

Ter a doença foi um estímulo para que a agente de saúde Maria José informasse melhor as pessoas sobre o problema
A surpresa com o diagnóstico foi tão forte que Maria José Nicolau chegou a pegar um ônibus errado depois de sair do posto de saúde onde havia descoberto ter hanseníase. O susto logo passou e, junto ao tratamento, a doença também. Anos depois, curada, ela é uma das agentes de saúde que, de casa em casa, orienta a população contra as manchas. Esta semana o trabalho se intensificou, já que no domingo (29) é comemorado o Dia Mundial de Combate à Hanseníase. Até a data, ações de cuidados contra o problema serão realizadas.
Na manhã desta sexta-feira (27), o campanha "Dia do Espelho", da Secretaria de Saúde da Prefeitura do Recife, aconteceu no bairro do Totó e de Jardim São Paulo, na Zona Oeste, nos Centro de Saúde Bidu Krause e no Posto de Atendimento Médico Ceasa. Lá, panfletos educativos foram distribuídos e quem passava era estimulado a se examinar em casa, em frente ao espelho.
"Passei por vários médicos, durante três anos, até ter o resultado. Alguns diziam ser pano branco, outros fungo de praia. Mas, a falta de sensibilidade na pele denunciou o que, realmente, era", conta Maria José, de prontidão no Centro de Abastecimento Alimentar de Pernambuco (Ceasa). Esse é o principal sintoma: a diminuição e o desaparecimento de sensações nas manchas brancas ou avermelhadas que surgem pelo corpo. Elas aparecem, mais frequentemente, na face, nas costas, orelhas e nádegas. "Ter tido é um estímulo para que eu mostre às pessoas que eles devem se tratar. Tenho gosto em passar informação sobre isso", garante agente de saúde.
As lesões, segundo a enfermeira do posto médico do Ceasa Aparecida Sena, caso não sejam cuidadas, podem afetar nervos e causar sérios danos motores. A empregada doméstica Jacira Maria da Silva, 57, não tinha ideia do que era hanseníase. No entanto, o outro nome para o problema de pele, lepra, soou bem mais familiar. Resolveu fazer o teste e descobrir se algumas manchinhas brancas eram a doença. O exame é simples. Basta submeter as áreas suspeitas a variações de temperatura. A sensibilidade do local a quente e frio e à dor devem estar normais.
Assista a video da enfermeira Aparecida Sena submetendo a empregada doméstica Jacira Maria ao teste de sensibilidade.
Se diagnosticada a doença, o paciente é encaminhado a hospitais de referência na área. O tratamento é oferecido em postos de saúde gratuitamente.
MUTIRÃO - Neste sábado (28), consultas dermatológicas gratuitas e conscientização sobre a doença vão ser feitas no Pátio do Carmo, bairro de Santo Antônio, Centro do Recife. O evento, que também terá a apresentação do grupo de percussão Nação Abath, é realizado pela Secretaria Municipal de Saúde, Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), Secretaria Estadual de Saúde e Movimento de Reintegração da Pessoa Acometida pela Hanseníase (Morhan).
