
Sabe aquela sensação de Quarta-Feira de Cinzas? É mais ou menos assim que os headbangers pernambucanos estão se sentindo após o histórico show do Iron Maiden, na terça-feira 31 de março de 2009. Durante pelo menos um mês, a cidade respirou e exalou heavy metal. Bem, o show rolou, foi massa e o que acontece depois?
Vou me atrever a fazer alguns comentários e análises a respeito do que significou a apresentação da maior banda de metal do mundo no Jockey Clube de Pernambuco e tentar responder algumas das perguntas que me fizeram antes, durante e depois do show.
1. É claro que o show do Iron Maiden serviu para colocar a cidade no mapa das turnês internacionais. Uma banda desse porte não arrisca. Eles não têm mais por quê. São consagrados, estão ricos e não querem mais correr riscos. Portanto, podem crer que eles poderão sim voltar em 2011 ou depois.
2. Na minha opinião, o público não foi pequeno. Oficialmente, segundo a assessoria de imprensa do evento, havia 18 mil pessoas no hipódromo do Prado. Muitos fãs e amigos se – e me – questionaram: só? Bem, quem viu as imagens aéreas teve a impressão de que mais gente foi ver o show. Um major da PM falou em 30 mil. Eu também tive essa impressão ao ver as imagens de cima. Mas, de baixo, da pista premium, a impressão foi outra: a de que o Jockey estava vazio. Mas não estava. Porém, nunca é demais lembrar algumas coisas: o poder aquisitivo do nordestino é menor do que o do pessoal do Sudeste, no Rio de Janeiro teve o mesmo público e em Manaus foi até menor. Também não é difícil notar que o show foi numa terça-feira. Muita gente daqui e de fora não veio porque não podia.
3. O show serviu para quebrar uma porrada de preconceito e estereótipo. Violência? Nenhuma. Algazarra? Na-na-ni-na. Adoração ao demônio? Faz-me rir. Fanatismo? Sim, e dos bons – se é que isso existe.O bom comportamento dos metaleiros no show mostrou a meia dúzia de pessoas, que ainda insistem em uma ladainha preconceituosa digna de púlpitos conservadores, que somos tão seres humanos quanto o cara que vai ao show do Radiohead ou ao Festival de Verão. Para quem estava no Jockey, foi o show do século sim. São fãs querendo ver seus ídolos. Só isso. Ah: e um espertinho que andava fazendo a festa levando os celulares dos incautos foi dormir no Cotel.
Violência? Nenhuma. Algazarra? Na-na-ni-na. Adoração ao demônio? Faz-me rir. Fanatismo? Sim, e dos bons
4. Poderemos ter Metallica, ACDC, Red Hot Chilli Peppers, Rush e outras bandas cujos nomes foram citados na boataria que comeu no centro? Sim, por que não? O Jockey se mostrou um ótimo local para eventos. Claro que um ou outro ajuste precisará ser feito – a hora da saída foi um pandemônio, com apenas um portão. Muitos reclamaram da iluminação. E do preço do rango.
5. A imprensa de Pernambuco, dos mais gabaritados aos mais alternativos, vestiu a camisa do show, porque percebeu que ele podia ser, foi e será um divisor de águas no mercado de entretenimento do Estado. A quantidade de especiais, reportagens, chamadas e outros subgêneros jornalísticos a respeito do evento não está no gibi. Tô com pena de quem vai fazer o clipping.
6. Agora é hora de agradecer. Os leitores dessa coluna – se é que existem – devem ter notado que ela não foi atualizada na sexta-feira da semana passada, como é de praxe. Também pudera: entrei de cabeça na cobertura do Iron Maiden e o especial que o JC Online colocou no ar foi 90% de minha autoria. Então, já vai aqui um pedido de desculpas pela não publicação da Lapada e um agradecimento ao pessoal do JC Online que teve paciência e atenção com este metaleiro (quase) da terceira idade: Paula, Benira, Gus, Inês, Juliana, Sid e porventura quem eu esteja esquecendo. Também agradeço ao pessoal do Caderno C, que deu sangue pelo metal (rerererere): Marcelo, Toledo, Schneider, Carol, Flávia, Teles, Eugênia e Felipe. Minha chefe Fabiane Cavalcanti, que entendeu a minha angústia. Os parêias Novelino, Arnaldo, Chico e Severo. O pessoal da produção: Lula, Carioca, Mamberti, Iúri, Dani, Ana e Kennedy. Os colegas de outros veículos: Tarcísio, João, Thiago. Agora, é Motörhead!
Fast as a shark
* O maior festival do mundo volta a fazer sua seletiva pernambucana. A Wacken Metal Battle Pernambuco acontece no dia 30 de abril, ao que tudo indica no Downtown Pub. O cast é um pequeno best of do Estado. Vai ter death metal (Infested Blood), metal melódico (Caravellus), gothic metal (Obscurity Tears) e thrash (Odium e Alkymenia). É de se louvar o fato de duas das cinco bandas que vão competir seremdo interior: Alkymenia, de Caruaru, e Obscurity Tears, de Vitória de Santo Antão, que está trampando em seu segundo CD. Quem ganhar participa da final em São Paulo, que já levou para o Wacken na Alemanha bandas como Malefactor, Torture Squad e Threat.
