O amor que guardei para mim

Melhor ser quente ou frio, morno jamais

Publicado em 02/03/2017, às 08h00 | Atualizado em 07/03/2017, às 16h41

Por Malu Silveira

Ser intenso é prejuízo, dizem por aí. Não é descolado, nem muito menos atraente e causa até gastrite / Foto: Pixabay

Ser intenso é prejuízo, dizem por aí. Não é descolado, nem muito menos atraente e causa até gastrite Foto: Pixabay

'Sabe qual é o seu problema? Não me leve a mal. É que você é intensa demais', escutei um dia desses. Talvez seja esse o problema de tantas pessoas, admito. Não saber o que é o meio termo para tantos dilemas na vida. Se entregar por inteiro ou não se abrir de forma alguma. Não querer nada de pouco, sempre de muito. E quando não quer, não quer de jeito nenhum. Sentir a alegria que quase beira a euforia e amargar o fundo do poço dos mais profundos. Não ter opinião formada sobre tudo ou defender ao extremo seus princípios. Mas nunca ficar em cima do muro. 

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Talvez seja essa a mancada de muita gente, pensei. Não saber ser pequeno. Querer ser grande, sempre muito maior. Aquele tipo de pessoa que é sim ou não: nunca talvez. Gente que odeia conversas triviais que não passam de cumprimentos desinteressados. Gente que gosta de textão, um papo mais interessante, arraigado mesmo. Que bate bem lá no íntimo. Que só sabe chorar de muito ou não consegue derramar uma lágrima que seja. Ah! pensei naquela hora, talvez seja esse o inconveniente de muita gente: se importar demais.



Apesar do impacto inicial com a crítica, lembrei de momentos anteriores que já haviam me 'diagnosticado' com esse infortúnio. Como se os intensos demais fossem afrontas a uma sociedade milimetricamente ajustada. Colocados num cantinho qualquer, totalmente excluídos, pagando o castigo por serem too much para um mundinho bom demais para ser descontrolado. 

Ser intenso é prejuízo, dizem por aí. Não é descolado, nem muito menos atraente. Faz mal, causa até gastrite, acredita? É melhor ser desapegado do que estar sempre por perto. O elegante é guardar tudo que se tem para dizer, pecar pela falta do que investir no excesso. Menos é mais.

Não há como não se sentir estranho no ninho...

... alguns decidem reprimir os sentimentos, outros optam por subir no muro de vez. Com a maturidade, outros aprendem a medir a dose e tentam não transbordar o copo, num malabarismo eterno em busca do equilíbrio. Muitos inclusive entendem a danada da fórmula perfeita para controlar os impulsos e compreendem que ser intenso não necessariamente é um defeito, afinal... Melhor ser quente ou frio, morno jamais! :)

*As colunas assinadas não refletem, necessariamente, a opinião do NE10

O amor que guardei para mim Malu Silveira é jornalista. Uma garota de palavras e que adora frases de efeito. Escreve para tentar entender a vida e esse tal do amor. Outros textos em www.oamorqueguardeiparamim.com.br. maluspmelo@gmail.com

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  • De: ASM- 05/03/2017 18:22 O melhor é ser os três, na medida em que se importa com as medidas alheias.
  • De: Priscila D'arc - 02/03/2017 11:10 Muito bom o texto. Eu sei que a moda é ser blazé, mas eu agradeço a Deus todo dia por too esse mar de intensidade que habita em mim. Como sempre, o texto está infinitamente completo, bom e interestelar. MÁGICO!
  • De: marcoantoniosantos- 02/03/2017 11:08 Eu pensei que ainda tava bêbado quando li esse texto. Quando terminei eu tive certeza. Viva quinta de cinzaz!
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