Adolescência: o prazer da descoberta, paixão, amor e... sexo?

Publicado em 13/09/2012, às 08h07 | Atualizado em 21/07/2014, às 13h10

Por Silvana Melo

Os  hormônios estão a todo vapor! De repente, grandes mudanças acontecem: na menina, os seios crescem, a cintura afina, os quadris alargam, os pelos aparecem nas axilas e ao redor da  vulva, surgem as famosas espinhas e a primeira menstruação (conhecida como menarca). No menino, os ombros e peito alargam-se, músculos desenvolvem-se, pelos crescem ao redor do pênis, nas axilas, no peito, nos braços e nas pernas; a voz engrossa, o pênis fica mais longo e mais grosso, surgem as espinhas, poluções noturnas e ejaculações começam a ocorrer.  Tudo isso por causa dos tais hormônios. Na menina, os grandes responsáveis são o estrógeno e a progesterona. No menino, a testosterona.

As mudanças, no entanto, não ocorrem apenas a nível físico; os hormônios também mexem com o emocional do adolescente e, consequentemente, com o seu comportamento: uma hora está para cima, "numa boa", logo depois pode estar lá para baixo, péssimo, "na pior".
 
Na verdade, a adolescência é uma fase de transição onde as dúvidas, incertezas e grandes descobertas acontecem: a emoção do primeiro beijo, a primeira paixão, o primeiro amor ...  Nesse  momento, também ocorre a descoberta do prazer sexual devido ao surgimento da libido (desejo). Com isso, se intensifica a masturbação (principalmente nos meninos) e, atualmente, com bastante frequência, as primeiras relções sexuais. Mas será que o adolescente está de fato preparado para ter sua  primeira relação? 

A insegurança, a desinformação sexual generalizada, a pouca maturidade, a mídia e a influência do grupo de amigos formam o grande cenário para uma iniciação sexual precoce. Há uma forte tendência entre os adolescentes em incorporar o comportamento do grupo para se sentir aceito; além do mais, a mídia transmite a ideia de que todo mundo está praticando sexo. O fato é que a deseducação sexual persiste. 

Muitas mudanças ocorreram nessas últimas décadas. Saímos de uma repressão para uma liberação sexual quase que total. O sexo antes proibido agora é exigido e, muitas vezes, até banalizado. Mas a deseducação sexual continua. E a falta de diálogo com os pais também. As principais consequencias de tudo isso são as doenças sexualmente transmissíveis (principalmente a Aids) e a gravidez precoce.

Então, o que fazer para reverter esse quadro e  ajudar o adolescente a viver sua sexualidade de uma forma saudável e responsável? Educação sexual é a resposta. Na verdade, essa educação (ou reeducação, melhor dizendo) deveria ser feita junto aos pais, professoes e profissionais da área de saúde, para que esses tenham conceitos e preconceitos revistos e solucionados. É  importante não repassar para essa nova geração idéias distorcidas e/ou errôneas. Repassar, sim, a ideia de que sexo é algo natural e pode ser uma expressão de amor, de prazer, mas também exige maturidade física, emocional e responsabilidade.

Uma boa educação sexual, assim como uma boa relação com os pais onde prevaleçam o diálogo, o amor e o respeito, é fundamental para que o adolescente se torne capaz de ir assumindo, aos poucos, a responsabilidade de todas as suas escolhas na vida como um todo, inclusive na vida sexual.
 
Então,  MUITO PRAZER pra vocês... e com muita responsabilidade!

*As colunas assinadas não refletem, necessariamente, a opinião do NE10

PALAVRAS-CHAVE: sexo

Muito prazer Silvana Melo é sexóloga, educadora sexual e delegada da Sbrash (Sociedade Brasileira de Sexualidade Humana) desde 1999. Com formação em Hipnoterapia Ericksoniana. silvanamelo@uol.com.br

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