
A realidade dos não-adotados é angustiante. Além de passarem por desgastes físicos e sofrimentos psicológicos, ficam em um estado de espera quase infinita. Perdem a noção de pertencimento e acabam evitando estabelecer vínculos mais efetivos, sabem que no fundo, um novo abandono está por vir. Parece um mecanismo de defesa, tão próprio do desconforto. No caso das crianças, o gosto dos adotantes já é bem conhecido, conforme recente estudo do Comitê Gestor do Cadastro Nacional de Adoção Humana: 70% só querem as brancas e 80% exigem que elas tenham no máximo três anos. Sofrem, então, àquelas que não se encaixam na moldura. Com a adoção de cães, a coisa não muda muito. A mesquinhez piora.
Pedigree, cor, estado de saúde, deficiências física e enfermidades. Tudo isso é levado em consideração pelos antigos donos, no momento do abandono dos animais. Encontrar um novo lar para esses cães acaba sendo algo difícil de ser alcançado. Mas são de tarefas árduas que sobrevivem o empresário Jaime Medeiros, de 32 anos, e a estudante de enfermagem Amanda Fonseca, 26. Ambos resolveram criar, há quase dois anos atrás, a Ong Pet-PE, uma organização não governamental que funciona como “casa de passagem para cachorros abandonados”, e hoje abriga 71 cães, sendo 49 já adultos e 22 filhotes, na residência de Jaime, em Candeias, Jaboatão dos Guararapes.
» Veja no vídeo a mensagem dos criadores da Ong e alguns figurantes dando suporte:
Todos esses animais habitam os cômodos da casa: estão no terraço, nos quartos de hóspedes, no quintal e na dispensa da cozinha. A casa é deles! E os 22 filhotes são os xodós.
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Segundo Medeiros, “cansamos de ver cachorros maltratados, atropelados, e quase mortos pelos donos, assim resolvemos implantar um canil nessa minha casa de 1.000 m², que é alugada. Nela já passaram mais de 300 animais”. De acordo com Jaime, o local funciona “como uma espécie de lar de esperança e liberdade para os animais carentes. Aqui, fazemos castração e tratamento para pets de famílias de baixa renda, prestamos assistência para os cães abandonados, além de mediarmos o processo de adoção. Somos diferentes de outras Ongs por aí, que dizem que fazem adoção mas nem sequer possuem uma infraestrutura de canil”.
Cada animal que o homem escolher para companheiro tem direito a um período de vida conforme sua longevidade natural; O abandono de um animal é um ato cuel e degradante. Declaração Universal dos Direitos dos Animais
Com um custo mensal que gira em torno de R$ 8 mil reais, o empresário de eventos chega a gastar com um animal recém chegado cerca de R$ 150, com banhos, aplicação de vermífugos e compra de vacinas. Mas a média de adoção dos cães compensa, ela chega a 20 animais por mês.
Mas a tarefa rotineira e inusitada não é compartilhada unicamente pelo casal. Cerca de 15 pessoas colaboram como voluntárias e ajudam na limpeza e organização do ambiente. Além disso, o grupo já conta com 13 padrinhos cadastrados, que colaboram mensalmente com a quantia média de R$ 50, para gastos com alimentação e cuidados veterinários.
No entanto, o duro em organizar toda a bagunça fica com os proprietários. Medeiros, mesmo, quase não faz outra coisa, senão cuidar da sua tropa. “Tudo que fazemos é por amor. Quase não saiu, quando estou em um bar, por exemplo, penso duas vezes ao gastar R$ 20. É que com essa grana consigo imunizar um cão por um ano, completinho”.
» Confira a galeria de imagens do canil do Pet-PE:
Para informações e contribuições:
Jaime Medeiros: (81) 3478 8080 / 8898 8080
Amanda Fonseca: (81) 8858 8080
São João canino
No dia 5 de junho, das 16h às 18h vai ser realizada a 1ª Festa Junina Beneficente para cães. Haverá concurso de matuto, rei e rainha do milho e apresentação de adestramento. A contribuição sugerida é de ração, comedouro, vacina e remédios. Como premiação, serão distribuídos kits de pet shop e uma ida ao Spa.
