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HOMENAGEADO

O corpo é o melhor instrumento de percussão, diz Naná Vasconcelos

Publicado em 07/01/2013, às 12h00 | Atualizado em 21/07/2014, às 00h50

Marília BanholzerDo NE10

'Eu sou um Brasil que o Brasil não conhece'. Foi assim que o músico pernambucano Naná Vasconcelos se definiu. Eleito oito vezes melhor percussionista do mundo pela revista americana Down Beat e um dos principais instrumentistas do País, Juvenal de Holanda Vasconcelos é, aos 68 anos, o homenageado deste ano no Carnaval do Recife. 'É gratificante ser homenageado enquanto ainda estou vivo', brincou o recifense Naná.



Numa conversa de pouco mais de uma hora com o NE10, Naná mal conseguia ficar parado. Andando e gesticulando muito pela sala de sua casa no bairro do Rosarinho, Zona Norte do Recife, o percussionista mostrou que energia não lhe faltará para a maratona que o espera no Carnaval deste ano. Quando perguntado sobre a percussão, classificação musical que lhe rendeu fama dentro de fora do Brasil, ele respondeu brincando e fazendo sons com a voz e o corpo. 'Hoje eu entendo que o primeiro instrumento é a voz e depois o corpo, mas meu primeiro instrumento foi uma caçarola da cozinha da minha mãe', relembrou.


Bom humor e disposição são as marcas de um artista multifacetado
Fotos: Marília Banholzer/NE10

Naná Vasconcelos é conhecido fora do Brasil por apresentar o som dos instrumentos de percussão ritmos que vão da música erudita de Villa-Lobos ao rock de Jimi Hendrix, artistas que são tidos como influências para o pernambucano. 'O povo lá fora acha bonito como eu consigo juntar os mais diversos instrumentos para fazer música'.

Um exemplo do que Naná quis dizer com essa afirmação é a capacidade de unir o berimbau africano e o pandeiro árabe numa música só. Esses instrumentos têm origens completamente diferentes e nunca, segundo o músico, 'trabalharam' juntos, a não ser no Brasil. 'O brasileiro é o povo mais criativo e instintivo que existe. Só o brasileiro consegue juntar o som de um batuque no penico com o barulho da panela, um tambor e muitos outros instrumentos de percussão', ressaltou Naná.


O berimbau é o xodó de um dos principais percussionistas do mundo
Foto: Alexandre Severo/Acervo JC Imagem


Mas, quando o assunto é instrumento, o percussionista não esconde sua paixão por um em especial: o berimbau. Uma vara curva com uma cabaça amarrada na extremidade inferior e um fio de aço compõem o grande amor de Naná Vasconcelos. 'O berimbau me escolheu. Eu sei que apenas eu no mundo todo consigo tirar determinados sons dele [berimbau]'.

O amor pelo instrumento não nasceu por acaso. Nos anos 60, quando iniciava sua carreira internacional, Naná Vasconcelos foi apresentado ao berimbau, apaixonou-se e passou a estudá-lo com fervor. Depois de garantir excelência na execução dos sons com o instrumento, Naná passou a fazer apresentações solo ao lado de grandes nomes da música instrumental como o saxofonista argentino Gato Barbieri e o violonista francês Jean-Luc Ponty.

Depois de passar 20 anos morando e tocando pelo mundo - Naná morou em Paris (FRA) e Nova Iorque (EUA) -, o pernambucano voltou para sua terra para se firmar como o grande músico que é. No retorno, ele se aprofundou no mundo dos batuques do maracatu.

Há 12 anos Naná Vasconcelos abre o Carnaval do Recife com uma apresentação na qual ele comanda cerca de 500 batuqueiros de Maracatu Nação numa grande mistura de ritmos. O show, que acontece na sexta-feira, no Marco Zero do Recife, no bairro do Recife Antigo, já se tornou uma tradição das festas de Momo da capital pernambucana.


Comandar o encontro de batuqueiros na abertura do Carnaval é de sua responsabilidade
Foto: Ricardo Labastier/JC Imagem

Antes desse grande encontro, o músico passa o mês de janeiro visitando dez nações de maracatu do Recife e ensaiando com eles o que será apresentado para o folião recifense. Nesses 12 anos trabalhando com o público jovem, Naná aprendeu a gostar de ensinar o que sabe sobre música.

'Eu aprendi a fazer música na vida. Sou autodidata. Hoje eu me sinto feliz em poder ensinar. Gosto muito de trabalhar com crianças. Penso que elas devem ter toda nossa atenção. Elas são o futuro', comentou o músico, que batucou na caçarola da mãe ainda criança e, aos 12 anos, já se apresentava em cabarés.


Naná não esconde o prazer em trabalhar com crianças carentes
Foto: divulgação


Como prova de sua paixão por ensinar aos pequenos aprendizes, Naná Vasconcelos promove dois projetos voltados para o público infantil. O Língua Mãe é uma ação que prevê o encontro de crianças brasileiras, portuguesas e africanas na execução da música através da percussão. Há também o projeto ABC Musical, no qual Naná introduz jovens com idades entre 7 e 12 anos aos primeiros conhecimentos da música. O jovens envolvidos no projeto são de vários países, como França, Estados Unidos e Itália.

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