NE10
Recife - 21.05.12

Enogourmet

Os vinhos do Velho e do Novo Mundo

Publicado em 15.05.2009, às 08h36

Esta vai ser uma coluna difícil... Não por ser complicado falar de vinhos e, sim, por ter muita coisa para falar sobre eles! Aí acabo sem saber o que falar, mas acho que o ideal é partir do básico.

Se vocês querem aprender mais sobre vinhos, a melhor coisa a fazer é, primeiro, conhecer as suas preferências. Identificar se você prefere vinhos mais leves ou mais encorpados, brancos ou tintos, doces ou secos, entre outras coisas que dizem respeito ao gosto pessoal de cada um.

Depois, é recomendável conhecer os tipos de uvas existentes e entender as diferenças básicas entre estas variedades e o estilo de vinho que elas produzem. A partir daí, ficará muito mais fácil identificar o tipo de vinho que se está comprando. E qual se encaixa nas suas preferências.

Cada uva tem suas características e seus pontos fortes. E pode ser utilizada sozinha ou junto com outras variedades. A mistura de uma cepa com outra tem por finalidade produzir um vinho mais complexo, mais balanceado, em alguns casos. Certas uvas possuem mais aromas; outras possuem mais corpo; outras, mais acidez; outras, mais tanino… A tarefa de decidir se o vinho será um varietal (feito de uma única variedade) ou se será um “blend” (várias uvas) é do produtor, do enólogo responsável pela vinificação.

A mistura de uma cepa com outra tem por finalidade produzir um vinho mais complexo, mais balanceado, em alguns casos.



A parte complicada é que os países produtores de vinhos dividem-se em Velho Mundo e Novo Mundo, sendo aqueles que começaram a produzir vinhos antes e depois de Cristo, respectivamente. O primeiro grupo geralmente não informa qual a uva utilizada para produzir seu vinho. Eles se baseiam no “terroir”, que é a combinação entre solo, clima, região, quantidade de sol ou de chuva que incide sobre o local onde a videira está plantada, a topografia do terreno... E é isso que vai decidir qual a uva que eles cultivarão em cada localidade. Há uma diversidade maior nos estilos de vinhos produzidos, o que os tornam mais fascinantes, despertando mais curiosidade, também.

Como, para eles, o lugar é mais importante que o tipo da uva utilizada, é necessário estudar, conhecer as regiões, entender as leis e decorar quais as uvas que cada uma delas produz.

Os produtores do Novo Mundo, por sua vez, apostam muito mais na tecnologia para favorecer o cultivo e a produção de seus vinhos. E, por não levarem muito em consideração esse conceito de “terroir”, preferem rotular seus vinhos com o nome da uva que o representa. São os países “amigos do consumidor”, digamos. Com um pouco mais de conhecimento sobre os tipos de cepas é possível ter uma noção do tipo de vinho que se está comprando (ou degustando).

Talvez por isso as pessoas prefiram beber um vinho do Novo Mundo, já que, de acordo com a uva, elas sabem mais ou menos qual vai ser o estilo do vinho; enquanto um vinho francês ou italiano, por exemplo, é mais complicado de entender e de saber o que dele esperar.

Um típico rótulo francês é mais ou menos assim:




O rótulo diz: "Appelation Chablis Grand Cru Controlée", o nome do produtor, o vinhedo... e "Produto da França". Diz também que é um vinho branco da Borgonha. Mas o que é "Appelation"; o que significa "Chablis"; qual a uva deste vinho?? É um pouco mais complicado, não? Por isso que precisamos estudar um pouco para entender.
Já um rótulo do Novo Mundo é bem mais objetivo e direto:

Fairview é o produtor, Pinotage é a uva, safra 2006 e o país é a África do Sul. Bem mais simples.



Minha função aqui é descomplicar isso para vocês. E estou tentando. A partir da próxima semana, eu quero trazer sempre um rótulo e uma harmonização para cá. E não esqueçam de comentar e sugerir os assuntos que vocês querem ler por aqui.

