
A primeira coisa a ser dita sobre o Governo Dilma, no final de seu primeiro ano de gestão, é que ela devolveu alguma institucionalidade ao cargo. Lula, em seus oito anos de governo, não soube se comportar como presidente da República do Brasil; era mais um sindicalista no Palácio do Planalto, jogando região contra região, rico contra pobre, negro contra branco. Não desceu do palanque um único dia, fazendo muitas vezes da demagogia discurso presidencial.
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Outra boa notícia deste primeiro ano é que Dilma mandou para casa os que se arrogavam de Poder absoluto do Estado para pretender realizar o “controle social ou popular da mídia” como se “a liberdade de imprensa” também não estivesse prevista no texto constitucional.
Nesses primeiros doze meses de gestão, o que mais chamou atenção na área política foi o desmonte do ministério herdado do antecessor. Mesmo sob o eufemismo do chamado mal feito, palavra da moda desde que o PT esqueceu a palavra maracutaia para tudo, foram obrigados a sair do governo os ministros Antonio Palocci, Alfredo Nascimento, Wagner Rossi, Pedro Novaes, Orlando Silva e Carlos Lupi, o romântico.
A bola da vez bem que poderia ser Fernando Pimentel, mas o governo já deu sinais de que planeja blindá-lo, por ser da cozinha de Dilma, amigo do peito do tempo da clandestinidade. Não deveria deixar de afastá-lo. O caso é semelhante ao de Palocci, com suas consultorias milionárias. 
O curioso é que as crises políticas geradas pelas denúncias de corrupção nos ministérios, responsáveis pela demissão de seis dos sete ministros que deixaram o governo neste primeiro ano de gestão Dilma, não abalaram a popularidade presidencial. Apesar de terem sido o assunto mais lembrado pelos eleitores, com um percentual elevado, de 28%, as denúncias de corrupção no ministério não afetaram a avaliação do governo Dilma Rousseff de acordo com a pesquisa mais recente da CNI. Ao contrário: ela aumentou em dezembro, com 56% da população considerando seu governo “ótimo” ou “bom”, contra 51% em setembro passado. A minha teoria é que o brasileiro médio não dá a mínima para a ética, muito menos na política. Afinal, estamos no país do jeitinho.
Lembro aqui um episódio recente, com a vinda de Lula ao Recife, para uma palestra, cujo cachê girou em torno dos R$ 350 mil. Lula falou por cerca de uma hora, despejando aquelas abobrinhas e elogios a si mesmo, para justificar o mimo. Ganhou R$ 6 mil por minuto. Curioso para saber a reação de um popular, perguntei a um cozinheiro amigo meu o que ele achava. 'Que peão desenrolado, não?' foi a resposta. Sério, a maioria gostaria de estar se locupletando ... como o peão desenrolado. Já escrevi aqui que me sinto um exilado no meu próprio País por este tipo de coisa.
Na área econômica, digno de reprovação é a condução da política de juros, que se mostrou muito austera com receio da crise internacional e ajudou a derrubar o PIB, abaixo dos 5%, em muitos anos. Por sorte, aqui em Pernambuco, vivemos em uma bolha, passando ao largo, embora não se saiba até quando. No final do ano, para evitar o pior, economistas do Planalto engendraram uma redução de impostos para evitar que os estoques das indústrias fossem às alturas e já contaminassem de pessimismo o primeiro trimeste de 2012. As expectativas dos empresários indicam que a indústria deve começar o próximo ano devagar. O acirramento da competição com os produtos importados e a crise externa minam o otimismo dos industriais brasileiros.
A população brasileira parece não haver ainda percebido a deterioração dos principais indicadores da economia, afetados pela crise econômica internacional.

Uma medida acertada foi a contratação de um salário mínimo maior, já no início de janeiro, de modo a garantir mais recursos girando a roda da economia nacional.
Na área fiscal, não faltam pressões, como o Judiciário. De forma inédita, ocorreram duas paralisações da magistratura federal no ano de 2011. A Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe) reclamou publicamente de Dilma, em tom de preocupação, por fechar o ano deixando de fora do Orçamento da União a proposta orçamentária proposta pelo presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Cesar Peluso. No caso, a proposta do STF é de R$ 7,7 bilhões. Eles reclamam que o argumento de que não existem recursos para o Judiciário é falacioso: apenas os juízes federais arrecadam em média todos os anos nas Varas de Execução Fiscal 10 bilhões de reais. Ou seja, 2012 promete!
Na área de Previdência, idem. Centrais sindicais pressionam por reajuste dos aposentados que recebem benefício acima do salário mínimo e o fim do fator previdenciário. É vendida como uma forma de distribuir renda no País e movimentar a economia, como se não tivesse impacto fiscal. Como dizia Lula, ruim era FHC, que não dava aumento aos velhinhos porque era perverso.

Na área de energia, a boa notícia é que o governo deu de ombros para as pressões de grupos de interesse e está investindo para tirar Belo Monte do papel. Sem energia, não há como crescer de forma sustentável. O melhor de tudo é que as coisas vão transcorrendo sem as bravatas de outrora, como a relevância dada aos bagres em passado recente.
Na coluna dos pontos negativos, eu destacaria ainda as áreas de segurança pública, da saúde e da educação. Não se trata nem de desaprovar as ações do governo. A impressão que se tem é que não começaram a funcionar.
Na área de segurança, ninguém pode se sentir seguro em um País em que se vê pela TV o assassinato da juíza Patrícia Acioli com 25 tiros de calibre 45 em uma via pública no Estado do Rio de Janeiro pelo simples fato de estar exercendo com honradez a sua função. O próprio CNJ afirma – embora o número deva ser muito maior - que são mais de 200 juízes ameaçados de morte no país.
Sorte mesmo parece ter a área de educação, que vai ficar livre do ministro Haddad, nomeado por Lula candidato do PT ao Governo de São Paulo.

ABERTA TEMPORADA DE CAÇA AOS MINISTROS
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