
Nas salas de aula, no pátio, na biblioteca e até na sala de informática. Já se foi o tempo em que alunos e professores da Escola Estadual Professor Leal de Barros, no Engenho do Meio, Zona Oeste do Recife, precisavam de linha telefônica para acessar a internet. Lá, a conexão - e com banda larga - é feita através da tomada da energia elétrica. A experiência, fruto da parceria entre a Companhia Energética de Pernambuco (Celpe) e
pesquisadores da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), é pioneira no Nordeste.
O projeto piloto é novidade no Estado por usar um sistema de comunicação pela rede elétrica, o PLC (em inglês, Power Line Communication), que permite envio e recebimento de dados, voz e imagem pela Web. Utilizada até então apenas para testes, a tecnologia teve sua comercialização liberada pelo Governo Federal há pouco mais de um mês, em 25 de agosto de 2009. Por ter um protótipo do PLC já em uso e com resultados promissores, a Celpe deixa os pernambucanos ainda mais próximos da internet via cabo elétrico. Apesar do aval do Governo, a empresa, ainda não tomou decisão sobre o lançamento do serviço.
Segundo o coordenador da pesquisa, professor Marcos Tavares de Melo, a nova ferramenta permite que um maior número de pessoas se conecte à rede mundial de computadores. "O PLC é a forma mais viável de interiorizar e
popularizar o acesso à internet porque onde houver rede elétrica poderá existir banda larga", afirma. De acordo com Tavares, o Power Line Communication teria vantagem pelo baixo custo em sua instalação, uma vez que 99,2% dos lares de Pernambuco recebem eletricidade.
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Para implantar a nova estrutura de acesso à internet, com velocidade média de 45 Mbps, os integrantes do Grupo de Fotônica do Departamento de Eletrônica e Sistemas da UFPE tiveram que realizar pequenos ajustes na rede elétrica da escola. Os pesquisadores adequaram também bandas de freqüência em alguns trechos ruidosos para manter a qualidade do sinal.
A primeira fase do projeto, do momento da instalação até agora, utilizou o sistema PLC apenas no interior da instituição de ensino. A internet é captada da UFPE e, via ondas de rádio, levada a um poste próximo à escola.
Nesse transformador de energia elétrica, está instalado o Master Geração 1, que se encarrega de difundir a rede num raio de 800 metros. Com um modem PLC e uma tomada, qualquer ponto de dentro do colégio (sala de
informática, biblioteca ou salas de aula) é capaz de receber o sinal de banda larga. O provedor utilizado também é o da própria UFPE.
Para o pesquisador, o modelo desenvolvido na escola, que começou em 2006, já estaria pronto para ser expandido para outras áreas do Estado, mas "apresentaria ruídos em algumas localidades". Por isso, ele recomenda o uso de um aparelho mais potente por parte da Celpe - o Master Geração 3. A intenção dos pesquisadores é já utilizar o novo aparelho em breve, o que permitiria à escola trafegar na internet com velocidade de até 400 Mbps.
