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Vidas em perfil // Artista plástico

Carlos Queiroz: o artista do Facebook

Publicado em 27.05.2012, às 17h03


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Carlos Queiroz segura um dos quadros que serão expostos na Itália em setembro. A foto da obra está no perfil do artista no Facebook. Por causa da rede social, ele acaba de ganhar medalha de ouro em Portugal
Fotos: Amanda Miranda

Amanda Miranda Do NE10

Artista plástico, professor de pintura, artesão e carnavalesco. Marido de Milton, filho de dona Iraci e pai de Scooby Doo, Grace Jones e Sharon Stone – três cachorros. Essas poucas palavras tentam descrever Carlos Queiroz. Mas não são suficientes.

O homem que poderia ser conhecido por detalhes como a barba de Papai Noel preferiu apostar no talento e na inovação. Há cerca de cinco meses, decidiu sair de um período de oito anos de catarse para expor os seus quadros de arte figurativa no Facebook. Foi assim que abriu as portas para o mercado internacional. E ainda há quem não acredite no poder das redes sociais.


Uma série de quadros com a temática feminina foi produzida para a exposição na Itália

Carlos nasceu em 14 de dezembro de 1958. Começou a desenhar ainda na infância, no bairro de Tejipió, Zona Oeste do Recife, onde vive até hoje. Mas só começou a pintar aos 23 anos, depois de fazer vários cursos. "Meu primeiro professor foi Jacques Weyne. Depois, tive aulas com muitos outros mestres. Aprendi as técnicas de uma forma muito acadêmica desenhando com carvão, fazendo jogo de sombras", conta. Nessa época, o criador do Facebook, Mark Zuckeberg, ainda não havia nascido.

Mais de 20 anos depois, sem perceber o reconhecimento do público pelo seu trabalho, Carlos desistiu dos quadros. Foram oito anos se dedicando apenas ao artesanato. "Houve um tempo em que só a arte abstrata tinha valor no Recife. Mas a arte plena, mais estudada e clássica está voltando". Para Carlos, essa transformação está ligada à atual organização da sociedade. "Hoje em dia, as pessoas querem paz."

O artista cedeu à paixão pela expressão na pintura. Em outubro de 2011, quando a rede social de Zuckeberg já tinha 7 anos, ele resolveu voltar à atividade e criar álbuns no Facebook para postar as fotos dos quadros. Além disso, entrava em grupos de discussão de arte com pessoas de todo o mundo. A resposta foi imediata, com os convites para exposições coletivas em Portugal, França, Itália, Espanha, Argentina e São Paulo. Em menos de cinco meses, a vida do homem que aprendeu com os clássicos estava transformada pela tecnologia. "As pessoas usam o Face para namorar; eu encontrei nele um filão", comemora.

A intenção de Carlos agora é viver exclusivamente da pintura de quadros, mas conta que antes precisava ter certeza de que haveria o retorno financeiro. “Trouxe o desenho e a pintura comigo de outras vidas. E, quando voltei a criar quadros, tive certeza de que só quero fazer isso.”


Atualmente, Carlos Queiroz está dividido entre os quadros, o artesanato e os seus alunos de pintura

MAIS TECNOLOGIA - Entre as décadas de 1980 e 2000, Carlos Queiroz já havia feito mais de 50 mostras coletivas em várias galerias e museus do Recife, como o Museu do Estado e o de Arte Moderna Aloisio Magalhães (Mamam), além das oito exposições individuais. No entanto, os seus quadros só haviam saído do País uma vez, para ir aos Estados Unidos, quando a barba do artista ainda não tinha fios brancos e ficava rente à sua face.

Mesmo com toda essa experiência, as manias do mundo contemporêneo ainda chocam Carlos. O uso da tecnologia em todas as etapas da produção artística é uma delas. "Não se fazem nem vernissages mais. Conheço pessoas que vendem e leiloam as obras pela internet; até o convite é online."

CRIAÇÃO - "A inspiração chega e vai embora em dois minutos. Aproveito a imagem criada na minha cabeça e o resto é só transpiração." Carlos Queiroz usa atualmente a técnica de manchar as telas usando tinta e querosene para, só depois, compor as imagens. "Tenho que esperar, por mais de uma semana, a mancha secar para poder desenhar o rosto. É assim em todas as camadas. O meu é um trabalho de paciência." Ele pinta, com tinta óleo, em média quatro quadros por vez. No vídeo, ele explica como é a produção.

AMOR - Carlos Queiroz e Milton Araújo eram uma das mais conhecidas duplas do Carnaval pernambucano. Juntos, os parceiros de trabalho, diversão e amor, tornaram-se também carnavalescos. Em 1981, os dois começaram a produzir fantasias para desfilar em bailes e escolas de samba. “Inauguramos o Sambódromo, no Rio (de Janeiro), desfilando pela Portela em 1984”, afirma Carlos com orgulho. “O primeiro desfile no Recife foi quando fomos a um Baile dos Artistas vestidos de bruxos, só pela diversão. Lá, todos perguntavam que prêmios havíamos ganhado. Gostamos do elogio e voltamos”, completa Milton. O artista mostra, no vídeo, o álbum de fotos - ainda não digitalizadas para serem postadas no Facebook - dos tempos de Carnaval.

Foram 25 anos ganhando prêmios no Balmasqué e no Municipal, faltava apenas o 1º lugar de originalidade do Baile Municipal, alcançado em 2006. Foi quando os já famosos Carlos Queiroz e Milton Araújo resolveram desistir da vida de carnavalescos para montar a "EuQFiz", empresa de artesanato responsável pelo sustento da família.

“Adorava o Carnaval, mas era muito caro e consumia muito tempo. Quando montamos a EuQFiz, foi o contrário”. Cada um é responsável por uma etapa de produção. Primeiro, Carlos esculpe as peças no barro e as entrega para Milton fundir em ferro ou aço; depois, vem a pintura e os ajustes finais. “Somos muito organizados e disciplinados. O artesanato nunca deu briga”, diz Carlos. Quando ficam prontas, as peças são vendidas em feiras, como a Feira Nacional de Negócios do Artesanato, a Fenearte.


Segundo Carlos, são vendidas cerca de 250 peças em feiras como a Fenearte

O casal tem três cachorros como filhos, que são cuidados pela mãe de Carlos. "Já pensamos em adotar uma criança, mas temíamos que ela sofresse preconceito", conta. Apesar de ter escolhido Scooby Doo, Grace Jones e Sharon Stone como seus filhos, é a favor da adoção por pais homossexuais. "Nunca sofri preconceito, porque as pessoas acabam enxergando apenas o meu lado profissional. Só tive medo que a criança sofresse. Mas esse é um problema que os heteros também passam. Afinal, todos podem escolher entre o equilíbrio e a falta de seriedade e o que leva à falta de respeito é a segunda opção."

GALERIA
"Na obra de Carlos Queiroz, fascina a suavidade das nuances cromáticas, a repentina síntese das pinceladas tão breves e de tão espontâneo requinte. No espaço de sua poética, a figura é absoluta, criaturas docemente humanas, possuidoras de uma vida interior, misteriosas, onde o real acontece com toda a magia para nos encantar", disse Hugo Urlacher. Confira algumas dessas obras:

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