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Pernambuco - 20.04.14 - Atualizado às 05h30

Muito prazer

Onde está o prazer no sexo de hoje?

Publicado em 31.12.2013, às 17h33


Por Silvana Melo

É noite num badalado point da cidade. Olhares se cruzam, sorrisos, dança, beijos,"amassos", sexo e... prazer? O que dizer, então, da sensação de vazio referida por tantos que vivenciam a experiência do sexo sem afeto? Da vontade de sair de junto dele(a) logo após o orgasmo? Daquele sentimento de estranheza que muitas vezes invade o peito ao se perceber ao lado de alguém tão desconhecido numa situação de tanta intimidade como é o sexo?

Durante a repressão sexual, amor e sexo não caminhavam juntos. Nos anos 60, surgiu a tão falada revolução sexual e o mesmo passou a ser liberado. A "moda" era não se reprimir. Quanto mais "experiências" sexuais, melhor. O que interessava era a quantidade das relações. E o sexo continua desvinculado do amor... Hoje estamos vivendo a era da aids, do sexo virtual, do sexo casual, dos aplicativos que desumanizam e transformam pessoas em objetos como se estivessem expostos em prateleiras para serem "escolhidas" com o intuito de vivenciarem encontros sexuais sem compromisso ou para receberem notas e comentários, que funcionam como verdadeiras etiquetas afixadas nos seus respectivos "produtos".

Infelizmente, a banalização do mesmo é uma realidade. A preocupação com o desempenho é grande e as pessoas buscam desesperadamente ser e provar que são "boas de cama". E, para isso, contam com mais tantos outros aplicativos que prometem não só monitorar, como também melhorar a performance sexual. Mas o que é ter uma excelente performance e ser "bom de cama"? É sempre ter orgasmos múltiplos? É nunca ter tido uma falha na ereção? Ou é estar inteiro(a) na relação sentindo a plenitude do prazer e do amor?

Infelizmente ainda está registrado no inconsciente de muitos que sexo e amor não combinam. Diante de tudo isso, como fica o afeto, o carinho e o amor no sexo? O medo da entrega é frequente. Devido a traumas passados, muitas pessoas têm medo de se apaixonar, amar e sofrer, desenvolvendo, dessa forma, o medo da intimidade com o outro. Então, muitas vezes se escondem atrás das diversas tecnologias disponíveis e buscam relações sexuais desvinculadas do amor. Outro aspecto a ser ressaltado é que, de modo geral, as pessoas ainda limitam (apesar de tantas informações) o prazer sexual aos órgãos genitais, esquecendo de descobrir e se deixar descobrir pelo toque suave e sensual no corpo inteiro. Isso acontece devido à herança deixada pela repressão sexual, onde o sexo era  permitido apenas para procriar. Daí a visão genitalizada do mesmo.

Sabemos que sexo é um instinto e, como tal, pode até mesmo ser praticado pelo prazer efêmero. No entanto o mesmo assume um prazer que transcende o corpo e chega até o coração e a alma quando é vivido com afeto e com amor. Cabe a cada um descobrir e decidir o que deseja para si. O ser humano muito tem a aprender a respeito de sua própria sexualidade para ter uma vida sexual saudável e prazerosa. Deixar desabrochar o amor que tem dentro de si, estar inteiro(a) na relação, conhecer o próprio corpo, suas sensações e desejos, assim como os do(a) parceiro(a), é um excelente caminho. Quando o sexo é vivenciado num clima de amor, a sensação de plenitude e de prazer se perpetua mesmo após o orgasmo. Pois, nesse momento de entrega profunda, o clímax tende a ser mais grandioso. Acredite! E... muito mais  prazer para vocês!

*As colunas assinadas não refletem, necessariamente, a opinião do NE10

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Perfil

SILVANA MELO é sexóloga, educadora sexual e delegada da Sbrash (Sociedade Brasileira de Sexualidade Humana) desde 1999. Com formação em Hipnoterapia Ericksoniana E-mail: silvanamelo@uol.com.br



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