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Tecnologia // Aficionados

PCs viram peça de colecionador

Publicado em 29.04.2009, às 07h52

Do JC

Quem tem computadores antigos em casa comporta-se como um colecionador de carros. Ter um velho MSX ou um Commodore 64 é como ter um velho Opala na garagem – pintura perfeita, bancos e rodas originais, motor funcionando tranquilamente.

Dá até para dar uma volta de vez em quando, mas fazer as compras com ele, nem pensar. Ocorre o mesmo com as chamadas plataformas mortas, computadores do início da década de 80 que, na época de seus lançamentos, eram o suprassumo da arquitetura e capacidade computacional, o “state of the art” (estado da arte) da computação.

Assim como os carros, esses equipamentos sobrevivem hoje pelas mãos de aficionados, que dedicam tempo, espaço e um bom dinheiro na manutenção da história da tecnologia da informação. Também como carros, peças de reposição são caras e difíceis de encontrar. Kits com chips podem passar dos US$ 100 nos sites de leilão eletrônico e novas placas-mãe chegam a US$ 700.

Já itens de adaptação e customização, como leitores USB podem passar dos US$ 300, pois são feitos sob encomenda. Mas mesmo um computador como esses em bom estado de conservação serve apenas para uma ligadinha saudosista, só para observar a tela de fósforo e ouvir o chiado dos rolos de fitas (sim, fitas) que armazenavam os códigos de processadores de texto ou até alguns jogos. Computadores completos seminovos podem ser encontrados a preços que variam entre R$ 600 e R$ 2 mil.

Um desses colecionadores é o engenheiro mecânico André França, orgulhoso proprietário de dois Commodore Amiga e um raríssimo NeXTstation. Este último foi desenvolvido pela empresa que Steve Jobs fundou após ter sido expulso da Apple, à qual retornou anos depois. O NeXTstation ainda hoje é usado como base da estrutura dos iMacs.

“Sou encantado com a plataforma Amiga e gosto de dizer que tenho computadores feito por Steve Jobs antes da Apple. Eles eram muito bons. O que me motiva a mantê-los é que representam a história da computação. Mas tenho a esperança de que voltem a ser usados”, comenta França.

André faz parte de uma comunidade de fãs do Amiga e chegou a comprar peças feitas por empresas de garagem ou de pequena escala sediadas no Brasil e nos Estados Unidos. Entre as modificações possíveis, conta, estão placas USB, suporte a HDs Sata e rede. Um dos principais locais para encontrar peças e fabricantes são o site de comércio eletrônico eBay e os fóruns especializados, como o AmigaBR, o AmigaKit e o Elbox.

“O que torna os equipamentos caros é a falta de escala das empresas formais que ainda fabricam as peças. E tem uns doidos que fabricam placas e outros equipamentos em casa, sob medida, mas também sai caro”, brinca o engenheiro. Ele lamenta que uma de suas máquinas já não está rodando bem. “A tela de um dos Amiga está apagada e não estou encontrando a peça de reposição”, diz.

O cientista da computação Márcio Siqueira enfrenta um problema semelhante. Dono de um MSX Hotbit quebrado, ele estuda a possibilidade de consertar o equipamento só pelo prazer de vê-lo funcionando novamente. “Eu o guardo pelo fetiche. Tenho esse computador desde os 12 anos, quando ganhei de presente de Natal em 1985”, recorda Siqueira. Ele acha que o problema é apenas uma fonte queimada.

Siqueira lembra que chegava a passar quatro horas programando um jogo para usufruir do resultado por apenas 30 minutos. “Não tinha nem drive de disquete. Era tudo no gravador de fita. Eu passava cerca de quatro horas programando um jogo. Mas ficava tão cansado que só conseguia jogar por meia hora.”

Dono de um MSX 1.1, o segundo modelo a ser lançado, o contador Ciro Brito diz que já pensou em turbinar o computador para deixá-lo mais atual. “Hoje ele não tem utilidade, embora sinta muita saudade da época em que tudo era novidade. Enfim, é uma boa lembrança”, conta Brito, que não costuma ligar o equipamento por medo de danificar algum componente. “Na parte de jogos, ainda tem coisa de MSX que os consoles e PCs atuais não superaram. Hoje pode haver até jogos graficamente perfeitos, mas não oferecem a diversão que MSX oferecia”, afirma, saudoso.

Serviço

Sites:
www.amigabr.org
www.amigakit.com
www.elbox.com
www.msx.org
www.msxprojetos.com.br

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