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Recife - 20.06.13

Pernambuco // Trânsito

Não há mais onde estacionar

Publicado em 17.04.2010, às 21h40

Roberta Soares Do Jornal do Commercio
Flagrantes desse estrangulamento que o Recife vive estão por todos os cantos
Flagrantes desse estrangulamento que o Recife vive estão por todos os cantos
Foto: JC Imagem

Não há mais local para estacionar no Recife. Sem estímulo à construção de edifícios-garagem e com poucos estacionamentos rotativos estruturados, além de caros, a cidade não possui mais espaço para acomodar tantos veículos - são mais de 800 mil em circulação. Somente nos últimos três meses deste ano, a frota cresceu mais de 30% em relação a 2009. Fenômeno que não se reproduz apenas nos congestionamentos cada dia mais frequentes, mas principalmente na hora de achar uma vaga para guardar os carros. As garagens dos edifícios não dão mais conta da quantidade de automóveis, transformando ruas e entorno de praças, antes pacatas, em estacionamentos públicos, seja de dia ou à noite.

Flagrantes desse estrangulamento que o Recife vive estão por todos os cantos. A Praça Cidade do Porto, em Boa Viagem, Zona Sul, é um exemplo clássico. Há pouco mais de seis meses, depois que dois espetinhos saíram da Avenida Boa Viagem e se instalaram no local, a circulação na área virou um inferno. Além da movimentação de clientes que param para comer o espetinho, uma das ruas de acesso à praça é utilizada como retorno de veículos que saem da Avenida Domingos Ferreira para a Avenida Conselheiro Aguiar.

“É um sufoco diário. Temos que ficar de olho o tempo todo, caso contrário trancam nossas garagens. Para complicar, o semáforo de pedestres que permite aos veículos cruzarem a Conselheiro demora demais, formando filas de carros. E vai piorar ainda mais porque estão construindo um empresarial na esquina e, com certeza, muitos dos clientes vão estacionar na praça”, prevê Alberto Reis, 54 anos, morador de um edifício localizado na Cidade do Porto.

Na Avenida Domingos Ferreira, no Pina, na mesma região, um posto de gasolina desativado virou estacionamento rotativo de carros, que param entre as bombas de combustível, indiferentes ao perigo. O vigia do ponto, Dorgival Borges, 56, conta que a prática começou provocada pela procura de clientes, cinco anos atrás. “Parava um e pedia para ficar só um pouquinho. Tem um empresarial ao lado, que atrai muita gente, ao mesmo tempo que não há vagas nas imediações. Fui deixando e tirando um dinheirinho extra”, admite. Apertando, cabem 15 carros no local.

Além de pouca opção, os estacionamentos rotativos existentes quase sempre custam muito caro

Além de pouca opção, os estacionamentos rotativos existentes quase sempre custam muito caro. E os motoristas fazem de tudo para fugir ou ao menos minimizar esse prejuízo. Às vezes, chegam a abusar. Exemplo disso acontece no Hiper Bompreço de Boa Viagem. A loja dispõe de mais de mil vagas, oferecidas gratuitamente aos clientes, o que atrai pessoas que estacionam o carro no local e vão trabalhar, comprar ou resolver negócios. A rede enfrenta o mesmo problema no Hiper Casa Forte, na Zona Norte do Recife, com 520 vagas. Houve época em que 30% do estacionamento estava sendo utilizado por pessoas que não eram clientes.

“Estávamos virando estacionamento público e decidimos agir. Em um mês concluiremos a modernização do sistema de cancelas, que será semelhante ao dos shoppings: só abre se a pessoa estiver autorizada a passar. Não iremos cobrar dos nossos clientes, mas a prática de ocupar as vagas e sair da loja vai ter fim”, adverte o diretor de hipermercados do Grupo Walmart, João Carlos Silva. Como paliativo, a empresa vem estabelecendo um limite livre de duas horas para os clientes que não compram. Passado esse prazo, a liberação tem que ser autorizada pela gerência. Mas na prática termina não funcionando, já que o controle é feito por funcionários, quase sempre intimidados pelos motoristas.

Na área central, também há muitos flagrantes. No Derby, a Rua Jornalista Paulo Bittencourt é emblemática. De um lado, um morador cansou de discutir para evitar a ocupação indevida da saída de sua garagem e instalou dois blocos de concreto no local. Na residência em frente, a aposentada Thereza de Jesus também radicalizou. Instalou no portão da garagem uma placa de proibido estacionar, do mesmo tamanho das utilizadas nas vias. Chama atenção de quem passa na rua e, mesmo assim, às vezes não funciona.

A dificuldade de estacionamento também virou condicionante para o sucesso de determinados negócios. É o que pensa o empresário Manoel Fernandes Filho, proprietário do Restaurante Ça Va, inaugurado recentemente no polo gastronômico da Rua Capitão Rebelinho, no Pina. Ao decidir pela instalação no local, contratou de imediato uma empresa de manobristas. “Sem eles é inviável. Para um restaurante o serviço é fundamental. Eu até pago a mais à empresa para que o preço cobrado aos meus clientes seja menor. Só não posso ficar sem o serviço”, atesta o empresário. No pólo gastronômico, aliás, todos os estabelecimentos trabalham com manobristas. É uma solução paliativa porque, numa leitura realista, entregar o carro a um manobrista é apenas transferir o problema, já que ele também vai estacionar os veículos na rua. E, assim, a ocupação indevida do espaço público continua.

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De: Aline- 19/04/2010 19:41

na boa? acho que motoristas tem beneficios demais comparado ao tanto de problemas que trazem à sociedade... ta achando ruim o transito, o caos, o preço dos estacionamentos e da gasolina?? deixe o carro em casa e vá a pé ou use transporte publico e bicicletas. o que não dá é pra transformar a cidade inteira em pátio de estacionamento.. e pior culpar o semaforo de pedestres por isso... piada ne?

De: José Jorge- 18/04/2010 09:23

Em 1979 a Prefeitura da Cidade do Recife tentou implantar um sistema de estacionamento rotativo ao longo da rua da Aurora, que inclusive dava aos clientes tickets de passagem para onibus especiais que iriam deixá-los no centro da cidade, e os trariam de volta. Como não houve aceitação por parte do público, durou pouco tempo, e ficou tudo como antes.

De: kavaleski marcelo- 18/04/2010 00:49

existe sim solução para tudo depende da disposição de todos vá de taxi ou criar bolsões estacinamentos enormes com custo justo e barato onde vc leva as chaves de seu automóvel em locais distantes do tumulto central dentro disso teria micro onibus de luxo ou semi luxo que leva se as pessoas aos locais que tem problemas com estacionamentos isso serve para varias cidades um exemplo em sp (cumbica)vc deixa seu carro nesse bolsão de estacionamento e la tem um micro onibus que lhe deixa confortavel na porta de embarque.

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