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Pernambuco - 18.04.14 - Atualizado às 17h40

Difusão

Empresas virtuais violam regras da economia clássica

Publicado em 07.04.2014, às 19h11



Por Marcelo S. Alencar

As redes sociais são produtos criados, em sua maior parte, pelos clientes. Eles as alimentam com informações, o que incrementa e valoriza os produtos; convidam amigos para articipar, que é um processo de marketing e propaganda; e até auxiliam no desenvolvimento de novas facetas dos produtos, que seria o trabalho dos programadores da empresa.

Além disso, os usuários ainda servem como indicadores de sucesso e penetração para as plataformas, como informantes privilegiados para pesquisas de mercado e como consumidores de produtos terceirizados pelas redes sociais.

O valor de mercado de uma rede social, como o Facebook, é difícil de aquilatar, mas é geralmente medido em função do número de usários da plataforma associado ao número de acessos produzidos por esses usuários. E são os usuários que criam a riqueza dos magnatas da informação, trabalhando todos os dias para aprimorar seus produtos.

Entretanto, como essas plataformas são produtos virtuais e perecíveis, um simples boato preconceituoso, como o que parece ter acometido o Orkut, que há alguns anos era a maior rede social do País e hoje quase desapareu do mercado, pode destruir o Facebook em um instante.

Atualmente, pouco se cria nessa área, desde que o Unix foi inventado a partir do Multics, que foi escrito, em 1965, por um grupo de programadores, que incluía Ken Thompson, Dennis Ritchie, Douglas McIlroy e Peter Weiner.

Mark Zuckerberg apenas copiou e melhorou a ideia do Orkut, que herdou o nome do engenheiro chefe do projeto Büyükkökten Orkut, do Google, que já havia copiado funcionalidades de outras plataformas que usavam os comandos do Unix, e convenceu os usuários a trabalharem para ele.

O Facebook não é nada mais que uma aplicação dos comandos mail e talk, criados para o Unix. Assim como o Google é apenas uma versão mais alinhada do gopher ou do archie, do final da década de 1980.

Antes dele, houve o Altavista, o Bol, o UOL, o Yahoo!, o Opera, entre tantos outros que faziam mais ou menos a mesma coisa, mas hoje se especializaram em outras atividades ou desapareceram.

O Twitter, por exemplo, sucesso de alguns anos atrás, é apenas a aplicação bulletin board system (BBS), com o arquivo restrito a 140 caracteres. Que, por sua vez, é apenas uma outra aplicação para o comando mail do Unix.

Há ainda várias redes especializadas para a academia, para pesquisadores e profissionais, como a Academia.com, a ResearchGate, a Quora e a LinkedIn. Sem falar nas redes de encontros, como o Twoo. Todas elas apropriando o trabalho dos usuários e fornecendo a todos seus poucos minutos de fama todos os dias.

O mais interessante de tudo é que, para assombro de Karl Marx, esses empreendedores acabaram criando uma espécie de fábrica na qual os próprios clientes trabalham, várias horas por dia, apenas pelo prazer de estar lá e encontrar outros usuários, que fazem a mesma coisa.

A rede social espelha o modelo imaginado por Adam Smith para o mercado eficiente, no qual os produtores são muito especializados, neles mesmos, e montam suas páginas como uma linha de produção, ao longo do tempo.

Para desespero dos economistas clássicos e violando todos os cânones da economia, plataformas como o Facebook são monopólios virtuais cujos produtos são disponibilizados a custo zero.

*As colunas assinadas não refletem, necessariamente, a opinião do NE10

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Perfil

MARCELO S. ALENCAR é professor titular da UFCG e vice-presidente da Sociedade Brasileira de Telecomunicações



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