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Em sobrevoo, sonda da Nasa revela planícies congeladas em Plutão

MARÍLIA BANHOLZER
MARÍLIA BANHOLZER
Publicado em 17/07/2015 às 20:57
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Cientistas esperavam então descobrir muitos impactos de crateras sobre a superfície de Plutão / Foto: Nasa

Cientistas esperavam então descobrir muitos impactos de crateras sobre a superfície de Plutão Foto: Nasa

A Nasa continuava a revelar nesta sexta-feira (17) as novidades obtidas sobre Plutão após o sobrevoo da sonda New Horizons na última terça-feira - e, após a descoberta de montanhas, os cientistas agora se debruçam sobre as grandes planícies congeladas do planeta anão.

As fotos transmitidas pela sonda espacial chegam a conta-gotas, mas os membros da missão New Horizons continuam fascinados pelos novos dados recebidos, que já permitem responder a certas questões. E abrem muitas outras.

Entre os novos dados revelados nesta sexta-feira, a Nasa se debruçou sobre uma grande planície congelada situada na "Região Tombaugh", nome da vasta zona em forma de coração.



"Não é uma zona fácil a desvendar", disse Jeffrey Moore, um dos cientistas da missão. "Não vemos os impactos de crateras recentes e a superfície desta zona é bem recente, menos de 100 milhões de anos. Ela provavelmente ainda está sendo trabalhada pelo processo geológico".

"A descoberta desta vasta planície bastante jovem, sem aparentes impactos de crateras sobre Plutão, superou todas as nossas expectativas", acrescentou.

O planeta anão está situado no cinturão de Kuiper, um grande depósito de detritos além da órbita de Netuno, e é normalmente bombardeada por asteroides regularmente. Os cientistas esperavam então descobrir muitos impactos de crateras sobre sua superfície, o que não parece ser o caso à primeira vista das imagens recebidas.

A equipe da missão New Horizons batizou esta planície congelada de "Planície Sputnik", em homenagem ao primeiro satélite artificial enviado ao espaço pela União Soviética (URSS).

Outra descoberta: os pesquisadores conseguiram constatar que a atmosfera de Plutão, formada principalmente por nitrogênio, escapa do planeta anão por sua baixa gravidade num ritmo intenso, de "cerca de 500 toneladas por hora", segundo Fran Bagenal, uma das cientistas da missão. Ela disse esperar melhorar suas estimativas e compreender melhor o processo com novos dados enviados pela sonda.

As equipes da Nasa já tinham conseguido observar de perto montanhas bem altas, de cerca de 3.500 metros de altitude, nas fotos enviadas na terça-feira pela New Horizons. A sonda deve enviar pouco a pouco a integralidade dos dados coletados durante o sobrevoo de terça nos próximos 16 meses.

"A sonda agora está a 3,5 milhões de quilômetros de Plutão e funciona de acordo com as previsões", explicou Alan Stern, principal cientista da missão. Ele estima que a sonda deve ter enviado até agora apenas 2% de todos os dados coletados no início da semana.

"Nós estamos apenas nos primeiros dias de nossas análises após o sobrevoo da sonda", relembrou Jeffrey Moore. "Embora as imagens sejam extraordinárias, nós ainda estamos no início das investigações, ainda estamos diante de um grande número de hipóteses e sabemos que é um perigo tirarmos qualquer conclusão definitiva neste momento".

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