A partir do diagnóstico de vários jornais mundiais, a professora Bella Palomo, da Universidade de Málaga, na Espanha, fez um alerta aos jornais impressos na manhã desta segunda-feira (24), no Recife: há que adaptar seus produtos às novas necessidades do público sob pena de desaparecer. O aviso foi dado pela especialista durante curso oferecido pelo Sistema Jornal do Commercio de Comunicação (SJCC), em parceria com o Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal de Pernambuco. [Veja o vídeo abaixo]
De acordo com Bella, a mudança de perfil dos leitores e o avanço do uso da internet para a divulgação de notícias contribuem com a fuga do público para o meio digital. Em 2008, 22% dos internautas norte-americanos com assinaturas em jornais impressos decidiram cancelar suas inscrições, segundo o estudo Rasmussem Reports. "O público vê muito e lê pouco", disse a pesquisadora, ao lembrar que a nova geração prefere matérias com menos texto e mais imagens e infográficos.
Outro ponto em dicussão no evento foi a onda de fechamentos de jornais e demissões de profissionais de comunicação. Nos últimos anos, nos Estados Unidos, 23 mil jornalistas ficaram desempregados depois que 150 veículos foram à falência; no Reino Unido, 60 redações deixaram de funcionar, deixando na rua mil profissionais; e, na União Europeia, mais de 500 revistas desapareceram. Para Bella Palomo, a solução para contornar a situação seria o investimento na originalidade. Impressão colorida e de melhor qualidade, conteúdos exclusivos, personalização e diminuição do número de páginas são algumas dicas de modernização dadas pela professora.
Cerca de 400 pessoas, entre estudantes e profissionais de comunicação, participaram do encontro desta segunda. Nesta terça-feira (25), segundo e último dia do curso, a discussão será sobre os novos instrumentos na internet utilizados pelo jornalismo, como os microblogs e as redes sociais. Ao final, haverá ainda a apresentação de meia hora sobre a experiência das estagiárias multimídias do SJCC.