Difusão

No final, será o caos

Publicado em 11/09/2014, às 18h02 | Atualizado em 11/09/2014, às 18h08

Por Marcelo S. Alencar

O caos das mitologias grega ou cristã tem servido para para a criação de muitas teorias físicas para explicar o funcionamento do mundo. No princípio, havia o movimento decorrente do choque de dois corpos rígidos, de formato esférico. Esse movimento é previsível pelas leis da física, e as fórmulas decorrentes do modelo determinístico aparecem nos livros do segundo grau.

Entretanto, quando três ou mais corpos se chocam, o resultado é suscetível a pequenas variações em quaisquer das variáveis envolvidas, como a velocidade e a quantidade de movimento. Em outras palavras, o resultado pode ser caótico.

Por esse motivo, Albert Einstein (1879-1955) desenvolveu a teoria matemática do movimento browniano, que resolve o problema de choques entre corpos, desde que se considere que seu número é muito elevado e que as variáveis envolvidas sejam aleatórias.

Ou seja, a aleatoriedade foi introduzida por Einstein para eliminar o caos, o que parece surrealista. Mas faz muito sentido, ao se consider que a Teoria de Probabilidades permite que resultados sejam obtidos em média, o que é perfeitamente razoável e aceitável para sistemas que têm números absurdamente elevados de componentes.

A teoria do caos é também usada para explicar fenômenos como os raios, descargas atmosféricas que atingem o Brasil mais do que qualquer outro país, em que o acúmulo de particulas carregadas, provavelmente em decorrência dos movimentos atmosféricos, que deslocam as cargas elétricas, em meio ao campo magnético da Terra.

O caos também modela os apagões elétricos, tendo em vista que uma pequena variação de tensão ou corrente em algum ponto do sistema de potência pode evoluir para uma sobrecarga e resultar no acionamento dos equipamentos de proteção que desligam as linhas.

O caos também é explorado em comunicações. Um modulador caótico usa uma portadora com fase ou frequência caótica. A combinação de duas senóides cujas frequências são relacionadas por números irracionais gera uma portadora com característica caótica. O uso desse tipo de portadora permite proteger o sinal transmitido contra escutas indesejadas.

Finalmente, mas não exclusivamente, o caos é usado para descrever uma economia que não obedece aos preceitos usuais, como a lei da oferta e da procura. Diz-se que a economia é caótica, como costuma ser o modelo do Brasil desde tempos imemoriais.

*As colunas assinadas não refletem, necessariamente, a opinião do NE10

PALAVRAS-CHAVE: difusão notícias caos

Difusão Marcelo S. Alencar é professor titular da UFCG e vice-presidente da Sociedade Brasileira de Telecomunicações. sampaio.alencar@gmail.com e no twitter: @marcelosalencar

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