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Mostra inédita no Brasil apresenta as diversas faces do cineasta Jean-Luc Godard

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Publicado em 12/05/2013 às 12:00
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Chato, difícil e incompreendido pela maioria. Esses foram apenas alguns dos adjetivos utilizados pelos próprios admiradores para definir o cineasta franco-suíço, Jean-Luc Godard, grande homenageado em uma exposição inédita e exclusiva para o Brasil.

Montada em três andares do Centro Cultural Oi Futuro Flamengo, no Rio de Janeiro, a Expo(r)Godard exibe até o dia 7 de julho, diversas faces do artista contadas a partir de vídeos, cds, publicações, colagens e som.

A mostra enfatiza as três últimas décadas da produção de Godard, considerado o mais célebre nome da Nouvelle Vague, movimento iniciado na França que mudou o cinema mundial nos anos 1960. O convite para expor foi brasileiro. 


Exposição traz de vídeos, a colagens e publicações do cineasta franco-suíço (Fotos: Divulgação)

"A ideia era trazer um cineasta que sempre pensou em comunicação para um espaço de comunicação", explica a coordenadora executiva do projeto e professora de cinema da Universidade Federal Fluminense (UFF), Aída Marques. 

Cada um dos espaços retrata fases diferentes de um período que o público brasileiro está menos familiarizado, apesar de, ser uma das principais referências para os cineastas nacionais, segundo Marques. 

Do térrero ao segundo andar, a expô se divide em Autorretrato, História(s) do Cinema e Colagens, finalizando com peças e vídeos sobre uma das exposições mais marcantes que o cineasta montou no Centro Pompidou, em Paris, ao lado do ator, ensaísta, crítico de arte francês, Dominique Païni. 


Visitantes conferem as colagens de Godard, o nome mais célebre da Nouvelle Vague

Os fãs do cinema de Godard terão acesso a rascunhos originais de livros, trechos de clássicos como o 'Acossado', 'A Chinesa' e 'Je vous salue Marie', além de vídeos de outras exposições. Mas o que surpreende são os detalhes que um curador que sente repulsa pela pessoa do cineasta ao mesmo tempo em que é apaixonado pelo trabalho dele foi capaz de selecionar.

Ao lado de Anne Marquez, colaboradora do Pompidou, Païni revela um Godard inebriado pela fotocópia, pintor e frustrado por não ter trabalhado com esportes na televisão. "Eu não seria quem sou se não tivesse visto cada um de seus filmes cem vezes", desabafou Païni, logo após ter dito que Jean-Luc - como costuma chamá-lo - não significa nada para ele além de silêncio e rompimento.

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O divórcio profissional, depois de décadas de parceria e dedicação, parece ter ajudado a temperar a composição da montagem feita quase que à revelia, já que Godard vendeu os direitos de suas obras. Particularidades como um livro confeccionado manualmente pelo próprio cineasta e uma edição rara da revista Cahiers du Cinéma, objeto pessoal de Godard, podem ser vistos pelo público.


Acima: espaços da mostra no Oi Futuro Flamengo; abaixo, da esquerda para a direita: Aída Marques, Dominique Païni e Anne Marquez

Em formato multimídia, com grandes projeções e totens interativos, a mostra também permite que o público aprecie os sons e as imagens dos vídeos de Godard de forma isolada, em espaços diferentes.

"Todo filme dele deveria ser visto três vezes: uma só para ouvir o som, outra só para as imagens e uma terceira para juntar os dois”, comenta o curador, ressaltando que o áudio é tão importante quanto as imagens na essência da concepção do trabalho do cineasta.

A Expo(r)Godard ainda contempla uma vasta programação que inclui ciclos de palestras, performances e sessões de cinema. A realização é da MP2 Produções.

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