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Doses de Foco

Mulher, super ativar: você pode ser plural e extraordinária!

Publicado em 13/03/2018, às 19h35 | Atualizado em 13/03/2018, às 19h49

Por Dani Maciel

Leyla Nascimento é exemplo de liderança / Foto: Divulgação

Leyla Nascimento é exemplo de liderança Foto: Divulgação

É claro que essa postagem vai ser para você mulher! Falaremos da dura realidade e por vezes, até trágica do cotidiano feminino. O Mês de Março não pode ser utilizado nas empresas com práticas que reforcem ainda mais a mulher como objeto, e sim com práticas que despertem reflexões, ações e atitudes que possam mudar o cenário desfavorável, porque como mulheres somos capazes de conseguir o impossível, mesmo quando as probabilidades são negativas. Em seguida, desfrutaremos de uma entrevista com Leyla Nascimento, que iluminará a nossa semana. Mas não posso terminar essa atualização sem te convidar para a Cerimônia de premiação das 40 Melhores Empresas para a Mulher Trabalhar, no próximo dia 27 de Março, no Hotel Renaissance, em São Paulo. Será que vamos ter uma empresa de Pernambuco como premiada? Estou na torcida! Além da premiação, o evento terá um rico momento de conteúdo e um coquetel de celebração. No palco, que contaremos com a participação de Mulheres Extraordinárias e Plurais, como Luiza Helena Trajano, Carol Duarte, Camila Achutti, Clarissa Canedo, Claudia Giudice e Maurren Maggi, que contarão suas histórias e suas escolhas de vida e carreira. Porque acreditamos que as Mulheres podem ser quem elas quiserem, não importa o gênero, a idade ou orientação sexual (mais informações ao final do post). Por isso que amo e tenho orgulho de trabalhar no GPTW!

Mas nem sempre pude me orgulhar de onde trabalhei. Há um tempo atrás eu trabalhei numa empresa que aqui será chamada de X, estava certa vez em uma reunião, a pauta era sobre que comunicação iríamos adotar para alcançar um certo público-alvo, quando me posicionei sobre o que eu achava daquela ação e discordei, dando a minha opinião, fui imediatamente interrompida pelo Gestor, em sua fala tinha julgamento, machismo, irritabilidade e quando me levantei dizendo que teria que ir a um evento ele disse que eu não iria e ponto! É claro que argumentei com muita força, o quanto era importante a minha ida, fui de maneira grosseira interrompida novamente para ser silenciada. Além de ficar transtornada o meu sentimento foi de que se eu fosse homem ele não teria falado comigo daquela maneira. Mas eu era uma mulher e precisava ser respeitada. Bom! Nesse dia decidi comecei a sair dessa empresa, não mais cabia nela nem como colaboradora e nem como mulher. Uma pena! Pensei se gestores como ele agiam dessa forma comigo, que sou uma mulher que não se cala e é ativa, imagine com as mulheres que não se posicionavam. Assim como eu, muitas mulheres diariamente passam por isso, não foi à toa que no dia 8 de Março a empresa ThoughtWorks, uma empresa Great Place to Work fez ações em todos os seus escritórios a qual uma foi confeccionar cartazes com as pautas de lutas das mulheres e saíram para as ruas para dar voz a milhares de mulheres, combatendo as atitudes machistas com as seguintes falas:

No Bropriating = Quando um homem se apropria da ideia de uma mulher e leva crédito por ela.

No Manterrupting = interrupção desnecessária de uma mulher por um homem.

No Manterpration = interpretação por um homem de algo que uma mulher diz que é diferente do que ela quis dizer, mas que requer que ela defenda suas palavras.

Quantas mulheres serão caladas e impedidas de seguirem com a sua carreira adiante? E como mulher o que se pode fazer? Se posicionar, entender que a a representatividade é importante em todos os campos: ciências, política, gestão, empresas e educação. Ocupar os espaços e minar todos os focos de machismo e seguir adiante sendo agente na construção de uma sociedade mais justa para todas as mulheres. Adorei a citação, do livro Wonder Women, escrito por SAM MAGGS: “Eu vou me pronunciar quando e onde eu desejar. Nenhum homem vai me impedir de fazer isso” Dra. Quinn, esse livro sobre mulheres inspiradoras pioneiras e inovadoras que foi dado de presente a todas colaboradoras do GPTW, como forma de conhecer mais essas mulheres e seguir com o legado.

