
Após anos a fio em que as primeiras colocações no Vestibular da UFPE eram conquistadas por cursos tradicionais como medicina e direito, a seleção de 2011 trouxe como maior surpresa os três primeiros lugares gerais ocupados por candidatos ao curso de música. Outra novidade histórica é que as oito primeiras notas da listagem geral são de estudantes de escolas públicas.
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"Eu achava que não podia me comparar com os candidatos de medicina, mas essa minha conquista fica como exemplo de que nós, alunos de escolas públicas, podemos chegar lá. O importante é não desistir, não desacreditar do próprio potencial e 'sugar' ao máximo o que os professores têm a nos ensinar. Também é importante confiar em Deus, eu fiz a minha parte, mas sem dúvida o mérito é dele", avalia com humildade Davi Barbosa Campos, 21 anos, aluno da escola estadual Marechal Costa e Silva, em Abreu e Lima, clarinetista há quatro anos da Orquestra Sinfônica Jovem.
O reitor da UFPE, Amaro Lins, defendeu que o resultado é uma benfazeja repercussão de que a valorização do conhecimento seja democratizada, e que músico deve ser tão valorizado quanto um médico, advogado ou engenheiro. Argumentou ainda que há uma atual política da instituição de reconfigurar o curso. Será feito um novo prédio no Campus somente para o ensino de música, com projeto acústico elaborado pelo mesmo arquiteto que projetou a Sala São Paulo, uma das mais referenciadas do Brasil.
O cálculo da nota final para o candidato de música é diferencial. Além das notas do Enem, a primeira fase do vestibular leva em consideração a nota da prova de Solfejo, etapa prática de conhecimentos melódicos. O primeiro lugar geral e outros candidatos aos mesmo curso conseguiram a nota máxima no exame específico, o que elevou suas notas em relação aos outros alunos avaliados somente pelo resultado no Enem. Davi, por exemplo, obteve no Enem argumento entre 500 e 600 pontos, considerado regular.
Na segunda fase, Davi Barbosa Campos conseguiu a façanha inédita de também tirar 10 na prova prática de execução de instrumento. Tal nota também é pontuada na média final da segunda fase, juntamente com os números de português, língua estrangeira e história. Ao fim, 8,5923 foi a nota que Davi viu publicada no listão.
O fera, o segundo e o terceiro colocados foram ainda contemplados com um acréscimo de 10% na nota final, graças ao critério imposto em edital de que o aluno que prestou todo o ensino médio de escola pública tem direito a um bônus de 10% da nota em seu resultado total. Neste ano, o bônus foi estendido para o aluno de qualquer escola do País, não mais apenas para pernambucanos.
"Estamos dizendo à sociedade que a política de inclusão social adotada é bem sucedida. São alunos que provaram que têm competência para serem alunos das universidades federais públicas. No caso do curso de música, a perspectiva de avaliação e de aferiação dos resultados também passou desde o ano passado a levar em consideração o resultado de habilidade específica. Antes entravam muitos alunos que tinham pouca experiência e intimidade com o instrumento, hoje a seleção é mais adequada ao aluno que tem talento", avalia a professora Lícia Maia, presidente da Covest.
O processo de aferição do resultado final e a obtenção diferencial de nota para o curso de música promete causar polêmica. Há o questionamento de que a aplicação de uma prova de outra natureza, neste caso a prática, para um grupo específico, coloca em xeque o princípio da isonomia na avaliação e no ranqueamento das colocações.
Na concorrência da seleção do ano passado, música/licenciatura registrou cinco candidatos disputando uma vaga. Já bacharelado em música/instrumento/clarinete, que garantiu o primeiro lugar para Davi, teve apenas quatro candidatos por vaga. Medicina, que tradicionalmente ficava com os primeiros lugares, teve quase trinta candidatos por vaga. Antes dos novos critérios estipulados desde a edição 2010 do vestibular, música, um curso não tão concorrido, nunca figurou entre os primeiros colocados anteriomente. Veja o histórico dos primeiros colocados na UFPE.
| HISTÓRICO DOS PRIMEIROS COLOCADOS DA UFPE | |
| 2011 | Música (BAC), M úsica (LIC), Música (LIC) |
| 2010 | Jornalismo, Direito, Engenharia |
| 2009 | Física (BAC), Direito, Engenharia da Computação |
| 2008 | Engenharia Civil, Medicina, Ciência da Computação |
Ver um jovem de escola pública se destacar e conseguir 1° colocação é motivo de orgulho para todos aqueles que sabem o que é luta... Os "filhinhos de papai" não sabem o que significa isso e tentar explicá-los é mais complicado ainda. Existe infelizmente total, digo TOTAL DESCASO COM OS MAIS POBRES E AQUELES QUE NÃO ESTÃO NUM MOTIVO, GGE, CONTATO, entre outros... CAros, 2011 está aí, vão estudar mais!!!! Parabéns ao 1° lugar, vc é 10!
Concordo, com o(a)colega acima, precisa-se acabar com este mercado de educação. Pais procuram escolas apenas por que esta teve o primeiro colocado do vestibular, ou teve a maior porcentagem de aprovação entre os alunos que concorreram para vestibulares difíceis do país:ITA e IME. Não há MOTIVO pra se discutir o mérito do músico, fez uma prova e tirou 10. O que há pra discutir aqui?Foi mérito. Ponto final. Agora se os senhores "donos de cursinhos", "professores show", Grupos de Gosto Escolar ficam chateados por que seus lucros no próximo ano poderão ser menores...invistam em seus sérios profissionais, deixem de contratar PALHAÇOS profissionais para darem aulas e enganarem a maioria com a mentira de que estão ensinando.
Não questiono o talento dos feras de música, mas não é justo que haja um critério diferenciado para eles, apenas. Claro que isso prejudica todos os demais
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