Voto

Muitos eleitores resistem em trocar o domicílio eleitoral

Publicado em 26/07/2012, às 10h54 | Atualizado em 21/07/2014, às 18h10

Richard WagnerDo NE10

Em busca de melhores condições de vida, muitos brasileiros deixam as suas cidades de origem e procuram cidades maiores. Nas malas, roupas e sonhos, mas grande parte dessas pessoas não se desvincula totalmente de suas raízes. Elas deixam para trás algo muito importante para a cidadania: o voto. Esses eleitores nem sempre comparecem a suas seções eleitorais, toda eleição justifica, mas fazem questão de não transferir o título. Outros fazem questão de votar, mesmo com a distância.

Exemplos de casos não faltam. A pedagoga Ana Paula Lira tirou seu título em Arcoverde, cidade natal localizada no Sertão de Pernambuco. Ela já morou em Petrolina e mora no Recife há 12 anos, mas nunca transferiu sua seção eleitoral. Segundo ela, o sistema democrático do Brasil é falho e os políticos não merecem o seu voto. "Não acredito em um sistema democrático onde as pessoas são obrigadas a votar. Além do mais, os políticos da atualidade são todos corruptos. Como a justiça eleitoral me obriga, justifico, e não transferirei meu título nunca; não faço a mínima questão de votar", afirmou.

Já a publicitária Larissa Santiago veio morar no Recife em fevereiro deste ano e já pretende transferir o título. A seção eleitoraldeleé em Carlos Simões, Região Metropolitana de Salvador; e, mesmo assim, ela vai votar. "Não consegui transferir meu título nesta eleição, infelizmente eu perdi a data. Mas vou exercer minha cidadania e votar na minha cidade mesmo. Gosto de votar e irei transferir meu titulo para Recife assim que puder, gosto de escolher os governantes da cidade que eu moro" comentou a publicitária.

Casos como esse também acontecem na própria Região Metropolitana do Recife, uma das maiores do país. O engenheiro Marcos Cavalcanti mora no bairro de Candeias, em Jaboatão dos Guararapes, há sete anos. Mesmo assim, vota a mais de 40 km de sua residência, em Igarassu, no Grande Recife. “Não pretendo transferir o meu título, pois em Jaboatão não há nenhum candidato ou partido que se preocupe com a população. Prefiro votar em Igarassu mesmo, lá pelo menos o prefeito faz palestras nas comunidades sobre educação, saúde e segurança, além de investir em qualificação profissional. Distância nunca foi empecilho para que eu exerça a minha cidadania” comentou Marcos.

Para a juíza eleitoral de Jaboatão dos Guararapes, Karina Aragão, mudar a seção eleitoral quando trocar de cidade de residência é uma questão de cidadania. “A partir do momento em que o eleitor muda o seu município, ele automaticamente passará a usufruir da municipalidade daquele local. Não faz sentido eu morar no Recife e votar em São Paulo. Eu tenho que votar onde eu moro, para escolher os meus governantes, pessoas que podem fazer algo por mim” explicou a juíza.

No Brasil, o voto é obrigatório para todos os cidadãos maiores de 18 anos e facultativo para analfabetos, maiores de 70 anos e jovens entre 16 e 18 anos. Perante a justiça eleitoral, morar em uma cidade e votar em outra não resulta no cancelamento do título mesmo que o eleitor deixe de votar - para isso basta justificar a ausência no dia da eleição nas diversas seções eleitorais do País.

PALAVRAS-CHAVE: eleições 2012

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