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Pernambuco - 16.04.14 - Atualizado às 13h21

ai, se eu te pego

Onipresente, sucesso de Michel Teló nasceu na Bahia

Publicado em 06.01.2012, às 20h17

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A animadora Sharon Acioly e o empresário Antônio Dyggs compuseram Ai, se eu te pego
Arte sobre fotos: Érika Simona/ NE10
Gustavo Maia Do NE10/Bahia

No princípio era um funk. Cerca de três anos depois, um megahit mundial em ritmo de sertanejo. Até chegar ao topo das paradas de vários países na voz do cantor paranaense Michel Teló, "Ai, se eu te pego", música mais onipresente dos últimos meses, percorreu um longo caminho de mudanças e sucesso em diversas cidades da Bahia. Nenhum dos envolvidos imaginava a dimensão que a canção ganharia globalmente. Mas, na onda do hit, todos os envolvidos já começaram ou esperam começar a colher os frutos do sucesso.

Começou assim. Em 2008, durante uma brincadeira de palco, a animadora carioca Sharon Acioly, de 41 anos - que há 15 vive em Porto Seguro, no Sul do estado -, apresentou ao público pela primeira vez os versos "Nossa, nossa, assim você me mata / Ai se eu te pego, ai ai se eu te pego". Ao fundo, tocava a batida do funk carioca. A dança que ajudou a tornar a música famosa em todo o mundo também foi criada neste momento. "Eu instigava a mulherada a cantar para os dançarinos (do complexo de lazer Axé Moi) e era uma loucura. No palco, nós temos uma espécie de termômetro. Quando todo mundo, sem exceção, levanta para dançar, dá para ter mais ou menos a noção de se a coisa está fazendo sucesso ou não", contou a animadora, por telefone, diretamente de Porto Seguro.

E Sharon sabe bem o que é pelo menos uma dose de sucesso. No mesmo 2008, outra brincadeira de palco virou música e se transformou em um dos maiores hits da internet e das pistas de dança do ano: "Cada um no seu quadrado". Um clipe da música produzido pela equipe do site de humor KibeLoco já alcançou mais de 18,2 milhões de visualizações no YouTube. Sharon participou de alguns programas de televisão do país, entre eles o Caldeirão do Huck, o Domingo Legal, o Programa do Gugu. Neste último, ela chegou inclusive a cantar o refrão de "Ai, se eu te pego". Mas, mesmo tendo sentido na pele o impacto do êxito nacional, ela nem sequer imaginava o que viria a acontecer com a música anos depois.

Depois de criar o refrão - e uma camiseta com os famosos versos, "um sucesso de vendas", segundo Sharon -, a animadora resolveu completar a música com uma homenagem aos seus dançarinos. "Passeando pela praia, um lindão, corpo sarado / Eu logo reparei, no seu corpo tatuado / cabeça raspadinha, com carinha de neném / passou me dando mole, hoje eu vou me dar bem e eu disse...", canta Sharon na primeira estrofe antes do "nossa, assim você me mata". Em seguida, mais versos provocativos: "Entre um mergulho e outro, acelera coração / passo tirando onda, que delícia de negão / um beck invocado, assim perco o juízo / deu mole pra caralho, essa praia é o paraíso e eu disse..."

Motivada pela onda de "Cada um no seu quadrado", Sharon gravou um clipe da música, classificado até pela própria cantora como "tosco". Tendo em vista os mais de 102 milhões de acessos da versão de Michel Teló no YouTube, o vídeo não fez tanto sucesso assim. Tem pouco mais de 45 mil visualizações.

FORRÓ - "Ai, se eu te pego" estava prestes a ganhar nova roupagem e estrofes diferentes. Em 2009, O empresário e professor de inglês Antônio Dyggs, que mora em Feira de Santana, a cerca de 100 quilômetros de Salvador, ouviu de amigos o refrão que animava Porto Seguro e teve a ideia de usá-lo em uma música de forró. Proprietário de uma casa de shows chamada Kabana's, que promovia uma noite dedicada ao estilo nordestino todos os sábados, ele conta que, certa noite, estava bebendo e começou a batucar na mesa, cantando "sábado no Kabana's". Estava pronto o primeiro verso da versão original em forró. Futuramente, para dar um caráter mais nacional à música, Teló substituiria "no Kabana's" por "na balada".

Com o resto da letra pronta, Gydds apresentou a música para os integrantes da banda Meninos do Seu Zeh, que é empresariada por ele e toca no Kabana's. "Metade da banda na época chegou para mim e falou: 'rapaz, esse negócio de se eu te pego no forró não rola não, não dá certo'. Aí eu falei para me chamarem no final do show que eu dançaria. Eu subi no palco e a galera começou a gostar", contou o empresário e compositor em entrevista na qual explica a origem da música, disponível no site da banda Cangaia de Jegue.

