
Há dez anos, a gente saía para o mar e trazia 500 quilos de peixe, hoje é um sofrimento para conseguir pegar 50 quilos.” Com essa frase o pescador Jorge Guimarães, 39 anos, resume a situação da atividade da pesca artesanal em Pernambuco. Ele exerce há anos 25 o ofício que aprendeu com o pai, Augusto Guimarães, 62, e que lhe rendeu pele queimada pelo sol, mãos calejadas e um característico cheiro de mar.
Pai e filho saíam para pescar com a irmã de Jorge, Albaniza Guimarães, 41. A parceria no mar se desfez em 2007 quando a pescadora estava prestes a concluir o curso de pedagogia. Formada, ela agora trabalha para o Conselho Pastoral dos Pescadores, uma ONG que trata dos interesses sociais da classe. “O pescador é um excluído. A sociedade tem uma dívida social com esses profissionais. Quando eu era só pescadora não via isso, agora, luto para melhorar a vida dessas pessoas”, desabafa Albaniza.
A reclamação dos pescadores é uma realidade confirmada pela professora Maria Elisabeth de Araújo, que coordena o Grupo de Ictiologia Marinha Tropical do Departamento de Oceanografia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), e há 10 anos estuda a redução na população de peixes pelos 187 quilômetros de extensão do litoral pernambucano.
“Estamos realizando uma pesquisa científica sobre essa redução de peixes e, por isso, posso afirmar que não só diminuiu a quantidade como também o tamanho do que hoje é pescado”, explica a cientista.
Dados do Ministério da Pesca e Aquicultura apontam que, atualmente, Pernambuco tem 14.600 pescadores cadastrados em 34 Colônias e 25 Associações distribuídas entre o litoral, Agreste e Sertão do Estado. A família Guimarães faz parte dos 1.823 que estão registrados na Colônia Z1, que engloba os pescadores do Recife.
Responsável pela maior parcela da produção pesqueira do Estado, a pesca artesanal é caracterizada pela mão de obra familiar e embarcação de pequeno porte (em média oito metros de comprimento). Segundo os próprios pescadores, a atividade está em decadência em Pernambuco. “Antes, há umas três décadas, o povo vinha de outros Estados, como Rio Grande do Norte e Alagoas, para pescar aqui. Hoje a gente está fazendo o contrário”, conta o presidente da Colônia Z1, Augusto Guimarães, conhecido como seu Neno, que assumiu o cargo em julho do ano passado.
De acordo com Elisabeth de Araújo, essa mudança de local de trabalho está diretamente ligada à diminuição de peixes nas águas pernambucanas. Segundo a estudiosa, peixes como cioba, dentão e cavala se tornaram raros e caros nos supermercados e mercados públicos. “Por causa da redução de algumas espécies passamos a consumir peixes menores, menos saborosos e com mais espinhas, como é o caso do saramunete”, revela.
Para Euclides Dourado, analista ambiental do Departamento de Recursos Pesqueiros do Ibama, um dos principais motivos para a escassez de peixes é a degradação das áreas de mata ciliar, do qual o mangue faz parte. Os manguezais são considerados verdadeiros berçários para dezenas de espécies aquáticas.
Sobre essa questão, Elisabeth de Araújo ressalta que os manguezais são responsáveis pelo esfriamento da temperatura, e consequentemente, das águas. O aquecimento dos mares e a poluição também são reclamações dos pescadores. “O mangue é o ar-condicionado do Recife”, compara a pesquisadora.
SUSTENTO - Mesmo com todas as adversidades, a atividade milenar persiste. É com o dinheiro extraído da pesca que centenas de famílias se sustentam. Pescadores relatam que não conseguem manter renda fixa, mas em um mês produtivo chegam a arrecadar de R$ 750 a R$ 1 mil. Parte desse valor é destinada à manutenção do barco.
Na última quarta-feira, o Instituto Oceanário, em parceria com o governo do Estado, a Universidade Rural e a Fundação Apolônio Salles divulgou um Diagnóstico Socioeconômico da Pesca Artesanal do Litoral de Pernambuco. Dados apontam que esse tipo de atividade movimentou, em 2006, R$ 37,2 milhões e tem 47.269 pessoas como dependentes diretas.
Mas, para trabalhar neste ramo é preciso ter coragem e gostar do que faz. “Não é fácil passar dias, ou até semanas debaixo de sol forte, sem água potável, correndo riscos”, revela Jorge, que não desiste do mar.
Especial para o JC Online
Infelizmente a reportagem tem um forte viés favorável ao setor da pesca, ela protege os pescadores e desfavorece a plena preservação ambiental ao diminuir o peso da responsabilidade da pesca na decadência das populações marinhas pernambucanas; evitar a todo custo recomendar o vegetarianismo ou pelo menos a moderação do consumo de carne de peixes; usar uma linguagem que não trata os peixes como seres sencientes e dotados de direitos, mas sim como mero estoque alimentício, tal como frutas em um pomar, e a todo momento naturaliza o consumo da carne desses animais; e abordar o problema sob uma ótica não ecológico-faunística, como um problema ecológico de fauna entrando em extinção, mas sob um olhar estritamente pesqueiro, como um problema que parece afetar mais os pescadores que os próprios animais. /// A conclusão é que a reportagem não ajudou em nada a situação dos peixes, nem tampouco conscientizou a população. Reportagens que só observam o lado dos pescadores e ignoram completamente o dos peixes e do meio ambiente, muito ao contrário, só tornam o consumo de carne ainda mais naturalizado, banal e irresponsável. A população não enxergará sua própria responsabilidade em comprar o peixe de quem está exaurindo o litoral pernambucano, porque não foi nem um pouco induzida a fazer isso. Pelo contrário, irá se compadecer da situação dos pescadores e, num sentimento de solidariedade, comprará ainda mais deles. Um belo gol contra do JC Online em termos de conscientização e senso crítico. /// A situação da vida nos mares e oceanos de todo o planeta só vai piorar enquanto os pescadores continuarem sendo tratados como os maiores coitados da história (coisa que não são, porque não são eles que estão sendo massacrados aos milhares todos os dias), os peixes não forem reconhecidos como seres que querem viver e deveriam ser preservados e mantidos vivos, o vegetarianismo -- ou pelo menos a moderação do consumo de carne branca -- for completamente ignorado como solução para a salvação da vida marinha e o lado ambiental da crise da vida marinha for menosprezado em promoção ao lado econômico (carne$, pe$cado) da coisa.
Não acham que já está na hora de incentivar o consumo de vegetais em substituição aos animais? A fome humana por carne é um dos fatores mais poderosos que estão destruindo a fauna dos mares de todo o planeta. Não precisamos mais comer carne para sobreviver, a disponibilidade de vegetais já nos supre muito bem com nutrientes e fornece uma culinária extremamente variada. É importante que comecemos a respeitar mais os animais e o meio ambiente. Só o respeito à vida animal irá salvar nossos mares de um futuro sem vida nectônica (animais que podem se locomover na água, diferentes dos plânctons). Vegetarianismo já!
No artigo a mar não está para peixe, à autora utiliza de linguagem clara e de fácil entendimento além de nos mostrar um vasto conhecimento sobre o assunto e passar segurança no tema abordado a todos seus leitores, com dados numéricos a mesma nos deixa mais a pá do que esta acontecendo na pesca artesanal em nosso Estado, ainda deixando-nos uma mensagem clara do que devemos fazer ?Já é hora de tomarmos uma atitude ou os peixes desaparecerão do litoral pernambucano.?
