Difusão

Vidas e Teorias Passadas

Publicado em 12/08/2017, às 19h52 | Atualizado em 12/08/2017, às 20h02

Por Marcelo Sampaio

 / Foto: Reprodução/Internet

Foto: Reprodução/Internet

O déjà vu é uma forma de ilusão da memória que leva a pessoa a crer já ter visto algo, ou vivido uma situação, que, de fato, é nova ou desconhecida. O nome científico é paramnésia, sendo mais comum do que se pensa na população. 

No passado, o fenômeno era explicado com base em teorias espíritas, considerando que o que fosse visto ou emocionasse, em encarnações passadas, ficaria gravado em alguma parte do cérebro perispiritual. Assim, em algumas ocasiões, a paramnesia emergiria na consciência desperta. 

Poderia ser, por outro lado, uma manifestação mediúnica, caso o médium entrasse, em algum momento, em um transe rápido, e captasse a projeção de um pensamento emitido por um espírito desencarnado.

Para Sigmund Freud, as cenas que parecem familiares seriam visualizadas nos sonhos e depois esquecidas. Isso seria, segundo sua interpretação usual, resultado de desejos reprimidos ou de memórias relacionadas com experiências traumáticas.

No campo da medicina, os especialistas no assunto não sabem exatamente por que ele ocorre, mas estudos mostram que, quando a sensação de familiaridade com situações, lugares ou pessoas desconhecidas é frequente e intensa, ela pode indicar um dos sintomas da epilepsia, uma doença que atinge 1% a 2% da população mundial.

As conclusões desses especialistas decorrem de testes feitos com estimulação elétrica da região do lobo temporal de pacientes com epilepsia, que eventualmente reproduzem o déjà vu, indicando, de alguma maneira, uma ligação entre a doença e o fenômeno.



Atualmente, a emergência de modelos de funcionamento do cérebro baseados em computação e rocessamento de sinais, permite uma explicação mais prosaica, e lógica, para o déjà vu.

O cérebro não tem como identificar datas, a não ser por associação com eventos definidos no tempo, como aniversários, reuniões, novelas, para citar alguns exemplos. Isso significa que nem sempre é possível distinguir o que é novo do que já era conhecido.

Um evento que tenha ocorrido há décadas pode ser vivenciado com tanta intensidade, que passa a impressão de ter acontecido há poucos minutos, ou segundos. Mas, os circuitos neuronais levam algum tempo, alguns milissegundos, provavelmente, para processar a informação, e reconhecer uma cena, por exemplo.

Porém, o tempo para apenas registrar uma informação, como uma imagem, é bem menor. O déjà vu ocorreria, então, quando o cérebro começasse a reproduzir, na memória consciente, uma informação registrada recentemente, referente à cena captada há pouco, que apareceria como uma memória atemporal, e entraria em choque com o que o indivíduo estaria vendo naquele momento.

Suponha todo o processo em câmera lenta, para entendê-lo melhor. A pessoa que está chegando a determinado ambiente vê uma cena, e o cérebro armazena a imagem, sem processá-la. Quando a mesma imagem vai, aos poucos, sendo processada pelo córtex cerebral, onde reside a consciência, para que o indivíduo reconheça a cena, identificando as pessoas, por exemplo, ela pode encontrar a memória da imagem
já registrada.

O cérebro, que não tem consciência da época em que a memória foi efetivamente gravada, apenas compara as duas, e emite um sinal de que aquela cena já havia sido vista, ou seja, o déjà vu. Claro, há fatores, como fadiga, estresse, traumas emocionais, excesso de álcool e drogas, que podem aumentar o efeito, visto que retardam o processamento pelo cérebro. 


*As colunas assinadas não refletem, necessariamente, a opinião do NE10

PALAVRAS-CHAVE: difusão notícias

Difusão Marcelo S. Alencar Marcelo Sampaio de Alencar é professor titular da UFCG e presidente do Instituto de Estudos Avançados em Communicações (Iecom).. Email: sampaio.alencar@gmail.com e no twitter: @marcelosalencar

Continue Lendo

COMENTE ESTA MATÉRIA

Nome:
E-mail
Mensagem

O comentário é de total responsabilidade do internauta que o inseriu. O NE10 reserva-se o direito de não publicar mensagens com palavras de baixo calão, publicidade, calúnia, injúria, difamação ou qualquer conduta que possa ser considerada criminosa.

Vitrine NE10
Vitrine NE10
Fechar vídeo