
A Expovinis é o maior salão de vinhos da América Latina, que acontece sempre na última semana de Abril, em São Paulo. Este ano, em sua 16ª edição, mais de 400 expositores estiveram presentes, gerando mais de 60 mil garrafas abertas e degustadas, segundo o site do próprio evento.
Dentre esses expositores e os vinhos degustados, estava a Cantu Importadora, que traz ao Brasil 36 rótulos de 7 países diferentes: Chile, Argentina, Itália, Portugal, Uruguai, França e Espanha.
Um dos grandes parceiros da Cantu é a chilena Ventisquero. Na Expovinis, foram apresentados alguns vinhos inéditos da vinícola, como o Enclave, o novo ícone da empresa.
Para alegria daqueles que não puderam comparecer à feira – como eu!, a Cantu trouxe ao Recife o embaixador da Ventisquero, Nicolas Torres, para apresentar a um seleto público as novidades de 2013. Vale salientar que, fora São Paulo, Recife foi a única cidade a receber o lançamento do Enclave, devido à nossa importância no mercado consumidor.
A grande estrela da noite foi, sem dúvidas, o Enclave. Mas vários outros foram servidos, juntamente com um jantar especialmente elaborado pelo Chef Claudemir Barros, no Wiella.Para abrir a noite, Nicolas nos deu uma aula sobre o terroir chileno, discorrendo sobre todas as diferenças e particularidades de cada região e contando um pouco da história da vinícola. Em outro momento, eu falo um pouco mais sobre esse terroir que me encanta cada dia mais.
Agora, vamos aos vinhos degustados.Nicolás abriu a noite servindo o Grey Pinot Noir 2011, oriundo do Vale de Leyda. Apesar de a linha Premium Grey já ser conhecida e bem conceituada, especialmente o Syrah, o Pinot Noir é uma novidade. A safra de 2011 foi a primeira elaborada com esta uva. O vinho apresentou aromas de cereja, morango, cranberries (especialmente no paladar) e um suave toque de caramelo. Levemente mineral e com acidez equilibrada e taninos leves, este vinho me agradou em cheio! Toda a linha Grey apresenta no rótulo o termo “Single Block”, que indica que as uvas vieram de uma única parcela, um único lote. O Pinot Noir envelhece por 12 meses, mas utilizando apenas barricas francesas de 2º ou 3º uso, o que evita um aroma muito amadeirado ao vinho. Como esta é a primeira safra, eles ainda não sabem ao certo qual o tempo de guarda, mas a previsão é que este vinho resista por 4 a 5 anos. (R$ 89,00)
Em seguida, veio o Grey GCM 2012, do Vale de Apalta, outra novidade da Ventisquero. Elaborado a partir das uvas clássicas do mediterrâneo, este vinho é composto por 50% Grenache, 30% Carignan e 20% Mataro (ou Mourvèdre). Com aromas muito perfumados e de frutas vermelhas, este vinho também mostra aromas terrosos e um leve toque de bacon e embutidos. Com um pouco mais de estrutura que o Pinot, apresentou taninos mais integrados e uma cor granada, com tons violáceos. Este vinho passou 6 meses em barricas, com mais 1 mês na garrafa e aguenta mais 2 a 3 anos. (R$ 89,00).
Subindo um pouco a escala, chegou a vez do Pangea 2008, também de Apalta. Já falei do Pangea em outros momentos, mas acho que esqueci de mencionar a razão do nome. Pangea significa “União da terra” e o vinho leva este nome por conta da união Austrália com Chile. John Duval, enólogo australiano, especialista em Syrah, e Felipe Tosso, enólogo chefe da Ventisquero, são os responsáveis por essa maravilha. O vinho apresentou aromas intensos de frutas silvestres escuras, baunilha, pimenta e toques minerais de grafite, devido ao solo granítico de Apalta. Cor bem intensa, um vermelho violáceo. Estagia 2 anos em carvalho francês, sendo 50% em barricas novas e 50% em barricas de segundo uso e mais 1 ano em garrafa, antes de sair ao mercado. Com o tempo, senti aromas marcantes de geleia de amora na taça. Vinho bastante concentrado e ainda muito jovem, possui 10 anos de guarda. (R$ 280)
Enfim chegou a novidade máxima da noite, o Enclave. Foram necessários 10 anos de procura para produzir um grande Cabernet Sauvignon até que encontraram o local ideal, em Pirque, Maipo Alto. Uma parcela das uvas vem de San Juan de Pirque e a outra da zona El Principal. Enclave significa uma micro região dentro de outra região. O Enclave 2010 é um corte bordalês, composto de 86% de Cabernet Sauvignon (de 2 zonas diferentes), 7% Petit Verdot, 5% Carmenère e 2% Cabernet Franc. O vinho apresenta aromas marcantes de frutas vermelhas e frutas escuras, especialmente cassis, um eucalipto bem destacado, com leve melaço/baunilha. Apesar de ter apenas 2% de Cabernet Franc, mostrouse bem floral. Nicolas me explicou que esse é o motivo da pequena quantidade da uva, devido a sua intensidade, na região. Taninos bem presentes e uma acidez balanceada, com envelhecimento de 18 meses em carvalho francês, também 50/50 (novo/usado) e mais 1 ano em garrafa. Apenas pouco mais de 10 mil garrafas foram produzidas, das quais somente 200 vieram para o Brasil. (R$ 420)
O Guia Descorchados, do Chile, pontuou o Enclave 2010 com 94 pontos, o mesmo que o Almaviva. A degustação prosseguiu com um jantar harmonizado, mas deixarei essa parte para a próxima semana!
* Os vinhos podem ser encontrados na loja da Cantu, na Ceasa, ou pelo telefone (81) 3252-1361.
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AMANDA LOYO é Sommelier e amante da enogastronomia.
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