
O Ministério Público Federal no Espírito Santo (MPF/ES) ajuizou na tarde desta quinta-feira (4) uma ação civil pública com pedido de liminar contra o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) para que os inscritos para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) possam utilizar no exame relógio mecânico, lápis, borracha e apontador.
O autor da ação é o procurador da República André Pimentel Filho, da Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão. Ele quer que a Justiça anule, inicialmente em caráter liminar, os trechos do edital que tratam da proibição do uso de relógio analógicos, lápis, borracha e apontador. Para o MPF, não é razoável proibir a utilização desses materiais. De acordo com o procurador, o uso de relógio na prova é fundamental, já que um dos elementos de dificuldade do Enem é exatamente o controle do tempo para a resolução da prova.
Já em relação à proibição da utilização de lápis, borracha e apontador, o procurador considera que não há qualquer lógica nessa determinação, por não representarem sério risco de fraude. O procurador ressaltou ainda que em qualquer prova, especialmente as que têm cálculos e redação, o estudante precisa usar tais materiais para que tenha um bom desempenho e se sinta seguro diante do exame. "As medidas de
segurança estão virando paranoia sem sentido", afirmou.
Para o MPF, o Inep ignorou as fundadas críticas e reclamações sobre essas questões ao se limitar a informar que as restrições são em nome da segurança , quando deveria ter dialogado de forma aberta com as partes interessadas. O procurador considera que os transtornos causados estariam remediados se o órgão tivesse determinado em tempo hábil que em cada sala haveria um relógio de parede e que seria fornecido aos alunos material de rascunho para fazer cálculos e o esboço da redação.
CONTROLE DO TEMPO - Antes de ajuizar a ação civil pública, o MPF havia pedido que o Inep informasse sobre o método a ser utilizado pela instituição para informar aos participantes do exame do tempo da prova durante a sua realização. Segundo o MPF, a resposta só veio no início da noite desta quarta-feira (3).
O Inep informou que o tempo será controlado por um sinal sonoro na abertura da prova, um aviso oral quando faltar meia hora para o término do tempo e outro sinal sonoro ao final, sendo que o aluno poderia também perguntar o horário aos aplicadores. Tal procedimento foi considerado insatisfatório pelo MPF.
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