
Neste mês de abril, tive a oportunidade de participar da maior feira de máquinas e equipamentos do mundo, a Bauma, queacontece na cidade de Munique, na Alemanha, a cada três anos. Além disso, fui a um dos pontos turísticos mais visitados daquele país e que inspirou Walt Disney em suas criações. Assim, pensei em compartilhar com os leitores da coluna I-NOVE, do JC Online, as minhas impressões sobre essa experiência. Espero que este texto traga alguma inspiração também para vocês.
Quando alguém no Brasil pensa em Alemanha, algumas imagens vêm logo à mente: cerveja, salsichas, loiras (ou loiros) dos olhos claros, Mercedes-benz, BMW e Audi. Bom, quero lhes dizer que isso tudo é verdade! Podemos ver tudo isso e muito mais em grande abundância. Mas, indo um pouco além do óbvio, a Alemanha é um país de incrível organização e beleza.
Sendo um país com forte propensão ao lado esquerdo do cérebro (lado do pensamento lógico, da matemática etc.) e tendo grande parte da sua economia baseada em engenharia com a produção de veículos, máquinas e equipamentos, não é de se admirar que praticamente tudo à nossa volta espelhe essa característica. Logo de início, se percebe esse traço na arquitetura, pois quase todos os edifícios são formados por linhas e ângulos retos! Justamente o contrário do nosso Oscar Niemayer (o qual certamente tem a minha preferência).
Como bons engenheiros, a disciplina também é uma grande característica do povo alemão. Um dia fui visitar um local turístico próximo à Munique com a ajuda de um guia local e fiquei impressionado com a incrível precisão no uso do tempo. O guia conseguiu conduzir um pequeno grupo durante cinco horas de passeio começando por uma ida com o metrô e a volta com um ônibus, ambos com horários fixos e sem quaisquer atrasos, com precisão de minutos. Nesse ponto, não farei paralelos com o nosso povo...
Na feira de Bauma, pude ver máquinas e equipamentos altamente inovadores. Um deles era um trator aparentemente como outro qualquer, mas que tinha tamanha precisão no uso de suas pás e garras que podia literalmente cortar um pão, passar manteiga, colocar uma salsicha no meio e passar mostarda, depois abrir uma garrafa de cerveja e servir ao público que assistia a tudo, boquiaberto. Tudo controlado remotamente pelo “tratorista”.
Outra máquina podia escalar uma muralha como se fosse uma aranha. Vi, ainda, um sistema informatizado que planejava toda a obra de uma estrada e acompanhava de forma remota dezenas de máquinas operando ao mesmo tempo com o uso de realidade virtual. Enfim, máquinas altamente especializadas para qualquer tipo de serviço por mais difícil que pudesse parecer. Qualquer um poderia claramente visualizar um tempo em que a robótica será capaz de assumir tarefas altamente complexas, realizando trabalhos que qualquer ser humano jamais imaginou.
Mas não é só de máquinas que vive a Alemanha. O turismo também tem um grande espaço por lá, apesar de não ser tão famoso quanto outras partes da Europa. Na Baviera, maior estado alemão, e a cerca de 100 Km de Munique, podemos encontrar o Castelo de Neuschwanstein (em alemão, "castelo novo cisne de pedra"), que em 2007 foi finalista para uma das maravilhas do mundo moderno.
Segundo conta-se, o castelo serviu de inspiração para Walt Disney na história da Cinderela e se tornou o símbolo dos próprios Estúdios Disney. De fato, ao conhecer o castelo e sua história, podem-se ver claramente as similaridades tanto estéticas quanto da própria história de Luis II, rei da Baviera, que construiu o castelo.
Walt Disney pode muito bem ter vislumbrado o mundo que o rei Luis II sonhou para ele.
*As colunas assinadas não refletem, necessariamente, a opinião do JC ONLINE
os Ingleses sabem que o parque induatrial Alemão está, no mínimo, 5 anos adintados em relação ao deles. Rômulo Queiroz usou os dois lados do cérebro ao escrever essa matéria. Até no snooker (sinuca) os Alemães estão na frente dos Ingleses, pois em apenas 5 minutos, vendem 5 mil ingressos para torneios em suas cidades. Parabéns Rômulo.
Verdadeira aula sobre a Alemanha. Parabéns ao autor...grande usuário do lado esquerdo do cérebro. Teresa Sá Leitão
ROMULO QUEIROZ é economista pós-graduado pela Harvard University e especialista em estratégia e gestão da inovação