E falando em legado quero deixar um exemplo inspirador. Uma mulher que decidiu ser grande, pensar no voluntariado, me fez despertar para liderança com responsabilidade e representatividade, me ensinou que como líder é preciso compartilhar alegrias, medos e riscos. Quero muito que vocês possam conhecer a Leyla Nascimento, já fiz o convite agora é torcer para que ela tenha agenda. Essa mulher que é Educadora, mãe, avó, amiga, líder, empresária e agora a primeira mulher presidente de uma Associação Mundial!

O difícil é falar de Leyla Nascimento sem estar emocionada, é uma mulher firme e doce ao mesmo tempo, seu olhar é de muito amor as pessoas, aos seus liderados, como aprendi sendo sua liderada e não poderia ser diferente. A boa notícia é que ela não é só importante para mim, já era muito antes para o lindo Rio de Janeiro, para o Brasil, pois foi presidente da ABRH Brasil, já foi para América Latina e agora para o mundo. Ela foi eleita em fevereiro a Presidente da World Federation of People Management Associations (WFPMA) - a Federação Mundial de RH. E no outro dia que saiu a notícia ela me concedeu uma entrevista, ainda muito emocionadas, espero que a história dessa mulher te faça rever seus conceitos, e entrar em estado de ação para ser uma mulher plural e extraordinária.

Confira a entrevista:

Dani Maciel: Leyla, como a primeira mulher a ser presidente, essa marca você já tinha conseguido, como é conquista-la no mundo?
Leyla Nascimento: Bem, eu acho que a honra maior além de ser a primeira mulher, né, uma liderança feminina, com quase 50 anos de federação é ver o Brasil lá, e uma mulher Latina, porque o continente Latino americano que eu presidi a FIDHAG, Federación Interamericana de Asociaciones de Gestión Humana, estão comemorando, estão super felizes por ser mulher, e ser latina."

D.M: O trabalho voluntariado, pensar no coletivo, em liderança servidora e legado sempre foram questões do seu cotidiano, fala para gente como você chegou nessas nobres prioridades em sua vida?
L.N: Bem, a minha caminhada começou vendo meu pai, meu pai também era voluntário, meu pai fez parte de sindicato, ele era uma pessoa muito voltada para o coletivo, foi presidente de sindicato naquela época dos eletricitários, porque ele era funcionário da Light, então eu sempre vi nele um exemplo. Depois eu fui para a faculdade de educação e sempre via a educação na empresa, enquanto as minhas colegas de sala, os meus colegas de sala, viam a educação na escola, né? E essa educação na empresa me fez estar voltada para Recursos Humanos, aí eu fiz uma Pós-Graduação em Educação e Recursos Humanos pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, e isso foi cada vez mais sedimentando em mim o desejo de atuar em Recursos Humanos. Então, essas foram as minhas prioridades, as minhas escolhas profissionais que me fortaleceram enquanto decisão de carreira que seria realmente Recursos Humanos. E claro que a trajetória na ABRH, ela sedimentou tudo isso, porque na ABRH é colocar o conhecimento à disposição desse associativismo e desse voluntariado.

D.M: Quais foram os passos significativos na sua carreira para chegar à presidência da World Federation of People Management Associations(WFPMA) - a Federação Mundial de RH.
L.N: Bem, os passos significativos, é claro que foi, eu nem imaginava nunca estar numa posição como essa, nem quando eu ocupei a presidência da Associação no Rio de Janeiro e na Associação Brasileira, né? E nem na Federação Interamericana. Eu acho que foi um conjunto de um trabalho coletivo ao ser convidada para fazer parte da Diretoria de Educação na ABRH, na Seccional do Rio de Janeiro, e depois que eu fiz parte, isso foi de 2000 à 2004, me levaram à presidência da ABRH do Rio, e aí então eu fui conhecendo um pouco mais como funcionava as questões da ABRH Brasil, sendo eleita em 2010 como Presidente da ABRH Brasil. E lá então nós montamos como prioridade nossa de gestão esse relacionamento com as Associações mundiais, com a representatividade que o Brasil precisa ter com essas associações, nessas federações, como a FIDAGH, estávamos distantes que são importantes nas trocas de conhecimentos e nas práticas, iniciamos uma aproximação, íamos aos congressos, fazíamos reuniões com eles, a partir daí comecei a ser convidada para fazer parte, então o meu primeiro cargo na FIDAGH foi vice - presidente da área sul e depois me convidaram para ser vice presidente da FIDAGH e posteriormente Presidente. Ao ser Presidente, eu tive um assento no board da World Federation of People Management Associations, ao participar eu tive a oportunidade de conhecer os seus componentes, as outras associações a ter ser conduzida como secretária geral e agora a posse como presidente que será dia 18 de junho em Chicago.

