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No princípio, era o caos

Publicado em 24/08/2014, às 18h00 | Atualizado em 24/08/2014, às 18h03

Por Marcelo S. Alencar

Na mitologia grega, a noite foi chamada Nix / Foto: internet

Na mitologia grega, a noite foi chamada Nix Foto: internet



O caos não é um conceito exclusivo da mitologia grega. Ele pode ser a definição de qualquer governo feita pela ótica da oposição em época de eleição.

Do gênesis bíblico à teoria do Big Bang, vários povos criaram sua cosmogonia, ou seja, sua própria explicação sobre a origem do universo. O caos seria uma matéria sem forma definida. Eventualmente, no caso grego, o caos foi organizado com as divindades primordiais.

Para algumas correntes, Gaia, como a Terra era chamada, surgiu do caos e criou Urano, o Céu, para preencher o espaço vazio sobre ela. O caos também era capaz de fecundar; dessa maneira, gerou Nix e Érebo. Nix, a Noite, representava a escuridão acima da Terra.

A escuridão profunda do momento da criação era Érebo. Como a Terra estava coberta pela obscuridade que a cobria, Nix e Érebo se uniram e, finalmente, houve a luz que iluminou o Universo. Seus filhos foram Éter, que representava a luz atmosférica, e Hemera, responsável pela luz do dia.

Na Bíblia, síntese da mitologia cristã, encontram-se no gênesis os seguintes trechos, muito similares ao que se
encontra na mitologia grega: "Disse Deus: Haja luz! E houve luz". "E Deus chamou à luz Dia. E às trevas chamou Noite".

Ao cobrir Gaia, Urano a fecundou. Dessa união, nasceram várias divindades da primeira geração que também se uniram e geraram outras divindades. Daí nasceram os Hecantoquiros, os Cíclopes, as Titânidas e os Titãs.

Urano, temendo perder o poder, devolveu os filhos ao ventre de Gaia e continuou fecundando-a. Gaia conspirou contra ele e libertou os filhos. O titã Crono lutou contra o pai e o castrou. Os genitais cortados caíram no mar e, da espuma que se criou, nasceu Afrodite, deusa da beleza e do amor. Do sangue de Urano sobre a Terra, nasceram as Melíades, as Erínias e os Gigantes.

Após destronar o pai, Crono tomou posse do reino, casou com a titânida Reia e teve muitos filhos, mas, como fazia seu pai, também devorou os filhos, temendo ser destronado. Reia tentou, como Gaia, salvar seus filhos, e teve um filho salvador, Zeus, que se tornou o mais importante dos deuses gregos.

Zeus mantinha a ordem do mundo e dominava o Céu e os fenômenos atmosféricos. Sua ascensão ao poder foi conquistada por vitórias em várias lutas e seu domínio, consolidado por suas ligações amorosas com deusas e mortais.

Zeus não era um deus criador, mas um conquistador, e suas vitórias o fizeram o chefe dos deuses e dos homens, e senhor absoluto do Universo. As lutas de Zeus simbolizam a vitória de novos deuses sobre as antigas divindades dos povos pré-helênicos e também as lutas contra as forças primordiais na reorganização mítica do Universo.

A mitologia cristã tem uma versão similar para a criação do mundo. No princípio, era o Caos. E Deus criou o Céu e a Terra. E a terra era sem forma e vazia. E havia trevas sobre a face do abismo. Mas o caos também tem aplicação na física, nas comunicações, na eletrônica e na economia.

*As colunas assinadas não refletem, necessariamente, a opinião do NE10

PALAVRAS-CHAVE: difusão notícias caos mitologia

Difusão Marcelo S. Alencar é professor titular da UFCG e vice-presidente da Sociedade Brasileira de Telecomunicações. sampaio.alencar@gmail.com e no twitter: @marcelosalencar

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