Os relógios marcavam 15h20, quando os mais pesados, de um grupo de 100 embarcações presentes no Porto do Recife, desfilaram rumo a um dos arquipélagos mais badalados do Brasil. E assim a Regata Internacional Recife-Fernando de Noronha, este ano comemorando a sua 21ª largada, cumpriu, neste sábado, mais uma vez a sua sina: manter-se como a principal corrida oceânica do Brasil e mostrar a beleza dos veleiros que partem em busca de aventura e, também, do tão sonhado troféu de primeiro lugar geral da competição, o Fita Azul.
Encostados no guarda-corpo da praça do Marco Zero, no Centro do Recife, o público delirava a cada passagem dos navegadores. Nos camarotes montados à beira do cais, a animação era a mesma. Acenos, aplausos e gritos, tudo era motivo para mostrar o contentamento de estar participando da festa pernambucana.
A cumplicidade entre tripulação e as pessoas em terra firme aumentava a cada largada – foram quatro, ao todo, começando pelos barcos de passeio, encerrando com os mais leves e velozes, casos do Ave Rara e do Netuno, que devem disputar o título. “A regata reúne pessoas, o porto fica mais bonito. Estou gostando de tudo”, afirmou Ille Bandeira, da comunicação institucional da Petrobras, que prestigiou a Refeno pela terceira vez.
A saída da corrida oceânica reuniu personalidades da cena pernambucana. O secretário de Esportes do Estado, George Braga, nunca havia assistido ao evento, mas aprovou e ficou animado com o sucesso da Refeno, idealizada pelo velejador Maurício Castro, falecido no início do ano. “O que me deixa feliz é ver como a cada ano a regata se consolida tanto no Brasil como no mundo”, comentou Braga. “Tornou-se uma referência”, observou.
Das 13 categorias de barcos, a mais leve, formada por trimarães (três cascos) e catamarães (dois cascos), saiu perto das 17h. Nela, dois pernambucanos tentam o título geral: o Ave Rara e o Netuno. Capitaneado pelo comodoro do Cabanga Iate Clube, Cláudio Cardoso, o Netuno quer quebrar recordes. A intenção é chegar a Fernando de Noronha antes de 14 horas de viagem – ao todo, são 300 milhas náuticas (540 km), feitas pelo baiano Adrenalina Pura, de fora da edição deste ano, em 14h34.
“Áreas de baixa pressão se formaram no oceano por causa da chuva que caiu ontem. Os ventos estão fracos. Para velejar com tranquilidade é bom. Mas para quebrar o recorde fica mais difícil. Mas vamos fazer tudo para que o Netuno possa bater a marca”, afirmou o Cláudio Cardoso. Vale até mudar um pouco o trajeto normal. O comum é velejar até João Pessoa e traçar uma linha reta até o arquipélago. Mas para ganhar tempo, a tripulação deve partir em direção de Noronha direto do Recife.
“Todos estão empolgados com a movimentação da Refeno. Eu fiquei pouco no barco porque tive de fazer o meu papel de comodoro. Mas espero que dê tudo certo. A vontade que tenho de quebrar este recorde e trazer o Fita Azul para o Estado é grande”, finalizou.