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Distribuição de renda na economia

Publicado em 15/02/2017, às 12h52 | Atualizado em 15/02/2017, às 21h45

Por Marcelo Sampaio de Alencar

A excessiva concentração de riqueza faz diminuir a circulação de produtos e dinheiro / Foto: Pixabay

A excessiva concentração de riqueza faz diminuir a circulação de produtos e dinheiro Foto: Pixabay

A onda neo-liberal, que assolou o mundo desde a era Margareth Thatcher, concentrou a riqueza em um patamar nunca antes visto. A renda privada hoje é mais de seis vezes o Produto Interno Bruto (PIB), a soma de tudo o que é produzido em um ano, dos países do mundo. 

E isso se refere ao PIB absoluto, porque o líquido, ou seja, obtido ao subtrair a dívida pública dos países, é praticamente nulo, visto que boa parte dos países está muito endividada.


Desde a época de Thatcher, em tempos recentes, governantes corruptos vendem empresas estatais a capitalistas gananciosos, que apregoam o fim ou o enfraquecimento do Estado, mas, espertamente, se locupletam dele. 

E assim, um pequeno conjunto de 62 capitalistas dispõe, atualmente, de uma renda total equivalente a tudo que acumularam em toda a vida nada menos que 3,5 bilhões de pessoas, ou seja, metade da população da Terra.

A excessiva concentração de riqueza faz diminuir a circulação de produtos e dinheiro, porque o poder de compra da população fica reduzido. Como esses capitalistas principalmente acumulam recursos, gastam em objetos de luxo, ouro, joias, produtos e serviços, com pequeno valor agregado ou pouca utilidade, as economias ficam estagnadas.

Um raciocínio por absurdo ajuda a compreender melhor a situação. Se toda a riqueza do mundo ficasse concentrada nas mãos de apenas uma pessoa, ela não teria a quem vender, nem de quem comprar. E o restante da população não teria como comprar, por não ter dinheiro, nem a quem vender, pelo mesmo motivo. Dessa forma, não haveria circulação de bens e serviços e não haveria mercado.

Por outro lado, se a riqueza fosse uniformemente distribuída na população do mundo, todos teriam recursos para comprar, e também a quem vender. Com isso, haveria grande circulação de recursos na economia, fomentando a indústria, o comércio e os setores de serviço e agrícola. Assim, o mercado seria dinâmico e forte.

Em outras palavras, enquanto a acumulação capitalista pode levar o mundo à falência, a distribuição socialista de recursos, que passa pela existência de regras definidas para a proteção e expansão do mercado, possíveis apenas com a existência de Estados fortes, pode ser a salvação da livre iniciativa.

*As colunas assinadas não refletem, necessariamente, a opinião do NE10

PALAVRAS-CHAVE: difusão renda notícias

Difusão Marcelo S. Alencar é professor titular da UFCG e vice-presidente da Sociedade Brasileira de Telecomunicações. sampaio.alencar@gmail.com e no twitter: @marcelosalencar

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