Quando a canção começou a fazer sucesso na cidade e na região, ele contactou Sharon, levou ela e os dançarinos do Axé Moi para Feira de Santana. Em seguida, os dois registraram juntos a música que viria a se tornar conhecida por milhões de pessoas mundo afora. Em 2009, a Meninos do Seu Zeh foi a primeira banda a gravar "Ai, se eu te pego", já com um arranjo que se assemelha ao atual, só que mais lento.

CANGAIA - Antônio vê potencial na música e queria expandir seu alcance. Ofereceu a algumas bandas de forró do estado, mas todas recusaram até que o vocalista da Cangaia de Jegue, Norberto Curvello, que estava no Kabana's fazendo um show em 2010 e se interessou pela música. E particularmente pela dancinha que a acompanhava. "Já fui professor de swing baiano e dançarino de Sheron na década de (19)90. Já conhecia 'Ai se eu te pego' em funk, mas nunca tinha pensado em transformar em forró. Achei muito boa a ideia de juntar forró e coreografia, muito diferente", lembra Norberto. Duas semanas depois, a Cangaia, que nasceu em 2002, no interior do estado, e se mudou para Salvador em 2006, fez um arranjo próprio (dois tons acima, segundo o vocalista), adicionou um solo e começou a tocar.

O sucesso foi tão grande no São João de 2010 que o grupo resolveu gravá-la em um CD que ainda tem o mesmo nome da música. E fazer um clipe. No YouTube, o vídeo estourou e já tem mais de 3,5 milhões de acessos. "Ai, se eu te pego" tinha conquistado a capital baiana e o resto do estado. A banda, que também é responsável pelo sucesso "Dança do Ice", aquele dos versos "Gatinha, cê gosta mais de Red Label ou Ice?", gravou quatro álbuns independentes e no momento está produzindo o primeiro CD por um gravadora, a Som Livre, que ainda não tem nome definido.

ESTOURO - Depois do estouro estadual, a banda de forró Garota Safada também solicitou autorização para gravar a canção e ajudou a espalhar a música pelo Nordeste. Segundo Antônio Gydds, "Ai, se eu te pego" chegou, por acaso aos ouvidos de Michel Teló. Em entrevista ao jornal Correio da Bahia, de Salvador, publicada nesta sexta-feira (6), Dyggs contou que o sertanejo ouviu o forró em Cruz das Almas, no interior do estado, durante o São João do ano passado, quando uma moça da produção passou cantarolando o refrão. O paranaense então procurou os compositores, pediu autorização - prontamente concedida - e, em julho, lançou o clipe ao vivo da música.

Em novembro último, Teló convidou Sharon, Antônio e os integrantes da Meninos de Seu Zeh para uma apresentação em São Paulo. Os encontros foi com os compositores e com os músicos foram registrados pelo empresário de Feira de Santana e publicados no seu canal no YouTube. "Tamo junto aqui. Graças a Deus eles me presentearam com uma canção que acabou virando hit", declarou o sertanejo. "Mundial!", frisou Sharon.

A proporção do sucesso deixou Sharon "meio abismada". "Só estorou mesmo, de verdade, quando Michel Teló botou a mão. Eu tive certeza que iria virar hit nacional o vídeo dele recebeu mais de 1 milhão de views em menos de uma semana. Depois, de um dia para o outro o número de visitas quadriplicou", comentou a animadora. A reportagem do NE10/Bahia tentou falar com Dyggs, mas o telefone estava desligado durante toda a sexta-feira (6).

DINHEIRO - É de se esperar que tanto êxito já tenha se revertido em alguma compensação financeira, certo? Errado, garante Sharon. "Ainda não recebi um centavo. Mas devo começar a ganhar em breve. Isso depende de muitos trâmites burocráticos", explica a animadora. Mas não é bem isso que está dizendo a imprensa baiana. O Correio da Bahia divulgou que, segundo informações de profissionais do meio musical, os compositores ganharam R$ 240 mil, cada, nos últimos seis meses. A estimativa vai além. Com o sucesso global, cada um deverá receber em torno de R$ 1,5 milhão, especula o jornal. "Já tem gente me pedindo dinheiro na rua por causa dessa reportagem", brincou Sharon.

A reportagem tentou entrar em contato com a produção de Michel Teló, sem sucesso.

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De: BillyNelson- 06/01/2012 21:46

Meu Deus!!! Aonde é que vamos parar... Uma letra dessas sucesso mundial... É deprimente!!! Realmente tem que se investir em educação...

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