O amor que guardei para mim

Você não pode abraçar o mundo

Publicado em 03/05/2018, às 18h57 | Atualizado em 03/05/2018, às 19h33

Por Malu Silveira

Existem as pessoas que não se importam com o problema alheio e aqueles que teimam em ajudar. / Foto: Pixabay

Existem as pessoas que não se importam com o problema alheio e aqueles que teimam em ajudar. Foto: Pixabay

Se você fosse dividir as pessoas em grupos, obviamente seria impossível classificá-las em poucos times. Somos tantos, né? Variados tamanhos, etnias, cores e até valores. Pensamos de formas tão diferentes. Por isso há tanta briga - nos dias de hoje principalmente no Facebook. Mas eu arrisco dizer, depois de tantos atropelos, que, sim, existe uma seara dessa vida em que é possível enxergar uma linha que divide duas categorias: aqueles que preferem não se exaurir com problemas que não lhe dizem respeito e os que teimam em querer resolver as questões do próximo.

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Creio que os primeiros preferem não se abater com as adversidades alheias porque já vivem com tantos quebra-cabeças próprios a serem resolvidos. Dessa forma, por mais que se compadeçam, parece não haver sentido em acumular mais desafios à rotina. Tem lógica! De uma perspectiva menos otimista, eu interpretaria que alguns, na verdade, não se importam. Mesmo, mesmíssimo. Assim, no superlativo. Não se importam porque não têm empatia. E seguem com suas vidas. Também faz sentido! Por mais que tenhamos uma compreensão empática não nos cabe julgar aqueles que não se afetam com as agruras do próximo.

A solução para a paz mundial provavelmente estaria na segunda categoria de pessoas. Aquelas que se envolvem, indireta ou diretamente, com os pesares alheios. Ah! Parafraseando Caetano, só quem se importa com o próximo sabe a dor e a delícia que é querer resolver os problemas daqueles que se ama imensamente - e até daqueles que nem ao menos se conhece para que exista uma conexão afetiva. Esses gostam de ajudar - mesmo que às vezes metam os pés pelas mãos. Se sentem importantes - algumas vezes por ego, outras tantas por puro altruísmo - em fazer parte da felicidade de quem já chorou um dia.

 Olhe bem ao seu redor… você distinguirá facilmente essas pessoas. Na verdade, arrisco, mais uma vez, dizer que você inclusive já fez uma rápida autoanálise e se juntou a algum dos dois grupos. Se você está no primeiro time, tudo bem. Há quem não apiede-se pelas pessoas, mas ame os animais. Ou que não se importe com problemas humanos, mas cuide das plantas. E há ainda aqueles que não se importam nem com os humanos, muito menos com os animais e as plantas, mas faz de tudo para não poluir o ar, por exemplo. Tudo bem! Não é meu papel te reprimir por algum traço da sua personalidade., por mais que eu queira, com minhas palavras, propor reflexões que considero positivas naqueles que aparecem por aqui. o/

O meu recado, dessa vez, vai para os que, assim como eu, não podem ver um problema do outro que já quer resolver. E aí, nessa aflição de querer ajudar quem lhe chora as pitangas, não consegue dar conta. Esse é um aviso para quem não sossega enquanto não soluciona as demandas de outrem - simplesmente porque não se sente bem se todos não estiverem com um sorriso de uma ponta à outra - e se estabaca mais na frente.

O alerta vai para os que teimam em aparar as arestas do próximo e, no fim do dia, se sentem esfalfados como se tivessem corrido, no mínimo, umas três maratonas. Talvez esse seja um sinal de que estejamos ultrapassando limites - dos outros e até de nós mesmos. Isso quer dizer que, nessa corrida insana para tentar ajudar quem precisa (de acordo com nossa régua), haverá os que não entenderão as intenções - porque não querem ou simplesmente porque não precisam. Há tantos motivos. Mais uma vez: somos tantos, né?

Por tudo isso - e mais um pouco - eu queria dizer que não há nada de errado em sair de cena quando você perceber que não há mais como ajudar. Quando o ambiente não é propício, quando o momento não é oportuno ou quando a pessoa já não quer mais sua interferência. Por mais lindas que sejam suas intenções, talvez seja a hora de entender: você não pode (e nem precisa) abraçar o mundo.

* Você sabia que o meu blog, que leva o mesmo nome desta coluna, vai virar livro? Isto mesmo! Em maio, lanço o meu primeiro livro. Fruto de dois anos de uma parceria maravilhosa aqui no NE10. Em Tudo passa, esse amor vai passar também, o leitor poderá conferir 20 crônicas - dez publicadas no portal e dez textos inéditos. Quer saber mais? Procura a coluna no instagram: @oamorqueguardeiparamim

*As colunas assinadas não refletem, necessariamente, a opinião do NE10

O amor que guardei para mim Malu Silveira é jornalista. Uma garota de palavras e que adora frases de efeito. Escreve para tentar entender a vida e esse tal do amor. Outros textos em www.oamorqueguardeiparamim.com.br. maluspmelo@gmail.com

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