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Recife - 24.04.14

Pernambuco // CIRURGIA

Irmãs siamesas do Recife são separadas em Goiás; estado de saúde é delicado

Publicado em 31.03.2010, às 09h25

Do JC Online
Médicos descobriram outros órgãos coligados durante a cirurgia. \
Médicos descobriram outros órgãos coligados durante a cirurgia. "O importante é que elas foram salvas", diz a mãe
Foto: JC Imagem

Durou mais de 12 horas a cirurgia que separou as irmãs siamesas recifenses Maria Luíza e Maria Luana Nunes de Andrade, de 1 ano e 4 meses, ocorrida no Hospital Materno Infantil de Goiânia (GO), nessa terça-feira (30). Durante a operação, foram descobertas outras partes do corpo das meninas que estavam conectadas. Elas estão na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e não têm previsão de alta.

"O importante é que a vida delas foi salva", disse ao JC Online Larissa Nunes, 23, mãe das meninas, por telefone, comentando as complicações surgidas durante a intervenção. Ela acompanhou a cirurgia próximo à sala onde ocorria o procedimento, iniciado por às 10h, e, em breve intervalos, recebia informações sobre o estado de saúde das gêmeas. Luíza saiu da sala de cirurgia às 21h30 e a irmã, Luana, por volta das 22h20. Por volta das 21h30, elas estavam separadas e foi dado início a uma cirurgia plástica para reconstituir os orgãos internos.

Durante a reconstituição, foi necessário enxerto de silicone para não sufocar os órgãos. O intestino delgado já estava separado em cada uma delas, mas o grosso foi dividido. O fígado também era compartilhado, mas, segundo Larissa, cada uma tinha sua própria veia aorta, o que ajudou a diminuir o risco de trombose. Além do fígado, exames já haviam detectado que estavam também unidos o órgão genital e o reto.

Cada uma das meninas ficará com uma perna. Uma terceira, em má formação, foi usada na reconstrução do abdome e bacia. "Essas primeiras horas após a cirurgia são muito importantes, pois o médico nos alertou que temos de estar preparados para tudo", disse Larissa Nunes.

RECUPERAÇÃO - Para quem acompanha a trajetória das irmãs siamesas, a cirurgia em Goiás ontem tem ares de desfecho feliz. Mas, para Larissa, parentes e amigos, ainda existe um percurso longo a percorrer. O tempo em que ficarão em Goiânia ainda é incerto e segue a campanha para arrecadar doações para cobrir os custos da estada na cidade. Mãe e as duas avós viajaram para Goiânia no último dia 16.

A recuperação das meninas ainda é algo delicado, já que a intervenção foi de grande porte. A possibilidade de uma parada cardíaca não foi descartada pelos médicos. O sentimento de agradecimento - e certo alívio - vai na mesma proporção gigante. "Quando chegamos aqui fomos muito bem recebidas. A equipe do hospital teve todo o cuidado com detalhes da cirurgia, como não fazer a operação no sábado, pelos riscos de precisar de algum material de urgência", lembra Larissa. Ela lembra e pede à reportagem para que sublinhe os nomes nos envolvidos: Dr. César Gonçalves Gomes, diretor do hospital, e o cirurgião pediátrico Zacharias Calil.

Nos últimos dez anos, Calil separou sete pares siameses. Três tiveram sucesso. Segue a torcida para Luana e Luíza engordarem esses números de êxito. O Hospital Materno Infantil de Goiás também é referência em separação de gêmeas siamesas. Nos últimos 12 anos, os médicos da unidade já realizaram seis cirurgias deste tipo e, no momento, acompanham mais cinco outros casos, nascidos em outros Estados.

DOAÇÕES - Para permanecer em Goiânia, Larissa e as duas avós das meninas ainda precisam arrecadar mais doações. "A ajuda está chegando, mas precisamos arrecadar mais para ajudar na recuperação", diz a professora e "tia de coração", Maria Dulce de Andrade, que no Recife ajuda a organizar as doações. Para mais detalhes de como ajudar, os telefones são: (81) 3444.2480 e 3498.1822.

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De: Ang- 31/03/2010 10:56

nao há como nao se envolver! eu e todos que lêem essa matéria já nos sentimos felizes e torcedores pelo sucesso dessas meninas! parabéns à equipe médica e vamos ajudar a família, pois uma nova fase se inicia! sucesso!!!

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