EXPOVINIS 2009
Sempre vale a pena visitar uma feira de vinhos e conhecer os produtores, os distribuidores e os lançamentos do mercado. Este ano, a feira estava repleta de grandes estandes e atriu muitos interessados (que o diga a fila para cadastramento, gigante!). O primeiro dia da feira é sempre voltado para os profissionais do setor, mas os consumidores finais sempre podem visitar as feiras nas duas últimas noites.

Um dos grandes expositores foi a Embaixada da França, aproveitando o ano do país no Brasil. Um estande enorme, com vinhos de quase todas as regiões, principalmente da Borgonha. Só que a grande maioria não estava disponível para degustação. O Brasil também marcou presença forte com uma área só para os produtores locais, além de estandes individuais de empresas como a Miolo, Lidio Carraro, Casa Valduga, Salton e Pizzato. Na Pizzato, inclusive, passei um bom tempo conversando com a sommelier da casa. E provei vinhos de uvas pouco conhecidas, como a Egiodola e a Alicante Bouschet.

Acho que o local mais concorrido da feira foi o da Importadora Decanter. Sempre lotado! A Cantu trouxe os excelentes vinhos da Suzana Balbo, que sempre me agradam e outros produtos da Ventisqueiro. Já a Interfood, surpreendeu com o Trapiche Extra Brut, um espumante leve com aromas delicados de maçã e abacaxi e um ótimo fim de boca. Excelente!

Teve muito mais. Porém, confesso que ir a uma feira de vinhos sozinha não é tão interessante assim. Afinal, vinho é um assunto para ser debatido e também, apreciado, em boas companhias.

*As colunas assinadas não refletem, necessariamente, a opinião do JC ONLINE

Compartilhe essa notícia

DELICIOUS DIGG NEWSVINE STUMBLE WINDOWS LIVE GOOGLE FACEBOOK MYSPACE TWITTER
Comente esta matéria
validador 

Cadastre-se! Esqueceu a senha? O comentário é de total responsabilidade do internauta que o inseriu. O JC ONLINE reserva-se o direito de não publicar mensagens com palavras de baixo calão, publicidade, calúnia, injúria, difamação ou qualquer conduta que possa ser considerada criminosa. Para participar, é preciso ser cadastrado no Portal.
De: Mário Gil Rodrigues Filho- 19/05/2009 02:46

Amanda, Fiquei muito feliz em saber que teremos, com esta sua coluna, mais uma forma de aprender sobre vinhos e todo o mundo que o cerca. Parabéns por sua primeira coluna e espero que continue por vários e vários anos, sendo escrita como deve ser, sem formalismos e expressões incompreensíveis para a maior parte dos degustadores que, no final das contas, possuem anseios de maiores conhecimento sobre o assunto. Tenho certeza de que será de grande valia para todos, sejam já grandes degustadores ou mesmo aprendizes, com asssuntos diversos e complexos como rótulos, regiões produtoras, vinícolas, rolhas, garrafas, formas de produção, etc. Tal como seu blog (http://enopaixao.blogspot.com) terá muito sucesso neste novo espaço.

De: Ingrid Farias- 15/05/2009 14:43

Amanda! Parabéns pela coluna. Já me considero uma enófila, eu tenho o prazer de ler e apreciar o mundo dos vinhos! Adooro! Vou ler sempre a coluna! Uma sugestão: dicas sobre bons vinhos de sobremesa!Ingrid Farias.

De: Lívia- 15/05/2009 11:59

Ótima ideia essa coluna sobre vinhos! Uma sugestão é falar sobre as características das uvas e das regioes produtoras de vinhos. Sabendo disso fica mais fácil escolher os vinhos de acordo com o gosto de cada um.

Publicidade

Perfil

AMANDA LOYO é Sommelier e amante da enogastronomia.



especial

Toque especial

Toque especial

O carinho de mães que superam limitações

Sistema Jornal do Commercio de Comunicação
© Copyright © 1997-2012, SJCC - Sistema Jornal do Commercio de Comunicação - Recife - PE - Brasil
Grupo JCPM