D.M: A sua liderança sempre foi marcada pela postura condutora, clareza de intenção, assertividade e amor as pessoas, portanto deixando um diferencial no mercado. Se pudesse compartilhar alguns conselhos para os líderes, quais seriam?
L.N: Primeiro eu acho que Liderança é algo que só cumpre a sua missão se realmente for no coletivo, compartilhar, ser aberta ao entendimento e ao desenvolvimento das pessoas. A liderança no mundo associativo, numa associação tão forte como ABRH tem um outro componente que eu considero vital, porque as pessoas que compõe as diretorias das ABRHS nos estados e no Brasil, como também na FIDAH e na WFPMA são líderes, são pessoas de sucesso, que passaram ou passam por uma trajetória de liderança e estão disponibilizando o que eles têm de mais precioso que é o seu tempo. Eu sempre tive a percepção que no curto espaço de tempo deles no quanto eles podem se doar para o trabalho voluntário. Não é exigir carga horária, participação presencial, muitas das vezes é impossível, mas que eles deem o melhor deles naquele tempo, entendendo que são pessoas de muita competência, de muita capacidade criativa, pessoas que não querem ser voluntárias sem verem o resultado do seu trabalho, então entender esse contexto é importante. No mundo corporativo, eu não acredito em nenhum sucesso resultado de negócio satisfatório se as lideranças não cumprem o papel de mobilizadoras de equipes e educadoras dentro das empresas.

D.M: Sei que acabou de receber a notícia da Presidência, mas sei também que esse era um grande sonho não só seu como do RH do Brasil, quais serão as suas estratégias de gestão?
L.N: As estratégias de gestão estão ligadas a missão da WFPMA, ela tem 5 federações continentais: a Federação Norte Americana, a FIDAGH que é a nossa do Brasil que pega uma parte do Caribe, ela tem uma Federação Europeia, Federação asiático e o do continente africano. A nossa missão maior é fortalecer cada vez mais os vínculos entre as Federações e com as associações nacionais, multiplicar conhecimento porque eu tenho aprendido muito com essas associações o quanto de práticas e de modelos em nossa área para compartilhar, dar um incremento na área de pesquisa, enfim nós temos um grande desafio, de aumentar o número de países dentro das Federações, mas hoje nós somos 93 países afiliados a nossa organização mundial e isso nos orgulha muito.

Bom! Quem nos orgulha é você Leyla Nascimento, sempre soube que você chegaria no topo e sei que não vai parar por aí. Estendo as mulheres que tenho lidado quase que diariamente, de Pernambuco e Alagoas, que de forma revolucionária estão lutando sim para que as empresas cada vez mais sejam mais justas, mais saudáveis e mais humanizadas construindo com o GPTW uma sociedade melhor. Vocês me inspiram muito. Quero dedicar esse post a minha filha Beatriz Maciel, as minhas mães Eveline e Edileuza Maciel, as consultoras do nosso GPTW Taynah e Isabella e a nossa Líder Roberta.

Obs: Para mais informações sobre a grade conteúdo e a cerimônia de premiação, acesse: http://mulher.gptw.com.br/


*As colunas assinadas não refletem, necessariamente, a opinião do NE10

PALAVRAS-CHAVE: mulher notícias doses de foco

Doses de Foco Danielle Maciel Brandão É Diretora Executiva do GPTW PE/AL, coach Executiva e de Carreira, professora MBA em Gestão de Pessoas e Negócios , consultora em Gestão de Pessoas e mestre em Geociências pela UFPE em 2001. dani.maciel@greatplacetowork.com

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