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I-Nove

Inovação e inspiração vindas da Alemanha

Publicado em 03.05.2010, às 19h50

Castelo de Neuschwanstein teria inspirado Walt Disney
Castelo de Neuschwanstein teria inspirado Walt Disney
Foto: Internet

Neste mês de abril, tive a oportunidade de participar da maior feira de máquinas e equipamentos do mundo, a Bauma, queacontece na cidade de Munique, na Alemanha, a cada três anos. Além disso, fui a um dos pontos turísticos mais visitados daquele país e que inspirou Walt Disney em suas criações. Assim, pensei em compartilhar com os leitores da coluna I-NOVE, do JC Online, as minhas impressões sobre essa experiência. Espero que este texto traga alguma inspiração também para vocês.

Quando alguém no Brasil pensa em Alemanha, algumas imagens vêm logo à mente: cerveja,  salsichas, loiras (ou loiros) dos olhos claros, Mercedes-benz, BMW e Audi. Bom, quero lhes dizer que isso tudo é verdade! Podemos ver tudo isso e muito mais em grande abundância. Mas, indo um pouco além do óbvio, a Alemanha é um país de incrível organização e beleza.

Sendo um país com forte propensão ao lado esquerdo do cérebro (lado do pensamento lógico, da matemática etc.) e tendo grande parte da sua economia baseada em engenharia com a produção de veículos, máquinas e equipamentos, não é de se admirar que praticamente tudo à nossa volta espelhe essa característica. Logo de início, se percebe esse traço na arquitetura, pois quase todos os edifícios são formados por linhas e ângulos retos! Justamente o contrário do nosso Oscar Niemayer (o qual certamente tem a minha preferência).

Como bons engenheiros, a disciplina também é uma grande característica do povo alemão. Um dia fui visitar um local turístico próximo à Munique com a ajuda de um guia local e fiquei impressionado com a incrível precisão no uso do tempo. O guia conseguiu conduzir um pequeno grupo durante cinco horas de passeio começando por uma ida com o metrô e a volta com um ônibus, ambos com horários fixos e sem quaisquer atrasos, com precisão de minutos. Nesse ponto, não farei paralelos com o nosso povo...

Na feira de Bauma, pude ver máquinas e equipamentos altamente inovadores. Um deles era um trator aparentemente como outro qualquer, mas que tinha tamanha precisão no uso de suas pás e garras que podia literalmente cortar um pão, passar manteiga, colocar uma salsicha no meio e passar mostarda, depois abrir uma garrafa de cerveja e servir ao público que assistia a tudo, boquiaberto. Tudo controlado remotamente pelo “tratorista”.

Outra máquina podia escalar uma muralha como se fosse uma aranha. Vi, ainda, um sistema informatizado que planejava toda a obra de uma estrada e acompanhava de forma remota dezenas de máquinas operando ao mesmo tempo com o uso de realidade virtual. Enfim, máquinas altamente especializadas para qualquer tipo de serviço por mais difícil que pudesse parecer. Qualquer um poderia claramente visualizar um tempo em que a robótica será capaz de assumir tarefas altamente complexas, realizando trabalhos que qualquer ser humano jamais imaginou.

Mas não é só de máquinas que vive a Alemanha. O turismo também tem um grande espaço por lá, apesar de não ser tão famoso quanto outras partes da Europa. Na Baviera, maior estado alemão, e a cerca de 100 Km de Munique, podemos encontrar o Castelo de Neuschwanstein (em alemão, "castelo novo cisne de pedra"), que em 2007 foi finalista para uma das maravilhas do mundo moderno.

Segundo conta-se, o castelo serviu de inspiração para Walt Disney na história da Cinderela e se tornou o símbolo dos próprios Estúdios Disney. De fato, ao conhecer o castelo e sua história, podem-se ver claramente as similaridades tanto estéticas quanto da própria história de Luis II, rei da Baviera, que construiu o castelo.

Walt Disney pode muito bem ter vislumbrado o mundo que o rei Luis II sonhou para ele.



No entanto o que mais me fascinou não foi a beleza do castelo ou sua fantástica similaridade com a Disney, mas a sua história. Construído no século 19, o castelo não passava de um sonho do rei Luis II que era apaixonado pela idade média (século 5 ao século 15), ou seja, pelo menos 400 anos de diferença. Como o rei Luis II queria viver em mundo de fantasia passado na Idade Média, então mandou construir o castelo.

Desses fatos, imagino que Walt Disney não só tenha se inspirado para desenhar o castelo para a história de Cinderela ou para o ícone de seu reino mágico que são objetos mais óbvios e palpáveis. Mas tive a nítida impressão de que ele também teria se inspirado para construir e popularizar o mundo da fantasia que é toda a filosofia dos Estudios Disney. Assim, Walt Disney pode muito bem ter vislumbrado o mundo que o rei Luis II sonhou para ele e que todos nós, nobres ou plebeus, temos um pouco dentro de nós um mundo de sonho e de magia.

A genialidade de Walt Disney pode não estar só no mundo abstrato da fantasia, mas na concretude da observância da vida real para criar “soluções” criativas reais para os “problemas” reais dos desejos humanos, tornando-se, assim, na minha opinião, um dos grandes inovadores de todos os tempos.

Espero que este texto tenha lhe ajudado a inspirar o seu lado esquedo do cérebro como o do povo alemão ou o lado direito do cérebro como o de Walt Disney. E, da próxima vez que planejar uma viagem à Europa, considere também a Alemanha. Boas idéias!

*As colunas assinadas não refletem, necessariamente, a opinião do JC ONLINE

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De: ALEMANHA- 15/06/2010 19:04

os Ingleses sabem que o parque induatrial Alemão está, no mínimo, 5 anos adintados em relação ao deles. Rômulo Queiroz usou os dois lados do cérebro ao escrever essa matéria. Até no snooker (sinuca) os Alemães estão na frente dos Ingleses, pois em apenas 5 minutos, vendem 5 mil ingressos para torneios em suas cidades. Parabéns Rômulo.

De: Teresa Sá Leitão- 18/05/2010 19:02

Verdadeira aula sobre a Alemanha. Parabéns ao autor...grande usuário do lado esquerdo do cérebro. Teresa Sá Leitão

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ROMULO QUEIROZ é economista pós-graduado pela Harvard University e especialista em estratégia e gestão da inovação



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