NE10
Recife - 21.04.14

Lapada

Headbangers da porteira

Publicado em 24.04.2009, às 01h14

Comitiva do Rock: muito além dos mullets e das calças apertadas
Comitiva do Rock: muito além dos mullets e das calças apertadas
Foto: Divulgação

Em 1899, o diretor do Departamento de Patentes dos States, Charles Duell,  saiu-se com essa pérola: “Tudo que podia ser inventado já o foi”. O cidadão deve estar até hoje se remexendo no túmulo após dizer a maior baboseira de todos os tempos. No heavy metal, a gente às vezes se pega com essa mesma sensação. Que nada mais é novidade.

Também pudera: misturaram com o punk, saiu a NWOBHM. Mesclaram com o hardcore, saiu o thrash. Aceleraram o thrash, virou death. Pegaram o HC, o thrash e o death, deram um gás, saiu o grindcore. Misturaram com funk e com bermudas, saiu o funk metal. Pegaram o funk metal, botaram o rap e um cara vestido de Adidas, deu no nu metal. Botaram umas minas bonitas com voz de fada, virou gothic metal. Pegaram o death, acrescentaram o Iron Maiden e mudaram o lugar de nascimento para Gotemburgo, apareceu o death melódico.

Quando a gente está quase dizendo uma frase similar à que o tal americano disse em 1899, aparece o Comitiva do Rock com uma mistura de metal com sertanejo (!). Bem, misturar metal com country não é lá a maior novidade do mundo. Aqui mesmo no Brasil, tem o Matanza, mesmo que com uma pegada mais HC. Jeff Walker, do Carcass e do Brujeria, lançou há alguns anos um disco interessante, uma podreira country-metal. Há ainda o Dezperadoz com seu western metal. Mas, com sertanejo, juro que nunca ouvi falar.

O lance funciona mais ou menos assim: os caras pegam um standard sertanejo, fazem uma paródia escatológica-sexista-escrota-tiração de onda e injetam peso na construção da versão. O que era um mela-cueca do tipo Entre tapas e beijos, vira um rockão instigado, chamado O Viagra é o segredo, com guitarras envenenadas a mil por hora. O porre Dormi na praça, de Bruno & Marrone, se transforma em Não foi de graça, a história das agruras que um caipira vive para sair com uma gatinha na Rua Augusta.

Os caras usam um figurino que mistura os dois lados da moeda. É corrente junto com chapéu de palha, mullets e chapéu de coubói  e aquelas fivelas de cinto do tamanho de um bandeja inox. Os nomes que usam são outra gréia: o vocal é Zezé Cavalera, os guitarras Hudson Vai e Ralf Wylde, o baixista (a cara do sujeito do Dr. Silvana & Cia) se chama Marrone Harris e o batera atende pela alcunha de Donizete McBrain. E como toda banda de metal que se preze, eles também têm o seu mascote. Não é assustador quanto Eddie ou Vic Rattlehead: é uma vaca leiteira!!!

Para quem quiser conhecer a tal mistura, basta acessar o mái ispêice dos caras: www.myspace.com/comitivadorockoficial. Lá tem uns clipes muito toscos – inclusive um que aparecem Bianca Soares, aquele traveco da Casa dos Artistas, e o sósia de Ronaldo Fenômeno.

A volta do Black Sabbath
Heaven & Hell – The Devil You Know - 10

O Black Sabbath está de volta. Não importa que, por força contratual e frescuras da dupla Sharon/Ozzy Osbourne, o quarteto Ronnie James Dio, Tony Iommi, Geezer Butler e Vinnie Apice tenha que usar o nome Heaven & Hell – título do excelente disco de 1980, quando o baixinho vocalista ex-Rainbow entrou na banda. Porque quem ouve esse The Devil You Know está simplesmente diante de uma obra-prima dos inventores do heavy metal.

O disco, que será lançado ainda este mês, é um aula de metal, lecionada por pelos menos dois sujeitos – Iommi e Butler – que estão presentes na gênese do subgênero mais polêmico do rock. E os cidadãos não esqueceram como se faz. Desde 1995, o Black Sabbath não lançava um álbum inteiro de inéditas. Culpa do vaivém de Ozzy e Bill Ward, o baterista original, que, por um motivo ou outro, não demonstraram interesse em voltar a formação original.

