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Como submarinos se comunicam

Publicado em 15/12/2017, às 21h44 | Atualizado em 15/12/2017, às 21h49

Por Marcelo Sampaio de Alencar

O submarino precisa estar em uma profundidade que permita içar o periscópio para manter uma comunicação de maneira permanente / Foto: Pixabay

O submarino precisa estar em uma profundidade que permita içar o periscópio para manter uma comunicação de maneira permanente Foto: Pixabay

O recente acidente com o submarino da marinha argentina causou uma comoção internacional, e levantou questões relativas à comunicação submarina.

O submarino funciona bem como plataforma de vigilância, informação e alerta, porque ele pode entrar em uma área para observar e coletar informações sem ser visto. Os satélites e as aeronaves dependem do clima para operarem com precisão, são prejudicados pelas nuvens, por exemplo, e têm pouca capacidade de observar objetos subaquáticos.

Entretanto, para um submarino manter uma comunicação de maneira permanente ele precisa estar em uma profundidade que permita içar o periscópio, para que ele fique acima da linha da água, e manter o mastro de comunicação, que suporta a antena, levantado.

Isso é necessário porque as ondas eletromagnéticas, nas faixas usuais de comunicação, usam frequências com baixa penetração na água do mar, que é um eletrólito condutor. Como consequência elimina-se a vantagem tática do submarino, considerando que a furtividade é importante nesse tipo de operação.

Sistemas de radiofrequência

O submarino se comunica por diversos sistemas de radiofrequência (RF), em faixas diferentes destinadas ao uso militar. Os sistemas de comunicações a bordo incluem antenas de RF, receptores e transmissores. As antenas submarinas, são projetadas para as condições extremas de operação e o projeto deve, claro, disfarçar sua aparência.

Os sistemas com frequências ultra-elevadas (UHF), na faixa de 300 HMz a 3 GHz, em que operam também a televisão e os aparelhos celulares, têm uma taxa de transmissão alta, em geral para comunicação com satélites, mas requerem a exposição do mastro, o que reduz a furtividade e coloca o submarino em risco.

As antenas de frequências extremamente baixas (ELF), de 3 Hz a 30 Hz, conseguem penetrar a água marinha por algumas dezenas de metros, mas permitem apenas taxas de transmissão muito baixas, de algumas palavras por minuto, e requerem antenas muito grandes, com alta potência, possibilitando somente a transmissão da base, geralmente em terra, para o submarino. Mas o submarino pode ficar escondido, a dezenas de metros de profundidade.

A faixa de frequências muito baixas (VLF), entre 3 kHz e 30 kHz, tem menor penetração, apenas alguns metros, uma taxa de transmissão maior, mas um grau de furtividade menor, com problemas similares de transmissão.

Submarinos que usam sistemas convencionais de comunicações só podem ser contactados em intervalos de tempo pré-programados, quando navegam em profundidade periscópica, o que põe a tripulação em risco, no caso de águas hostis. O período em que o submarino fica submerso, portanto incomunicável, limita sua capacidade de ação, quando é preciso mudar os planos rapidamente.

O sistema mais moderno de comunicação submarina é conhecido como Sereia Profunda (Deep Siren), e foi projetado para usar bóias conversoras que transmitem sinais acústicos para o submarino, a partir de comunicações em radiofrequência recebidas de uma rede de satélites. Dessa maneira, podem trocar mensagens com submarinos submersos em qualquer profundidade, a distâncias de até 240 km, dependendo das condições acústicas de propagação no mar.

Os sinais acústicos, que penetram com certa facilidade na água, são recebidos pelo sistema sonar do submarino e são convertidos em mensagens de texto no receptor.

As bóias são lançadas pelo sistema de eliminação de lixo do submarino, têm aproximadamente 13 cm de diâmetro e um metro de comprimento, contendo antenas que recebem sinais da constelação de satélites Iridium. Elas permanecem à tona por um período máximo de três dias. Assim, o submarino pode criar uma rede acústica própria de comunicação.

O Deep Siren foi desenvolvido pela empresa americana Raytheon, em cooperação com a escocesa RRK Technologies e a Ultra Electronics Maritime Systems, do Canadá.

Possivelmente por navegar submerso, quando a explosão a bordo ocorreu, não houve possibilidade de comunicação entre o submarino argentino e a base da marinha. Pode-se especular que o submarino não dispunha de um sistema de comunicação acústica.


*As colunas assinadas não refletem, necessariamente, a opinião do NE10

PALAVRAS-CHAVE: difusão submarino notícias

Difusão Marcelo S. Alencar Marcelo Sampaio de Alencar é professor titular da UFCG e presidente do Instituto de Estudos Avançados em Communicações (Iecom).. Email: sampaio.alencar@gmail.com e no twitter: @marcelosalencar

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