
O tema bullying voltou a ter destaque nesta semana depois que pais de alunos de uma escola particular da Zona Norte do Recife denunciaram à Gerência de Polícia da Criança e do Adolescente (GPCA) que seus filhos estavam sofrendo as agressões na unidade de ensino. A pedagoga e especialista em gestão escolar Catarina Gonçalves, entretanto, afirma que bullying não é caso de polícia, mas de educação.
"Os autores do bullying praticam porque alguma coisa na identidade deles está precisando de ajuda", esclarece. Segundo a pedagoga, eles não precisam de intervenção policial e sim de educação. "A mudança de atitude perpassa pela reflexão e não pela punição policial", garante. A especialista informa que quem pratica bullying deve perceber que tem que mudar de atitude, pois precisa desenvolver a dupla dimensão, dele e do outro.
A mudança de atitude perpassa pela reflexão e não pela punição policial
Colocar apelido, isolar um colega, quebrar seus pertences, comer o lanche dele. O que, na maioria das vezes, é considerado prática normal entre crianças e adolescentes pode ser mais sério do que se imagina. Esses comportamentos, quando tornam-se repetitivos, são caracterizados como bullying. O fenômeno é uma manifestação de violência entre pessoas da mesma faixa etária que pode ser classificado de múltiplas formas, simbólica, psicológica, física e de patrimônio.
Identificar o fenômeno é um desafio, atesta Catarina. "Normalmente os envolvidos não se manifestam. Os autores do bullying não praticam a violência na frente de pais ou professores e os alvos não pedem ajuda porque temem violências piores", esclare.
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Segundo a educadora, a escola precisa investigar essa realidade através de pesquisas e questionários. "O mais importante é conscientizar os professores para que eles possam reconhecer o bullying como violência. Muitos acham que são brincadeiras tipicamente infantis e que os alunos vão se resolver, o que não acontece", disse Catarina Gonçalves.
A família precisa aprender a reconhecer se seus filhos são autores ou alvos das agressões físicas ou psicológicas. De acordo com a especialista, a criança que pratica bullying é muito segura de si, exclui as pessoas diferentes e acha que a vontade dela é mais importante do que a dos outros, demonstrando comportamentos egoístas. Já os alvos demonstram angústia, depressão, insegurança, falta de vontade de ir à escola e baixo rendimento escolar.
Geralmente, os pais dos agressores são ambivalentes (dificuldade em ter normas claras), autoritários (adotam práticas educativas baseada nos maus-tratos) e dão mais importância aos valores materias em detrimento dos morais.
Entender o que se passa com a vítima é o maior dos objetivos de grande parte dos educadores. Mas não basta apenas este, é necesário entender as bases que sustentam o bullying na escola. Não podemos tratar crianças e adolescentes como se fossem adultos. As formas de resolução não podem e não devem ser as mesmas.
Quando nós educadores falamos que achamos que é necessário educação, não estamos defendendo a impunidade. Achamos apenas que a polícia não educa, por isso, defendemos que neste caso as punições sejam por reciprocidade e não baseada em legislações fracas e mal pensadas.
Bullying pode ser caso de polícia sim! Se praticadas por adultos, as ações que caracterizam o Bullying são chamadas de danos pessoais, materiais e pessoais. Se processado e condenado, o acusado pode ser obrigado a indenizar as vítimas ou ir para a cadeia. O problema do Bullying é que os pais e educadores tratam isso com leviandade (para não chamar de irresponsabilidade). Os pais para não se indispor com outros pais e as escolas para não perderem alunos. Quantas vezes vítimas de Bullying já não foram obrigadas a fazer conciliações forçadas: "vamos lá, agora apertem as mãos e sejam amiguinhos". Não estou dizendo que educação não resolve. Mas esse é um processo longo e que nem sempre dá resultados (principalmente se os pais dos agressores não colaborarem - o que ocorre na maioria das vezes). Enquanto isso, não é possível permitir que as vítimas continuem sendo agredidas. E muito menos que elas sofram as consequências (como mudar de escola) por não haver quem possa defendê-las. A impunidade (ou uma pena leve, como uma suspensão em um colégio) é considerada uma "vitória" para o agressor e estimula a prática do Bullying por outras crianças. A prática do Bullying necessita de intervenções rápidas e enérgicas. Se elas não são tomadas pelos pais e nem pelos educadores, que sejam tomadas pela polícia. Eu já sofri com o Bullying e sei exatamente o que é! E quem já sofreu sabe que é impossível esquecer as agreções e humilhações. Enquanto isso, educadores tentam "entender o que se passa com alguém que pratica esse tipo de violência". Uma sugestão para vocês educadores: tentem enteder mais o que se passa com as vítimas!
