Difusão

A Percepção do Som

Publicado em 10/08/2018, às 21h54 | Atualizado em 10/08/2018, às 22h09

Por Marcelo Sampaio de Alencar

A faixa sonora contínua foi quantizado nas escalas 
musicais usadas em diversas culturas / Foto: Pixabay

A faixa sonora contínua foi quantizado nas escalas musicais usadas em diversas culturas Foto: Pixabay

Os fônons de longo comprimento de onda, como aqueles gerados pelas cordas de um piano, produzem o som, a oscilação mecânica que se propaga pelo ar e pode ser percebida pelo aparelho auditivo. Aliás, a palavra vem do grego fone, que também gerou as palavras fonema e telefone.

A faixa sonora contínua foi quantizado nas escalas musicais usadas em diversas culturas. A sequência de sete notas Dó, Ré, Mi, Fá, Sol, Lá, Si, representa os sete quanta de música na escala diatônica, geralmente adotada no Ocidente.

O Oriente tem uma afinidade pela escala pentatônica, equivalente às cinco notas pretas do teclado de um piano, mas há uma grande variedade de escalas em uso no Mundo, algumas com dezenas de notas musicais.

A inclusão dos bemóis ou sustenidos deu origem à escala cromática, com doze notas. As outras frequências intermediárias são usualmente descartadas da escala musical típica, mas permanecem escondidas no timbre dos instrumentos.

No Ocidente foi o matemático e filósofo grego Pitágoras, associado com mais frequência ao teorema que leva seu nome, quem, no século VI A.C., primeiro estabeleceu uma relação numérica associada à série harmônica musical. Ele usava o monocórdio, um instrumento de uma só corda, para demonstrar a formação das escalas a partir da divisão da corda em frações definidas, com pesos que produziam as tensões adequadas à produção dos diversos tons musicais.

Ao variar o comprimento e a tensão aplicada à corda do monocórdio, foram estabelecidos matematicamente os intervalos entre as notas musicais, definindo dessa forma, a série harmônica que constitui a base das primeiras escalas do mundo ocidental, os conhecidos modos gregos, que são sete modelos diferentes para a escala maior natural.

A série harmônica é assim o som resultante da vibração mecânica de um objeto, que produz uma frequência fundamental, além de outras frequências que são seus múltiplos. A composição das diferenças entre as frequências forma o intervalo de alturas sonoras e estabelece a escala musical.

Pitágoras tinha uma visão da música como ciência exata, matemática, ligada às imagens transcendentais da utopia, análoga à teoria hindu, além de cosmológica, relacionada à harmonia das esferas, a música silenciosa que seria associada aos sete corpos celestes errantes, e por isso chamados planetas, percebidos em sua época.

O Quadrivium, que compunha a segunda parte do currículo estabelecido por Platão em "A República", e que vigorou como paradigma por nove séculos, incluia a Música como uma das disciplinas obrigatórias, além da Astronomia, Aritmética e Geometria. Era o trabalho preparatório para o estudo de Filosofia ou Teologia.

O Quadrivium era precedido pelo Trivium, que tinha Gramática, Retórica e Lógica, as disciplinas ditas triviais. O estudo das sete Artes Liberais, ao longo dos séculos, incluia o Trivium e o Quadrivium. Há alguns séculos, e nos tempos atuais, compositores usam Matemática para produzir, ou inspirar, suas músicas, um retorno à gênese helenística do som.

Interessante notar que o estudo da Música começou com um instrumento de uma só corda, como o singelo e famoso berimbau, que é a base da mistura de dança e arte marcial conhecida como capoeira, e define tanto seus movimentos quanto seu ritmo. Para tocar berimbau, curiosamente, é preciso dominar sete componentes, a baqueta, o dobrão, a cabaça, a verga, a corda, a amarração da cabeça e o caxixi.

O berimbau foi também tema de uma das músicas mais emblemáticas de Baden Powell e Vinícius de Moraes. Ela deu origem aos famosos afro-sambas, que praticamente criaram uma escola de composição musical própria, que enriqueceu sobremaneira o cancioneiro popular do Brasil.

*As colunas assinadas não refletem, necessariamente, a opinião do NE10

PALAVRAS-CHAVE: difusão música notícias som notas

Difusão Marcelo S. Alencar Marcelo Sampaio de Alencar é professor titular da UFCG e presidente do Instituto de Estudos Avançados em Communicações (Iecom).. Email: sampaio.alencar@gmail.com e no twitter: @marcelosalencar

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