Questão de pele

Saiba mais sobre o herpes simples

Publicado em 24/10/2014, às 15h25 | Atualizado em 24/10/2014, às 15h39

Por Cláudia Magalhães

Doença é recidivante e ainda não tem cura, mas pode ser controlada / Foto: divulgação

Doença é recidivante e ainda não tem cura, mas pode ser controlada Foto: divulgação

O herpes simples é uma patologia dermatológica de origem viral que afeta especialmente a região dos lábios, como também pode atingir a região genital. Ele se caracteriza por lesões vesiculosas agrupadas que surgem, muitas vezes associadas com a sensação de ardor e desconforto em diferentes níveis na área acometida; dura em média alguns poucos dias e geralmente evolui para uma cura espontânea, sem deixar nenhuma cicatriz.

No passado, havia a subdivisão dos vírus em tipo 1 e tipo 2, sendo o tipo 1 para a região labial e o tipo 2, para a região genital. Com a mudança dos hábitos sexuais há vários anos, ambos os tipos virais 1 e 2 podem estar presentes nas áreas dos lábios ou nos genitais.

Em média, 99% da população na sua vida adulta já teve contato ou contágio com o vírus do herpes simples em algum momento da vida. Todos estes pacientes têm sorologia positiva - com IgG positivo, que representa apenas uma cicatriz sorológica. Desta população que já teve contato com o herpes vírus, apenas 30% deles apresentarão a lesão ativa da doença em algum momento das suas vidas. Na maioria destas pessoas, a lesão se tornará recorrente ou recidivante. Sendo assim, é exatamente estes pacientes que necessitarão de um tratamento e do acompanhamento dermatológico.

Neste parte, vale a pena salientar que o contágio com o vírus pode se dar através do beijo, como também através de copos e outras louças usadas por alguém com uma lesão ativa - com as vesículas. Somente nesta fase, a doença é contagiosa, não apresentando qualquer risco de contágio, quando a lesão já se encontra em processo de cicatrização.

Em relação ao tratamento, numa primeira crise é fundamental o uso dos antivirais por via oral. Para os quadros recidivantes, apenas está indicado o uso destes antivirais sistêmicos, nos quadros com lesões grandes e com muitos sintomas. Para aqueles outros casos que apresentem as lesões frequentemente com recidivas, o uso de um antiviral por via oral deve ser considerado em baixas doses, inclusive por períodos prolongados.

Outras terapias coadjuvantes podem ser indicadas principalmente para diminuir a frequência das recidivas. O aminoácido L-Lisina e também os probióticos, como por exemplo, o Inneov Solar (L'Oréal & Nestlé) podem ser indicados a fim de diminuir a frequência destas recidivas, bem como a intensidade das crises. O uso dos antivirais tópicos em cremes, vão proporcionar bem estar e facilitar a cicatrização das lesões.

O uso dos protetores solares na pele e também nos lábios é muito importante para a prevenção do aparecimento da recidiva das lesões. No verão, com a maior incidência das radiações ultravioletas, assim como com a maior exposição das pessoas ao sol, a melhor forma de prevenir as incômodas lesões do herpes simples é fazer uma sistemática e vigorosa proteção solar, com o uso dos filtros solares com alto FPS (Fator de Proteção Solar), além do uso de chapéus e roupas que auxiliem nessa proteção!

Outros fatores como o estresse emocional estão também envolvidos no aparecimento das lesões recidivantes. No entanto, o estresse não deve ser visto como uma causa isolada e outras doenças orgânicas podem facilitar o aparecimento destas lesões.

Em conclusão, o herpes simples é uma doença recidivante que ainda não tem cura, mas que pode ter controle. Assim, podemos proporcionar uma melhor qualidade de vida para as pessoas que são afetadas. Portanto, se você tem herpes simples, a melhor conduta é procurar um dermatologista capacitado a conduzir o tratamento e a investigação das suas causas, da forma mais adequada possível!!!

*As colunas assinadas não refletem, necessariamente, a opinião do NE10

Questão de pele Cláudia Magalhães Formada pela Unicamp, onde fez residência médica, é especialista em dermatologia pela Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD). É membro efetivo da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica (SBCD) e Fellow da Sociedade Americana de Dermatologia (AAD) e da Sociedade Americana de Laser (ASMLS). recepcao.claudiamagalhaes@gmail.com

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