Naufrágio

Pai do menino sírio afogado conta como seus filhos 'escaparam pelas mãos'

Rafael Paranhos da Silva
Rafael Paranhos da Silva
Publicado em 03/09/2015 às 21:57
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O corpo do pequeno Aylan Kurdi foi descoberto em uma praia do elegante balneário de Bodrum / Foto: Reprodução

O corpo do pequeno Aylan Kurdi foi descoberto em uma praia do elegante balneário de Bodrum Foto: Reprodução

A guerra, o exílio e, no final do caminho, a morte. O pai do menino de 3 anos cuja morte comoveu o mundo descreveu o final trágico de sua saga para escapar da guerra civil na Síria, a centenas de metros da costa turca.

O corpo do pequeno Aylan Kurdi (ou Shenu segundo sua família síria) foi descoberto na manhã de quarta-feira (2) em uma praia do elegante balneário de Bodrum (sudoeste da Turquia). Com o rosto contra a areia, parecia dormir tranquilo.

Não distante dele, estavam seu irmão Ghaled, de 5 anos, e sua mãe, Rihanna, de 27 anos, mortos afogados com outros nove refugiados sírios que tentavam chegar à ilha grega de Kos, porta de entrada para a União Europeia (UE), como milhares outros antes deles. Suas duas pequenas embarcações naufragaram durante a noite.

"Levávamos coletes salva-vidas, mas o barco virou subitamente porque houve pessoas que ficaram de pé. Eu dava a mão a minha mulher, mas meus filhos me escaparam pelas mãos", contou nesta quinta-feira o pai, Abdullah Shenu, à agência de notícias Dogan.

"Estava escuro e todos gritavam, por isso minha mulher e meus filhos não puderam ouvir minha voz. Tentei nadar até a costa graças às luzes, mas não pude encontrar minha mulher e meus filhos uma vez em terra", explicou Shenu, "fui ao hospital e lá me deram a má notícia".

Reproduzidas pelas redes sociais e depois por boa parte da imprensa ocidental, as fotos do corpo sem vida de Aylan deram a volta ao mundo e personificaram o drama de centenas de milhares de sírios que tentam por todos os meios sair de seu país em guerra há mais de quatro anos.

Como contou à AFP um jornalista sírio, Mustefa Ebdi, a família Shenu levou três anos vagando em busca de paz. "Saíram de Damasco em 2012 até Aleppo (norte) e quando começaram os combates partiram para Kobane".

Mas a cidade síria foi atacada pelos jihadistas do Estado Islâmico (EI) no outono de 2014. Abdullah, sua esposa e seus dois filhos fugiram para a Turquia.

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