Difusão

Sobre tulipas e moedas virtuais

Publicado em 29/11/2017, às 14h38 | Atualizado em 29/11/2017, às 14h48

Por Marcelo Sampaio de Alencar

O que podemos aprender com o mercado de tulipas e Bitcoins  / Foto: Pixabay

O que podemos aprender com o mercado de tulipas e Bitcoins Foto: Pixabay

O colapso do mercado de tulipas nos Países Baixos, hoje conhecidos como Holanda, completou 380 anos. Foi considerado a primeira bolha econômica registrada no mundo, e teve como causa a especulação em torno do preço do bulbo da tulipa, que de modismo passou a investimento, com seu preço chegando a 10 a 15 vezes o salário de um artesão habilidoso, na época.

A tulipa foi introduzida na Europa a partir de Viena, onde foram plantadas as primeiras sementes vindas da Turquia, em 1554. Mas sua popularidade se estabeleceu depois que o botânico Carolus Clusius criou um horto na Universidade de Leiden, com uma plantação de tulipas.

Os Países Baixos haviam se tornado independentes da Espanha, e detinham rotas muito lucrativas de comércio com as Índias. Essa era de afluência permitiu que as tulipas se transformassem em artigo de luxo, com muitas variedades no mercado, e preços cada dia mais elevados pela demanda das classes altas.

Os ávidos compradores passaram a assinar contratos nos cartórios para a compra antecipada dos bulbos, criando o chamado mercado futuro, virtual e à margem do mercado oficial de ações e mercadorias, com negócios sendo fechados em tavernas, com o pagamento de uma taxa de vinho, que correspondia a 2,5% do valor negociado.

Dispararam, com os contratos de compra e venda de bulbos mudando de mãos até dez vezes por dia. O colapso iniciou com a ausência de compradores em um leilão na cidade de Haarlem, e se espalhou pelo país, levando muitos especuladores, e também pessoas de boa fé, à falência.

Bitcoin é atrativo para investidores

Em 2009, um personagem intitulado Satoshi Nakamoto, cuja identidade real continua desconhecida, desenvolveu a referência de implementação de uma moeda virtual, conhecida como Bitcoin (BTC), criptografada, que usa um processo de partilhamento de dados entre múltiplas partes aparentemente inviolável, conhecido como blockchain.

Bitcoins são negociadas e armazenadas em uma rede descentralizada de computadores, que não está sob o controle de nenhum governo ou empresa. Um atrativo para investidores de países com histórico de sequestro de poupança, contas bancárias e patrimônio; mas também um porto obscuro para sonegadores, traficantes e corruptos em geral.

Para quem gosta de história, e dá valor a seu patrimônio, vale a pena saber que, esta semana, a criptomoeda virtual Bitcoin atingiu o valor estratosférico de R$ 34 mil. Isso mesmo, apenas um Bitcoin, um código binário criptografado sem lastro real, passou a valer 10 a 15 salários de um técnico especializado. Para registro, seu alegado criador saiu de cena em 2010.


*As colunas assinadas não refletem, necessariamente, a opinião do NE10

PALAVRAS-CHAVE: difusão notícias tulipas

Difusão Marcelo S. Alencar Marcelo Sampaio de Alencar é professor titular da UFCG e presidente do Instituto de Estudos Avançados em Communicações (Iecom).. Email: sampaio.alencar@gmail.com e no twitter: @marcelosalencar

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  • De: Fausy Dias- 29/11/2017 19:24 Excelente artigo.
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