Geração Y

Para onde caminha a geração Y?

Publicado em 03/06/2014, às 11h29 | Atualizado em 22/07/2014, às 15h32

Por Sílvia Gusmão

É expressivo o número de jovens adultos insatisfeitos com sua carreira, como também tem crescido substancialmente o universo daqueles que iniciam mais de uma graduação e não finalizam nenhuma.  A falta de clareza quanto ao que desejavam seguir, o excesso de exigências dos professores ou a qualidade do ensino da faculdade onde estudam são algumas razões alegadas por eles.

Quando exercem a profissão, mal ingressam no mercado de trabalho, tendem a desistir do que fazem, porque costumam considerar a remuneração pouco atraente para suas expectativas ou promoções que não chegam no tempo desejado. Há, também, um percentual significativo que, após concluir a graduação, não privilegia a prática profissional. Eles iniciam uma sequência de cursos de pós-graduação, mestrado e/ou doutorado, mais como forma de prolongar a vida estudantil do que pelo compromisso com sua estratégia de carreira.

Ambiciosos, muitos deles, bem preparados, esses jovens não almejam uma carreira segura e estável, como a geração de seus pais

Ambiciosos, muitos deles, bem preparados, esses jovens não almejam uma carreira segura e estável, como a geração de seus pais. Eles querem alçar voos mais altos sem, no entanto, pagar o preço da conquista gradativa. Conquista resultante do acúmulo de experiências, o que não se consegue sem manter a disponibilidade para aprender, para reconhecer os limites e as possibilidades, além da capacidade para lidar com as inevitáveis frustrações geradas pela distância existente entre o desejo e a realidade.

Seguem na contramão dessa trajetória, apostando na certeza de que são merecedores de reconhecimento e remuneração diferenciados, embora incompatíveis com a mal adquirida experiência.

Os pais, por sua vez, permanecem patrocinando os sucessivos ensaios e erros desse percalço. Desse modo, eternizam a imaturidade dos filhos. Equivocadamente, não exigem dedicação, perseverança e responsabilidade com as demandas dos jovens. Embarcam junto interpretando tudo como preparo necessário para responder às exigências do mundo globalizado, competitivo e dinamizado pelas inovações científicas e tecnológicas. Além desses aspectos, hão de se considerar fatores do nosso contexto sociocultural.

Em seu livro A Sociedade dos Filhos Órfãos, o sociólogo e jornalista Sergio Sinay defende a ideia de que, na contemporaneidade, os pais investem para transformar os filhos em troféus. Numa época de culto ao consumismo, à celebridade e ao individualismo, em que a felicidade vincula-se à posse de bens materiais e o valor das pessoas relaciona-se com o que possuem, os pais tentam resgatar seu narcisismo perdido projetando nos filhos expectativas grandiosíssimas. Creditam a eles o sucesso que não conseguiram ser.

Hoje, chama a atenção a alta incidência de adolescentes que sofrem ante a perspectiva de não conseguirem nível de excelência, apesar de serem considerados estudantes diferenciados. Do mesmo modo que há elevado número de jovens que apresentam quadro de inibição e desempenho escolar medíocre quando, até então, eram reconhecidos como alunos competentes e inteligentes.

Há um paradoxo, esses jovens são cobrados para atender projetos idealizados, muitas vezes, inalcançáveis, ao mesmo tempo em que convivem num ambiente familiar onde são protegidos do confronto com os limites, com as frustrações e com as adversidades da vida.

Estamos educando os jovens para o futuro?

*As colunas assinadas não refletem, necessariamente, a opinião do NE10

PALAVRAS-CHAVE: geração y

Trajeto profissional Sílvia Gusmão é psicanalista e consultora da Trajeto Consultoria. silvia@trajeto consultoria.com.br

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