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Tecnologia // Brasil

Crise não atrapalha crescimento da indústria de jogos eletrônicos

Publicado em 27.02.2009, às 18h02

A indústria brasileira de games (jogos eletrônicos) se acha em franca ascensão, embora ainda represente 0,16% da produção mundial. Essa é a análise feita nesta sexta-feira (27) à Agência Brasil pelo diretor de Relações Públicas da Associação Brasileira de Desenvolvedoras de Jogos Eletrônicos (Abragames), André Penha.

Ele se baseia no fato de que a produção nacional de softwares (programas de computador) representa entre 1,7% a 1,8% do que é fabricado em todo o mundo. “A gente tem capacidade, por ser mídia e por ser software, e por saber fazer as duas coisas, de produzir isso aqui dentro, e tem um terreno enorme para crescer pela frente”. Penha afirmou que falta trabalhar o fortalecimento do mercado interno de games, para “multiplicar essa indústria por dez nos próximos anos”.

Ele também disse que setor enfrenta a concorrência do produto pirateado e da chamada “importação cinza”, referente ao produto original que é trazido do exterior sem nota fiscal. “Isso não gera dinheiro para o mercado, não paga imposto, não fortalece a indústria brasileira. Fortalece o contrabandista. Isso é ruim”, concluiu André Penha.

O presidente da Abragames, Winston Petty, disse que houve uma grande evolução da indústria de games, no Brasil, nos últimos anos, apesar do setor ainda se encontrar em estágio embrionário em relação ao resto do mundo. Segundo Petty, a crise externa não está afetando a indústria de jogos eletrônicos e que o momento deve ser aproveitado pelo país para ampliar sua produção. “Em momentos de crise financeira, aumenta o consumo de entretenimento, porque as pessoas passam a gastar menos, buscam opções mais caseiras. A crise está afetando a indústria de forma positiva”.

A indústria brasileira de jogos cresceu 31% entre 2007 e 2008 na área de software e 8% na parte de hardware (parte física de um computador e de seus periféricos). “E a tendência é que continue crescendo e se fortaleça. Nossa expectativa é que essa curva esteja subindo”, afirmou Petty.

O presidente da Abragames estimou que o número de empresas do setor deverá crescer de 42 para 50 neste primeiro semestre. De acordo com dados divulgados pela entidade, 43,3% da produção nacional de software para games são exportados, enquanto 100% do hardware são destinados ao mercado nacional. Os maiores compradores de jogos eletrônicos fabricados no Brasil são a Europa, com destaque para a Alemanha, e os Estados Unidos. O game brasileiro apresenta várias versões: entretenimento; mercado publicitário; treinamento e educação; e eventos.

O salário bruto médio da categoria hoje é de R$ 2.272,71. Para Petty, ele está abaixo do ideal, mas “reflete o estado de crescimento da indústria brasileira”. Mas acredita que a tendência é do salário da categoria “pelo menos” dobrar. Ele prevê progresso para o setor nos próximos três anos.

O setor gera cerca de 560 empregos. Embora o número seja reduzido, o diretor da Abragames, André Penha, informou que a indústria produz um Produto Interno Bruto (PIB) per capita (por habitante) expressivo, que alcança em torno de R$ 160 mil/ano. “É bastante razoável como indústria de tecnologia”.

Segundo o presidente da Abragames, a indústria ainda se ressente de falta de apoio governamental. O governo incentiva o setor por meio de ações dos Ministérios da Cultura e do Desenvolvimento, “apesar de em outros países haver suporte bem mais estruturado, especialmente na questão de recursos alocados. O investimento nesse mercado é muito agressivo porque movimenta muito dinheiro. E o Brasil ainda está fora disso”. É preciso agir rápido, para que a indústria nacional não fique de fora, disse Petty. “O investimento nessa indústria vai se pagar, com certeza, muitas vezes mais o valor que for investido”, afirmou.

Fonte: Agência Brasil

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