Só a vida, não basta!

Feliz Ano Novo De Novo!

Publicado em 15/02/2018, às 15h42 | Atualizado em 15/02/2018, às 15h51

Por Diego Garcez

Se o Carnaval é libertador demais, talvez seja importante se perguntar o que lhe prende no restante do ano / Foto: acervo pessoal

Se o Carnaval é libertador demais, talvez seja importante se perguntar o que lhe prende no restante do ano Foto: acervo pessoal

A interrupção da música incomoda mais do que a dor do parto. O parto é sinal de continuidade, de que haverá futuro. O fim da música representa o fim do prazer, nada mais.

Nada pior do que estar no auge do regozijo, no quase orgasmo e a música parar de repente. Assim parece ser a quarta-feira de cinzas, esse dia emblemático já tão falado e cantado, mas jamais esgotado. Assim também parecem ser todas as segundas-feira. Assim parece ser o começo de qualquer coisa que nos tire do lugar em que estamos.

Não são todos que sofrem no domingo à noite, não são todos que antecipam a dor, não são todos que fazem disso um drama.

Muitos encaram com a sabedoria necessária à felicidade. Evocam Guimarães Rosa: “O correr da vida embrulha tudo. A vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem.”

Fim do Carnaval

Esse é um bom momento para ter coragem

Esse é um bom momento para ter coragemFoto: reprodução

O fato é que todos sentem as mudanças de fases e todos sentem o fim do Carnaval.

Ontem foi Quarta-feira de Cinzas, muitos ficaram numa cama agonizando uma ressaca física e emocional. Outros tantos já tiveram que reiniciar suas rotinas e sentiram no corpo a origem etimológica da palavra, do Latim (via) rupta, “(caminho) rompido, aberto à força”, de rumpere, “quebrar, romper”. Alguns continuaram a todo custo evitando a ruptura e esticaram o carnaval até onde foi possível, são escolhas.

Parece que o segredo é não fazer do Carnaval o sonho sonhado uma única vez ao ano, nem fazer da rotina uma dor desconforme, um caminho aberto à força. Se a segunda-feira está difícil demais, talvez seja um bom sinal para repensar a rota. Ter um caminho é importante, mas ele não deveria precisar de truculência para ser trilhado. Assim como, se o Carnaval é libertador demais, talvez seja importante se perguntar o que lhe prende no restante do ano.

Voltemos aos fatos, para quem o ano ainda não havia começado, não há mais onde se esconder, agora ele começou. Esse é um bom momento para ter coragem, tomar um banho gelado e curtir o café quente matinal da rotina. Afinal a música só cessa para quem não a escuta. Feliz Ano Novo de novo!


*As colunas assinadas não refletem, necessariamente, a opinião do NE10

Só a vida, não basta! Diego Garcez Diego Garcez é sobretudo poeta, mas encontrou na crônica uma forma de diálogo mais palatável para o mundo das pernas aceleradas. É formado em relações internacionais, empreendedor e entusiasta do Porto Digital, corredor nas horas vagas e pai em tempo absolutamente integral. Facebook: Diego Garcez | Instagram: @garcezdiego. diego.garcez1510@gmail.com

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