briga conjugal, bebedeira ou desavença entre irmãos com tanta paixão e ódio envolvidos. Não vale a pena e não é bom presságio.

Estamos dentro de um sistema democrático, cada um vota em quem quiser e por mais que tentemos e nos animemos, não mudamos o voto de ninguém. Esse é um assunto de absoluto foro íntimo justamente por ser tão ligado ao campo das paixões, aspirações e garantias.

Votamos com base nos valores que temos e nas garantias que queremos preservar. Por isso nos agarramos tanto ao nosso voto, simplesmente porque nos agarramos demais a nós mesmos. E ninguém muda isso numa conversa de mesa de bar e muito menos com memes de whatsapp.

Com comportamentos ofensivos e provocadores conseguimos no máximo desafetos e no mínimo afastamento. Porque é chato e ninguém quer chatice no ombro próximo. Continuamos querendo o ombro amigo é pra abraçar, chorar as pitangas e falar amenidades. Queremos o ombro amigo é para nos fortalecermos.

E precisaremos disso logo ali ao dobrar a esquina, porque a vida é frágil, se esvai no tempo de um clique qualquer. E para não perdermos a possibilidade de resgatar nossa força no olhar acolhedor do outro, paremos. Paremos de sacudir nossas vontades, amarguras e desejos tão amplamente e com tanta voracidade porque o outro é diferente. Se a diferença não vem embalada no embrulho do respeito, ela tende pro lado da afirmação provocativa que inseparavelmente carrega pitadas de agressividade. Nesse cenário, todos perdem.

Possivelmente, depois desse domingo, ainda teremos todo um segundo turno a ser enfrentado e depois mais 4 anos de convivência. Seja qual for o cenário, dentre todas as opções existentes, a vida continuará dura e precisaremos como nunca de um ombro amigo.

Sendo assim, vale o esforço para tentar encontrar algum lampejo de sabedoria. Porque políticos e eleições passam, mas a vida cotidiana, as relações humanas e a necessidade de afeto continuam.

*As colunas assinadas não refletem, necessariamente, a opinião do NE10

Só a vida, não basta! Diego Garcez Diego Garcez é sobretudo poeta, mas encontrou na crônica uma forma de diálogo mais palatável para o mundo das pernas aceleradas. É formado em relações internacionais, empreendedor e entusiasta do Porto Digital, corredor nas horas vagas e pai em tempo absolutamente integral. Facebook: Diego Garcez | Instagram: @garcezdiego. diego.garcez1510@gmail.com

Continue Lendo

COMENTE ESTA MATÉRIA

Nome:
E-mail
Mensagem

O comentário é de total responsabilidade do internauta que o inseriu. O NE10 reserva-se o direito de não publicar mensagens com palavras de baixo calão, publicidade, calúnia, injúria, difamação ou qualquer conduta que possa ser considerada criminosa.

Vitrine NE10
Fechar vídeo