Jornada escolar

Oferta de ensino integral cresce em escolas particulares do Recife

Publicado em 03/04/2013, às 15h25 | Atualizado em 20/07/2014, às 13h35

Isabelle FigueirôaDo NE10

Realidade cada vez mais presente na educação brasileira, as escolas em tempo integral crescem não apenas na rede pública de ensino mas também entre as unidades particulares. Em Pernambuco, 130 mil estudantes dos cerca de um milhão da rede estadual permanecem nas escolas durante os dois turnos no ensino médio. Escolas privadas do Recife começam a oferecer ou intensificar esse serviço.

O debate é reforçado no momento em que foi promulgada a proposta de emenda à Constituição que amplia os direitos trabalhistas das empregadas domésticas, conhecida como PEC das Domésticas, a partir da qual ter uma funcionária em casa ficará cada vez mais oneroso. Muitos pais já pensam em deixar seus filhos o dia inteiro na escola, abrindo mão das babás.

A ideia do ensino integral é estender a permanência do aluno no ambiente escolar aliando apoio pedagógico, orientação educacional e reforço escolar. Já experiente com esse tipo de ensino, o Colégio Santa Maria retomou a educação integral há oito anos e vem ampliando a oferta. A diretora Rosa Amélia Muniz acredita que a procura dobrou nesse período. "Com essa legislação nova é todo momento os pais procurando a educação integral para as crianças menores e não há mais vagas", afirma. Após o término das aulas, os alunos da educação infantil e fundamental I fazem as tarefas e participam de atividades como artes, esportes, balé, música, inglês, horta e gastronomia. Os pais desembolsam R$ 1.980 para deixar os filhos no horário integral, das 7h às 17h.

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"Não queremos apenas ocupar o tempo livre do aluno, mas oferecer atividades que contribuam para seu desenvolvimento acadêmico e social. O ensino integral ajuda a torná-lo mais independente e disciplinado", explica a coordenadora do Colégio NAP, Fabiana Murakami. Lá são realizadas ações como orientações individuais, simulados sistematizados, aulas específicas por área do conhecimento, criação de horários de estudo, planilhas de apoio e relatórios, trabalhos para desenvolvimento da lógica e atividades extracurriculares. O investimento é de R$ 1.815, de segunda a sexta, em ambos os turnos do ensino médio.


O Colégio Motivo implantou o sistema integral de ensino neste ano e pretende ampliar, já que a procura é grande
Foto: Lara Amorim/Divulgação

Pegando carona nessa tendência, o Colégio Motivo passou a oferecer o serviço neste ano e pretende ampliar, já que a procura tem sido grande. "É um projeto piloto do 1º ao 5º ano do Fundamental I, no qual as crianças participam de atividades complementares como acompanhamento de tarefas, inglês, esportes, dança, robótica, xadrez, jogos eletrônicos, música e recreação", explica o diretor Eduardo Belo. Para ele, a dificuldade é conciliar a educação formal com os cuidados em higiene e alimentação, que eram desempenhados pela família. As crianças ficam na escola das 7h10 às 17h30 a partir de uma mensalidade de R$ 1.536.

O Colégio Damas também adotou o novo sistema de ensino com o nome de Tempo Complementar, no qual o aluno participa de atividades educativas e de lazer no contraturno. "Se estivesse em casa, minha filha ia ficar a manhã inteira na TV e eu ainda iria pagar mais caro por uma babá, mas no colégio, ela faz esportes, inglês, iniciação científica e recebe apoio pedagógico", disse a webdesigner Silvia Morais, mãe de Gabrielle, aluna do 1º ano do fundamental, que fica das 7h30 às 18h no Damas. Ela paga R$ 486 para deixar a menina três dias da semana.

LEGISLAÇÃO - A adesão de mais escolas públicas e particulares ao ensino integral deve ser uma questão de tempo. Em trâmite no Congresso, o Plano Nacional de Educação (PNE) prevê que, até 2020, metade das escolas amplie a jornada escolar diária para o mínimo de sete horas.

PALAVRAS-CHAVE: educação

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