Difusão

O reconhecimento na ponta dos dedos

Publicado em 21/06/2017, às 17h37 | Atualizado em 23/06/2017, às 12h25

Por Marcelo Alencar

Os primeiros usos da biometria digital para identificação foram associados à pré-história / Foto: Pixabay

Os primeiros usos da biometria digital para identificação foram associados à pré-história Foto: Pixabay

O uso de impressões digitais para identificar pessoas era uma prática antiga, em muitos lugares, como a Mesopotâmia, o Turquestão, a Índia, o Japão e a China. Na Antiguidade, tinha como objetivo a autenticação de documentos e o estabelecimento de acordos civis e comerciais, visto que apenas os nobres e ricos sabiam ler e escrever.

Os primeiros usos da biometria digital para identificação foram associados à pré-história, mais especificamente à Babilônia. Na China, alguns artesãos imprimiam suas digitais em vasos, como forma de dar identidade às suas obras.

O sistema de identificação por impressões digitais, com aplicações forenses, foi imaginado por Francis Galton, que também criou o conceito de correlação estatística. Galton era primo de Charles Darwin e, baseado em sua pesquisa, criou o conceito de eugenia, ou seja, a melhoria de uma determinada espécie por meio da seleção artificial.

A eugenia foi usada para esterilizar milhares de mulheres, que tivessem filhos com qualquer tipo de deficiência, nos Estados Unidos da América, e foi usada por Adolf Hitler para justificar a eliminação dos judeus na Alemanha nazista.

Partidários do capitalismo também abusaram do conceito de eugenia, para promover o sistema de liberalidade econômica, conhecido com laissez-faire, no qual se advoga que o mercado deve funcionar livremente, sem interferência do Estado, que disporia apenas de regulamentos suficientes para proteger os direitos de propriedade.



Para esses neo-liberais, apenas os melhores conseguiriam se estabelecer, em detrimento dos mais pobres, que assim o seriam por alguma deficiência intrínseca. Os mais ricos, certamente, teriam preferência em algum processo de seleção artificial, para melhorar o genoma econômico, assim pregavam.

Em 1903, em Nova York, a impressão digital passou a ser coletada de maneira sistemática, por ser uma característica de cada indivíduo, sendo diferente até entre gêmeos idênticos, para montar uma base de dados com o objetivo de identificar criminosos.

A impressão digital, tecnicamente conhecida como datilograma ou dermatóglifo, é o desenho formado pelas papilas, que são as elevações da pele, e pelos sulcos interpapilares, presentes nas polpas dos dedos. Elas são, geralmente, perenes, imutáveis e têm formatos diversos, para distintas pessoas.

Hoje, a impressão digital é utilizada como identificação biométrica em caixas eletrônicos, para liberação de dinheiro ou prestação de serviços, para abertura de portas, para garantir a integridades do voto eletrônico, entre outras aplicações.

O curioso é que Francis Galton, que era sociólogo, além de polímata, antropólogo, estatístico, geógrafo, meteorologista, e psicólogo, tendo publicado mais de 340 livros e artigos científicos, acreditava que a impressão digital poderia identificar a raça de determinado indivíduo. Ela certamente foi usada para identificar e selecionar os judeus que iriam para os campos de concentração, e para as câmaras de gás.


*As colunas assinadas não refletem, necessariamente, a opinião do NE10

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Difusão Marcelo S. Alencar Marcelo Sampaio de Alencar é professor titular da UFCG e presidente do Instituto de Estudos Avançados em Communicações (Iecom).. Email: sampaio.alencar@gmail.com e no twitter: @marcelosalencar

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