O amor que guardei para mim

Cuidado com quem você gasta a sua cota de ‘textão’

Publicado em 08/02/2018, às 17h50 | Atualizado em 08/02/2018, às 18h05

Por Malu Silveira

Insistir em certas relações é que nem ficar forçando a corda. Uma hora ela arrebenta  / Foto: Pixabay

Insistir em certas relações é que nem ficar forçando a corda. Uma hora ela arrebenta Foto: Pixabay

Hoje já é quase véspera de Carnaval, então, nem se preocupem, não vou tomar muito dos nossos tempos. Pois claramente, enquanto eu estaria aqui, queimando todos os meus neurônios em busca das frases perfeitas, muito provavelmente você estaria pensando no preço da Skol latão. Tudo bem, eu te entendo perfeitamente. Relaxa, estamos eu e tu na mesma situação!

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Precisava, no entanto, compartilhar com vocês urgentemente mais uma sabedoria da minha mãe. Se eu deixar passar, talvez a rotina mais uma vez me faça esquecer as grandes reflexões que nossas mainhas nos proporcionam. Segura aí a pressão.

Ao perceber que eu estava no meio de uma discussão com amigas, tentou acompanhar o buruçu. A cada cinco minutos espiava pela porta do quarto para saber se havia alguma atualização do verdadeiro ‘randevú’ que havia se instaurado. E em cada nova espiada, ela me aconselhava: “Malu, não estenda muito essa discussão não”. E eu, imatura que sou, continuava usando todo o meu latim naquele desentendimento que parecia interminável.

Depois daqueles 323 anos, ao se dar conta que finalmente eu havia me aquietado, ela volta e pergunta: “e aí, em que terminou?”. Eu, toda orgulhosa, mostrei a tela do celular e a deixei conferir aquele textão enviado. Uma longa mensagem meticulosamente elaborada, com argumentos talvez capazes de acabar com a guerra mundial.

- Minha filha, não perca tempo com textão não…

- Mas, mainha, é claro que eu vou escrever um textão. EU preciso, preciso demais dizer o que sinto!

- Acabe com isso de querer falar demais. Às vezes, são apenas palavras. Enquanto você argumenta bastante de um lado, a outra pessoa só vai pensar em rebater tudo o que você expressou. E, no fim, ninguém realmente lê o que o outro escreveu.

Ali eu fiquei sem resposta. Por mais algum tempo ela me explicou que, além de ser muito melhor nos preservar em certos momentos, tem gente que não se importa nem um pouco com nossas palavras. Então pra que esgotar nossas justificativas? É desse jeitinho mesmo, sem tirar nem por.

Então fica a lição para esse e os próximos Carnavais: tenha cuidado com quem você gasta sua cota de textão. Insistir em certas relações é que nem ficar forçando a corda. Uma hora ela arrebenta.


*As colunas assinadas não refletem, necessariamente, a opinião do NE10

O amor que guardei para mim Malu Silveira é jornalista. Uma garota de palavras e que adora frases de efeito. Escreve para tentar entender a vida e esse tal do amor. Outros textos em www.oamorqueguardeiparamim.com.br. maluspmelo@gmail.com

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