Azar o deles: The Devil You Know é o elo perdido entre os clássicos da banda nos anos 70 e os dias de hoje. Todas as características do som clássico do Black Sabbath estão presentes nesse novo álbum. Os climas carregados, as passagens arrastadas, os riffs ganchudos e sombrios e a cozinha precisa. A diferença – que me perdoem os fãs do Madman – quem faz é Dio. Sua performance deixa o queixo de qualquer um caído. Ainda mais levando-se em consideração a idade do rapaz, quase setentinha.

Antes de emitir a opinião que vou emitir agora, perguntei a alguns chegados o que tinham achado do álbum. E a resposta foi muito parecida com a minha: é como se o Black Sabbath tivesse gravado um disco dos anos 70 com Dio nos vocais. E, a grosso modo, é isso mesmo que emana dos falantes quando as dez canções são executadas. Estão aqui todos aqueles cacoetes que fizeram a alegria de meio mundo de gente e influenciou bandas tão distintas como Slayer, Candlemass, Metallica, Queens of the Stone Age, Type O Negative ou Faith No More.

É de bom tom elogiar o trabalho que o mestre dos riffs Tony Iommi fez neste disco. Ele deve ter na cachola um arsenal mortífero de bases e pôs o que estava no cérebro para fora. Ainda bem. Os acordes que guiam a música Fear, por exemplo, são matadores. Outras músicas de destaque são a faixa de abertura, Atom & Evil, - um doom metal de deixar Candlemass, Trouble e outros seguidores chorando de raiva -, Eating the Cannibals (assemelhada a TV Crimes, do Dehumanizer, de 1992, o último disco de Dio com a banda antes de mais uma separação, e uma linha de baixo fuderosa), Bible Black (uma das mais pesadas), Double the Pain (com uma levada mais animadinha e uma ótima performance de Dio e um solo magnífico) e Rock and Roll Angel (cujo início lembra o clima do Sabbath Bloody Sabbath).

Mal-acostumados que estamos no Recife depois de Iron Maiden e Motörhead, rolou um pouco de frustração por não podermos ver o Black Sabbath aqui, como chegou até a ser veiculado. Eles tocam no Rio e em São Paulo agora em maio. Quem tiver grana e gana, é uma ótima pedida. Candidatíssimo a disco do ano.

Fast as a shark
* Mais uma banda pernambucana fechando com a Insano Booking, produtora de shows que tem em seu casting gente como Torture Squad, Gama Bomb, Violator,  Fueled By Fire e Bonded By Blood. Depois de Decomposed God e Insurrection Down, é a vez dos grindcorers do Rabujos. “Já começamos a trabalhar. A prioridade é fechar o nosso disco, para depois ir atrás de turnês pela região e pelo Brasil. Em 2010, a Europa”, explica o vocalista Jacques Barcia.

* Mudanças na seletiva pernambucana para a Wacken Metal Battle. O concurso, que reúne Alkymenia, Oddium, Obscurity Tears, Caravellus e Infested Blood, acontecerá no Downtown Pub, no Recife Antigo, no dia 17 de maio, a partir das 18h. E vai rolar ainda show da Heaven & Hell Cover.

* Por falar em Heaven & Hell, altamente letal o comentário feito por Geezer Butler sobre o processo de composição de The Devil You Know à revista Decibel: “Se fosse com Ozzy, ainda estaríamos na primeira música”.

*As colunas assinadas não refletem, necessariamente, a opinião do JC ONLINE

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De: Emanuel- 24/04/2009 14:59

Muita onda o som desses caras do Comitiva do Rock. hahaha Quanto ao Heaven & Hell, para mim, é o Black Sabbath com o seu melhor vocalista. Ozzy e seus fãs que me perdoem, mas no Metal não tem ninguém que barre este senhor chamado Dio. E o novo álbum está MUITO BOM!

De: Augusto Ferrer- 24/04/2009 09:40

huahIAHOiahiHAI...boa essa de country metal, mas em matéria de comédia, na minha opinião, nada superou os italianos do NANOWAR (que como o nome já diz, escracham com o Manowar). Se não conhece, fica aí a dica. Grandes clássicos como "The number of the bitch"! Não vejo a hora de adiquirir esse album do Heaven and Hell!!

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Perfil

WILFRED GADÊLHA é vocalista do Cruor e editor-assistente das editorias de Brasil e Internacional do JC



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