Difusão

O fim do sistema feudal e o início da democracia

Publicado em 18/05/2015, às 22h23 | Atualizado em 18/05/2015, às 22h27

Por Marcelo S. Alencar

O fim do sistema feudal, que deu origem às economias urbanas, a burguesia, coincide com a queda do Império Romano do Oriente, a derrota de Constantinopla, no século 15, devido a vários motivos econômicos, sociais, políticos e religiosos.    

Entre as razões, pode-se destacar a fome, causada pela estagnação das técnicas agrícolas aliada ao crescimento excessivo da população, a peste, que assolou a Europa dizimando um terço da população, o esgotamento das reservas minerais, que reduziu a produção de moedas, afetando as operações bancárias e o comércio, além da ascensão da burguesia.     

Os servos constituíam a maioria da população camponesa. Eles estavam presos à terra, sofriam exploração, eram obrigados a prestarem serviços à nobreza e a pagar vários tributos em troca do uso da terra e da proteção militar. Era uma vida miserável, apesar de os servos não serem escravos.   

Em função da característica expropriadora do sistema feudal, o servo não tinha estímulo para aumentar a produção com inovações tecnológicas, visto que tudo que produzia de excedente era tomado pelo senhor.  

Os servos tinham muitas obrigações com o feudo. Entre os tributos, havia a corveia, o trabalho compulsório nas terras do senhor, alguns dias da semana, a talha, em que parte da produção do servo era entregue ao nobre, em geral um terço da produção, a banalidade.   

Curiosamente, havia um tributo cobrado pelo uso de instrumentos ou bens do feudo, como o moinho, o forno, o celeiro, as pontes, a capitação, um imposto pago por cada membro da família, o dízimo, em que 10% da produção do servo era pago à Igreja, o censo, um tributo que os vilões, as pessoas livres da vila, deviam pagar, em dinheiro, à nobreza, a taxa de justiça, paga pelos servos e vilões para serem julgados no tribunal do nobre.  

Além disso, havia a formariage, que todo servo era obrigado a pagar para ajudar no casamento do senhor feudal ou seu parente. Os casamentos entre servos deveriam ser aceitos pelo nobre que, em algumas regiões, poderiam requerer que a noite de núpcias da serva fosse para seu próprio usufruto, e não do marido oficial.     

Como se não bastasse, havia ainda a mão morta, o pagamento de uma taxa para a permanência no feudo da família servil, em caso do falecimento do pai ou da família. Por fim, o servo tinha a obrigação de hospedar o senhor feudal, compromisso conhecido como albergagem.    

As reclamações sobre o número atual de impostos parecem pueris quando se analisa a quantidade de taxas impostas aos servos do sistema feudal. Falar em direitos naquela época era invocar as mais duras penas do sistema.

*As colunas assinadas não refletem, necessariamente, a opinião do NE10

Difusão Marcelo S. Alencar é professor titular da UFCG e vice-presidente da Sociedade Brasileira de Telecomunicações. sampaio.alencar@gmail.com e no twitter: @marcelosalencar

COMENTE ESTA MATÉRIA

Nome:
E-mail
Mensagem

O comentário é de total responsabilidade do internauta que o inseriu. O NE10 reserva-se o direito de não publicar mensagens com palavras de baixo calão, publicidade, calúnia, injúria, difamação ou qualquer conduta que possa ser considerada criminosa.

Vitrine NE10
Vitrine NE10