Na Semana Santa, o almoço de domingo de Páscoa é repleto de comidas tradicionais. Todos os anos, o que não pode faltar na mesa do nordestino é o peixe no prato principal e as comidas de coco, mas outra receita muito querida é o bredo. Em geral cozida no leite de coco, a folhagem é considerada uma das comidas típicas. Mas é raro o cultivo, a venda e, consequentemente, o consumo do bredo em outra época do ano.
Manoel da Silva trabalha com folhagens há 13 anos à margens da BR 101 Sul
De acordo com o agricultor Manoel dos Santos, que há 13 anos trabalha com a plantação de hortaliças, o bredo é "um mato selvagem que a gente domesticou". Segundo ele, a planta demora 60 dias para estar pronta para ser vendida nos mercados. "A gente só planta o bredo por causa da Semana Santa, depois é muito difícil encontrar alguém vendendo". O não cultivo da folhagem é um problema quando os idosos ou as gestantes procuram pelo alimento fora do período pascal, o que acontece com alguma frequência.
Ainda segundo com o agricultor, nesse período que o bredo é amplamente consumido, chegam a ser vendidos mais de 5 mil molhos, saídos apenas de sua plantação, localizada às margens da BR 101 Sul, próximo ao Centro de Abastecimento Alimentar de Pernambuco (Ceasa), no bairro do Curado, Zona Oeste do Recife. Manoel explica que o cultivo do bredo é muito simples: "Basta colocar um talo de bredo no terreno e ele cresce sozinho. Basta colocar água e esperar. Um talinho cresce e floresce uns 80 cm². É muito fácil".
O plantio do bredo é rápido e simples, de acordo com os agricultores
Os interessados em comprar bredo devem se preparar. A venda da planta começa na segunda-feira da Semana Santa e, segundo o agricultor, dificilmente, chega até a Sexta-feira da Paixão. "Sempre esgota tudo na quinta-feira de manhã. Espero que esse ano a gente venda tudo pra garantir o vinho da Páscoa", brincou Manoel. No Ceasa, as especulações dos comerciantes apontam para que o preço do molho de bredo seja vendido por cerca de R$ 1,50 este ano.
Professor de agronomia da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), Dimas Menezes explica que existem dois tipos diferentes de bredo: o Talinum triangulare e o Amaranthus. Ambos são comuns na agricultura pernambucana, podem ser consumidos e riscos em vitamina A. O Talinun triangulare é mais conhecido como bredo da Semana Santa, enquanto o Amaranthus é chamado de Caruru e é muito cultivado no Agreste e no Sertão pernambucano.
O bredo se desenvolve facilmente em todos os tipos de terrenos e cresce independente de cultivo, a ponto de ser caracterizado como uma planta invasora. "Ele é tão frequente que, no Sertão, mesmo depois de uma seca dessa, basta chover que ele nasce", relata o professor especilista em Olericultura.
RECEITA TRADICIONAL DO BREDO
» Ingredientes:
1 molho de bredo bem verde;
1 cebola;
1 tomate;
1 pimentão verde;
Um pouco de coentro verde
1/2 vidro de leite de coco ou leite de coco ralado fresco e processado;
Azeite de oliva;
Sal;
» Modo de Preparo:
1 - Retire as folhas dos talos do ramos de bredo;
2 - Lave - as e cozinhe na agua e sal;
3 - Deixe escorrer em uma peneira;
4 - Em outra panela com azeite refogue a cebola, tomate, pimentão e sal;
5 - Quando o refogado estiver bom (molho), acrescente o leite de coco;
6 - Pode acrescentar um pouco de água ao refogado;
7 - Deixe por cerca de 3 minutos e acrescente o bredo;
8 - Em seguida acrescente um pouco de coentro verde em pedaços grandes;
9 - Ótimo para servir com bacalhau ou peixes (cozidos ou fritos).