* Insurrection Down, banda de Surubim que participa da coletânea Terra Batida (www.myspace.com/cdterrabatida), também acaba de fechar com a produtora Insano Booking, a mesma do Decomposed God e Torture Squad. Sinal de shows na Europa num futuro próximo.
* A banda goianense Processed volta à ativa depois de alguns meses e já trabalha na produção do seu segundo CD-demo. Quem qusier baixar o demo deles, tai o link – é de grátis: http://www.4shared.com/file/21976045/11ea6d33/processed.html .
* Dos States, o baterista pernambucano Belchior Neto (que tocou em bandas como Desordem e Regresso, Infected e Elisabetan Walpurga) avisa que o primeiro álbum de sua banda nova, Forevers Fallen Grace, sai no mês que vem.
Para esquecer Messiah de vez
Death Doom Magic – Candlemass - 10
Os suecos do Candlemass são uma verdadeira instituição do doom metal. O estilo, marcado por bases pesadíssimas, andamentos arrastados e uma gigantesca influência do Black Sabbath, foi inaugurado com um disco chamado Epicus Doomicus Metallicus, em 1986. Mas foi em 1987, com o Nightfall, que a banda sueca ganhou mais visibilidade, com a entrada do balofo Messiah Marcolin e sua voz inconfundível. Foram anos de sucesso e confusões. O vocalista parece não ser a pessoa mais fácil do mundo. Deixou o grupo, que não voltou a ter o mesmo status na cena. Mas, em 2005, Messiah voltou e gravou um disco antológico, quase no mesmo nível dos clássicos. Chegou, gravou, fez turnê e já caiu fora de novo. Depois de um bom tempo procurando um substituto, os caras chegaram ao americano Robert Lowe, frontman da banda Solitute Aeternus. O disco The king of Grey Islands, de 2007, marcou a estréia de Lowe e mostrou um Candlemass diferente, menos lúgubre, mas ainda assim muito bom.
Death Doom Magic, o novo disco do Candlemass, é simplesmente perfeito. Irretocável. Apresenta uma banda com um processo de transição completado. A voz de Lowe é muito diferente da de Messiah, o que, em outras bandas, se mostrou algo traumático para os fãs. Mas aqui não. O americano canta de forma menos empostada, mas orgânica e não menos emocionante. Ele tem vários momentos de brilho durante os 47 minutos de DDM. Sem defeitos.
Mas o que chama mais atenção é a disposição do Candlemass para tocar um pouco mais rápido. É como se eles pegassem seus velhos vinis e colocassem na rotação 45. Eles aceleraram o som e não se deram mal. Algo desse “novo” momento tinha sido antecipado no EP Lucifer Rising, na faixa-título. E continua aqui com a abertura If I Ever Die, onde as influências de Mercyful Fate aparecem aqui e alhures. Não que o doomzão clássico deles tenha desaparecido. Nada disso: Hammer of Doom, a segunda música, já meio que diz: “Olha nóis aqui tra veiz”.
Voltando a falar de Robert Lowe, são de se elogiar suas linhas vocais. Ele usou e abusou de vozes dobradas, o que deu mais pegada e emoção. É o caso da belíssima The Bleeding Baroness, que tem um dos melhores refrães que a banda cometeu nesse tempo todo de carreira. A sua interpretação em Demon of the Deep também é digna de aplausos – principalmente em uma ponte no meio da canção, onde ele detona com seu timbre agradável. Mas é em Dead Angel que o negócio extrapola: a banda inteira dá no couro, mas com um outro refrão simplesmente magnífico.
Eu talvez seja um dos maiores admiradores de Messiah Marcolin na face da terra, mas faço aqui duas afirmações:
1. O Candlemass está muito bem sem ele;
2. Death Magic Doom é o melhor disco do Candlemass.
*As colunas assinadas não refletem, necessariamente, a opinião do JC ONLINE
Sou fã de Doom Metal, mas Candlemass nunca foi das minhas bandas preferidas do gênero. Sei que eu curto muito mais Death/Doom e Funeral Doom do que o estilo do Candlemass e, que nessa linha, prefiro o Solitude Aeternus, mas o som dos suecos eu sempre achei apenas "legal". De qualquer forma, vou dar uma "chance" a este novo álbum.
Cobertura perfeita, parabéns!
Juquinha meu velho: Você fez um lindo trabalho de anunciação e cobertura do Maiden in Recife!!!! Eu acompanhei na internet/JC de papel e vc arrasou! Foi o melhor veículo de comunicação desse evento. Que venha o MATANZA/MOTORHEAD!!!
WILFRED GADÊLHA é vocalista do Cruor e editor-assistente das editorias de Brasil e Internacional do JC
Coisa de cinema: Santa Cruz conquista o bicampeonato pernambucano 2011-2012
