Usina de Histórias

Sonho louco

Publicado em 19/10/2017, às 10h53 | Atualizado em 19/10/2017, às 10h55

Por Franco Benites

Sonhei que eu era um caldinho de feijoada, pretinho e salgado, mas não sei se era salgado porque no lugar do coração eu trazia torresmo e azeitona ou se era salgado devido à água do mar. / Foto: reprodução/ Instagram

Sonhei que eu era um caldinho de feijoada, pretinho e salgado, mas não sei se era salgado porque no lugar do coração eu trazia torresmo e azeitona ou se era salgado devido à água do mar. Foto: reprodução/ Instagram

Sonhei que era um bolo de rolo. Não um simples bolo de rolo, mas um daqueles macios, suculentos, com uma camada apetitosa de recheio de goiaba por dentro.

Sonhei que era um bolo de rolo que passava a manhã na praia de Boa Viagem, se bronzeando na areia e colocando os pés na água quentinha do mar de vez em quando.

São dessas coisas que só acontecem em sonho, mas de uma hora para a outra deixei de ser um bolo de rolo amarelinho e açucarado e virei um caldinho de feijão.

Sendo sincero e fiel ao sonho, eu era um caldinho de feijoada, pretinho e salgado, mas não sei se era salgado porque no lugar do coração eu trazia torresmo e azeitona ou se era salgado devido à água do mar.

Segui sonhando e com o calor que fazia no sonho logo eu estava suando. Não era mais um caldinho de feijão, mas um copo de cerveja, gelado, digo, suado, com gotas escorrendo pelos poros.

Sabe o que é mais doido? No meu sonho, os meus amigos não eram os meus amigos. Quer dizer, eu tinha um monte de amigos no sonho, mas, sendo eu um bolo de rolo, depois um caldinho de feijoada, em seguida um copo de cerveja, acho que nada mais natural que meus amigos no sonho fossem rebolativas porções de macaxeira, fatias de queijo coalho e tigelas de cuscuz.

Sou suspeito para falar, mas acho que sonhei com essa loucura toda porque aqui, do outro lado do Atlântico, sonho acordado com as coisas do Recife.

Se você reparar bem, todos os parágrafos desses texto começaram com S.

Sim, não é à toa.

S de saudades do Recife.


*As colunas assinadas não refletem, necessariamente, a opinião do NE10

Usina de Histórias Franco Benites é um jornalista recifense que trocou momentaneamente a terra dos altos coqueiros para estudar em Braga, Portugal. Entende que o mundo foi feito para ser vivido, observado e narrado.. francobenites@gmail.com

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  • De: Luciana- 25/10/2017 08:31 Fiquei com água na boca só de ler, e olha que estou em Recife... Interessante que geralmente quem está distante diz que sente falta da família e amigos e você enfatizou a gastronomia :)
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