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Questão de pele

O câncer de pele merece sua atenção!

Publicado em 04/12/2016, às 11h40 | Atualizado em 05/12/2016, às 11h43

Por Cláudia Magalhães

O Sol das 10h às 16h é extremamente prejudicial à pele, mas o Sol das 5h até 10h também é lesivo. / Foto:

O Sol das 10h às 16h é extremamente prejudicial à pele, mas o Sol das 5h até 10h também é lesivo. Foto:

A nova estação Primavera-Verão já chegou com tudo neste final do ano 2016 e dias bastante ensolarados e quentes têm sido cada vez mais frequentes. Para uma grande maioria de pessoas, tomar Sol traz uma sensação de enorme bem-estar e, além disso, o conceito de que a pele bronzeada parece dar um aspecto mais saudável, ainda é muito aceito por muita gente. Por estes motivos, as pessoas acabam se esquecendo de seguir algumas regras simples para evitar problemas de saúde no futuro. Um problema que merece ser destacado é o câncer da pele.

Para facilitar o entendimento, segue aqui a descrição dos tipos mais comuns do câncer de pele. O mais comum e felizmente também, o menos agressivo é o Carcinoma Basocelular, que corresponde a 70% dos casos e atinge com maior frequência, as pessoas que tomam muito Sol sem proteção, ao longo de toda as suas vidas. São encontrados frequentemente nas partes do corpo que ficam mais expostas ao Sol, tais como o rosto, o pescoço e o colo. A evolução desse tipo de câncer é, em geral, mais lenta e a predisposição de invasão (metástase) para outros órgãos é extremamente rara. Quando o tumor é retirado precocemente, as chances de cura são muito altas.

Correspondendo a 25% dos casos, está o segundo tipo mais comum - o Carcinoma Espinocelular ou Epidermóide. Comumente, o Carcinoma Espinocelular aparece nas áreas mais expostas ao Sol, como o couro cabeludo e as orelhas, sendo mais predominante nos pacientes a partir da sexta ou sétima décadas de vida. Este tipo de câncer se forma a partir das células epiteliais (ou células escamosas) e do tegumento (todas as camadas da pele, mucosa e submucosa, como os lábios). Ocorre em todas as etnias (cores de pele) e tem uma maior frequência, no sexo masculino. Sua evolução é mais agressiva e assim, pode atingir outros órgãos, caso não seja retirado com certa rapidez – ele apresenta maior capacidade de metástase do que o Carcinoma Basocelular.

O terceiro tipo a ser destacado é o Melanoma Maligno, detectado em cerca de 4% dos pacientes. O fator genético neste caso é muito importante, considerando que é comum encontrarmos o histórico da lesão, em outros membros da família. O melanoma é um tumor maligno originário dos melanócitos (células que produzem pigmento) e desta maneira, pode ocorrer em diferentes pontos da pele, mas também ocorre nos olhos, no trato gastrointestinal, nos genitais, dentre outras localizações. Considerado um dos tumores mais perigosos, o Melanoma tem a capacidade de invadir qualquer órgão, criando metástases inclusive no cérebro e nos pulmões. Portanto, é um câncer com grande letalidade. O Melanoma Cutâneo tem incidência bem inferior aos outros tipos de câncer de pele, mas sua incidência está aumentando no mundo inteiro. O Melanoma tem mais relação com as grandes exposições solares ocasionais ao longo da vida.

Após esta breve descrição sobre os tipos de câncer de pele, devemos chamar a atenção para o fato de que o Sol, principal fator relacionado com a doença, é cumulativo, ou seja, as exposições solares vão se acumulando desde a infância e não apenas é valorizada aquela do último Verão. Pesquisas indicam que a exposição excessiva durante os primeiros 10 a 20 anos de vida, aumenta muito o risco de câncer de pele. Por isso mesmo, é fundamental conhecer o seu tipo de pele e proteger-se sempre do Sol.

Pessoas que tomam Sol, ficam vermelhas e nunca se bronzeiam, devem tomar muito mais cuidado e utilizar no mínimo, filtros solares com FPS 50. Indivíduos ruivos, sardentos e de pele clara são os mais predispostos a ter um dos tipos de câncer de pele. Em contrapartida, a doença é raramente encontrada entre os negros. As peles mais escuras possuem uma proteção “natural” aos raios solares. No entanto, apesar disso, ninguém deve se descuidar e não aderir às diferentes maneiras de foto-proteção solar.

É preciso ficar atento aos horários. O Sol das 10h às 16h é extremamente prejudicial à pele, mas o Sol das 5h até 10h também é lesivo para a pele, contrariando aquele MITO de que, este Sol da manhã bem cedo seria saudável. Podemos afirmar que, não existe Sol saudável para a pele! Além dos protetores solares com altos FPS (Fator de Proteção Solar), é preciso ainda, não esquecer de itens como o chapéu, as roupas com proteção UV, os óculos escuros e o guarda-sol, quando se vai à praia ou piscina.

É fundamental destacarmos que a maioria dos casos de câncer de pele podem ser evitados com medidas simples de foto-proteção adotadas no nosso dia-a-dia. Durante as atividades rotineiras, tais como, locomoção a pé, no carro ou no transporte coletivo; nas atividades de exercícios ao ar livre em escolas ou em outros locais e especialmente, trabalhadores de ruas ou outras atividades ao ar livre, existe muita exposição solar, mesmo nos dias mais nublados. Para muitas pessoas, essa exposição é provavelmente, muito mais danosa à saúde da pele, do que as exposições intencionais, onde existirá a utilização das diferentes formas de proteção ao Sol.

Ressaltamos ainda que, examinar sua pele periodicamente é uma maneira simples e fácil de detectar precocemente o câncer de pele. Com a ajuda de um espelho, você pode enxergar áreas que raramente consegue visualizar como por exemplo, atrás das orelhas, a sola dos pés, as costas e as axilas. Procure observar se há manchas que coçam, descamam ou sangram. Procure também por pintas que mudaram de tamanho, forma ou cor. Perceba se existem feridas que não cicatrizam, há pelo menos quatro semanas. 

É extremamente importante que você observe se há algum desses sinais ou sintomas desde a planta dos pés até o couro cabeludo. Se você perceber alguma alteração, o melhor a fazer é agendar uma consulta com um dermatologista, o mais breve que lhe for possível.

*As colunas assinadas não refletem, necessariamente, a opinião do NE10

Questão de pele Cláudia Magalhães Formada pela Unicamp, onde fez residência médica, é especialista em dermatologia pela Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD). É membro efetivo da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica (SBCD) e Fellow da Sociedade Americana de Dermatologia (AAD) e da Sociedade Americana de Laser (ASMLS). recepcao.claudiamagalhaes@gmail.com

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