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Como funciona o tráfego telefônico

Publicado em 11/01/2018, às 15h26 | Atualizado em 15/01/2018, às 11h28

Por Marcelo Sampaio de Alencar

O engenheiro dinamarquês Agner Krarup Erlang desenvolveu o método de cálculo do tráfego telefônico / Foto: reprodução

O engenheiro dinamarquês Agner Krarup Erlang desenvolveu o método de cálculo do tráfego telefônico Foto: reprodução

Os sistemas telefônicos são planejados para que as chamadas realizadas pelos assinantes tenham alta probabilidade de sucesso, mesmo no período de tráfego telefônico mais intenso, a chamada hora de maior movimento (HMM), entre 10 e 11 horas do dia.

A quantidade de troncos e equipamentos de comutação, necessários para o fluxo do tráfego telefônico, é dimensionada de tal modo que durante a hora de maior movimento somente uma porcentagem muito pequena de ligações solicitadas não seja estabelecida imediatamente.

Isso pode ocorrer, em alguns casos, por falta de órgãos de comutação na central, ou por inexistência de rotas de saída, e caracteriza as ligações perdidas ou em espera. A porcentagem de ligações perdidas é chamada grau de serviço (GoS) do sistema.

O método de cálculo do tráfego telefônico e a determinação da probabilidade de bloqueio foram desenvolvidos inicialmente por Agner Krarup Erlang, engenheiro dinamarquês, no começo do século XX.

As variações mais marcantes no tráfego telefônico são aquelas que se apresentam ao longo do dia. As centrais telefônicas devem ser então dimensionadas de modo que o escoamento do tráfego se realize sem dificuldades para o atendimento dos assinantes.

O grau de serviço estipulado pela Anatel, de 1% para as centrais da rede fixa, ou seja, apenas uma ligação não completada em 100 tentativas, na hora de maior movimento, garante uma boa qualidade do sistema telefônico.

Por exemplo, considerando que um usuário faça dez ligações por dia, ele levará dez dias para perceber uma única ligação bloqueada. Na telefonia celular, a probabilidade de bloqueio é regulamentada em 2%, ou duas ligações não completadas em 100 tentativas.

Todo o planejamento e o dimensionamento do tráfego telefônico, são realizados, por isso, em função das estatísticas da hora de maior movimento de um dia normal da semana, da temporada de maior tráfego.

Operadoras de telefonia

As operadoras de telefonia, entretanto, costumam vender mais aparelhos telefônicos do que o projetado, o que eleva a probabilidade de bloqueio a níveis absurdos, como 20% no caso da telefonia celular, o que é percebido pelo assinante como uma ligação perdida em apenas cinco tentativas.

Isso faz com que o Brasil tenha baixos índices de qualidade de serviço, segundo a União Internacional de Telecomunicações (UIT), apesar dos custos telefônicos no País serem dos mais altos do mundo.

Curiosamente, os índices melhoraram no último ano, não por conta de um projeto de engenharia de tráfego telefônico mais adequado, mas em função da recessão pela qual o País passa, que fez reduzir sobremaneira o número de aparelhos telefônicos em operação, diminuindo a competição pelos enlaces telefônicos existentes.


*As colunas assinadas não refletem, necessariamente, a opinião do NE10

Difusão Marcelo S. Alencar Marcelo Sampaio de Alencar é professor titular da UFCG e presidente do Instituto de Estudos Avançados em Communicações (Iecom).. Email: sampaio.alencar@gmail.com e no twitter: @marcelosalencar

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