
Verônica Falcão, de Cidades/JC
Especial para o JC OnLine
Quem circular pelo Recife e por Olinda neste Carnaval vai se deparar com três curiosas duplas de musicistas. As gêmeas Moema e Maíra Macêdo, além de semelhantes, executarão marchinhas em instrumentos de corda. Igualmente univitelinas, Lulu e Aninha Araújo tocarão percussão ao lado do cantor Alceu Valença. Juliana e Juliane, também percussionistas, sairão em maracatus e afoxés.
Maíra é cavaquinista e Moema, bandolinista. Elas integram o grupo Choro Brasil, composto ainda por um violonista, um pandeirista e um tocador de surdo. O conjunto animará com marchas, até terça-feira, o bloco O Mundo Pegando Fogo. A concentração será às 14h, na calçada do Restaurante Maison do Bonfim, na Rua do Bonfim, nº 115, em Olinda. “O desfile não vai muito longe, não. Só por ali por perto”, adianta Maíra.
Nesta segunda-feira, às 20h30, estarão na Várzea, Zona Oeste do Recife, e na terça-feira, às 19h30, no Pátio de São Pedro, no Centro, acompanhando a sambista Mariana Moraes e o cantor e violonista Zé Renato. Participam ainda, tocando caixa e sem receber cachê, do desfile do Maracatu Estrela Brilhante, na madrugada deste domingo, na Avenida Dantas Barreto, no Centro do Recife, e na segunda, na Noite dos Tambores Sileciosos, no Pátio de São Pedro.
Durante o ano, quando tocam no conjunto de choro, as gêmeas se vestem de branco. Para o Carnaval, prepararam fantasias de passista. Vestir-se igual, tocar instrumentos semelhantes e usar o mesmo penteado não é problema para elas. “É natural. A gente gosta das mesmas coisas”, diz Moema.
As duas estudaram no Conservatório Pernambucano de Música desde os 8 anos. Desistiram do curso de educação física um ano antes da conclusão e fizeram vestibular para música. Cursaram até o fim. O Carnaval, assim como a música, vem de berço. O pai, Inaldo Moreira, tocava clarinete e é compositor de frevo. Foi ele quem escolheu, no primeiro dia de aula no conservatório, o cavaquinho para Maíra e o bandolim para Moema. “E ele acertou”, garantem elas.
DOSE DUPLA - Sem música no DNA nem formação acadêmica, mas com muito ritmo, Lulu e Aninha tocam alfaia, agbê, pandeiro, triângulo, mineiro e caracaxá. As duas começaram na percussão quase que por acaso. “Trabalhávamos no escritório de um produtor quando um músico nos convidou para fazer uma oficina de percussão”, lembra Lulu. O grandes mestres para as duas foram os irmãos Erasto e Naná Vasconcelos e Jorge Martins.
No Carnaval, a dupla subiu no palco com Alceu Valença, na sexta-feira à noite em São Lourenço da Mata; na segunda à tarde, estará na Casa da Antarctica, em Chão de Estrelas (zona norte do Recife), e em Camaragibe; e na terça-feira à noite, no Marco Zero, Bairro do Recife. Juliana e Juliane Barros também são univitelinas, mas a semelhança pára no campo físico.
Apenas tocarão juntas – Juliana caixa e Juliane alfaia – no Maracatu Porto Rico, na noite deste domingo, na Avenida Dantas Barreto, no Centro do Recife. “A tradição do Porto Rico nos atrai. Há oito anos participamos do desfile”, descreve Juliana, estudante de música da UFPE. Na segunda-feira, às 10h, Juliana estará no Conxitas, grupo de 87 mulheres que desfilará por Olinda a partir da Rua Prudente de Moraes. Tocarão maracatu, frevo e música cubana. Juliane, estudante de direito, prefere sair no afoxé Oya Alaxé, que participa no Pátio do Terço, do encontro de blocos afro.
