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Pernambuco - 23.04.14 - Atualizado às 16h29

Nordeste // casamenteiro

Pedra de Santo Antônio, na Paraíba, é local para pedir intercessão para desencalhar

Publicado em 12.06.2012, às 21h17


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No dia 13 de junho é comemorado o Dia de Santo Antônio e a pedra em homenagem a ele recebe inúmeros visitantes
Fotos: Vanessa Silva

Vanessa Silva Do NE10/ Paraíba

No alto do município de Fagundes, uma pequena e acolhedora cidade localizada na Borborema Paraibana, há 120 km de João Pessoa, está situado um monumento que muitos acreditam ser a solução para os problemas do coração: a Pedra de Santo Antônio. O penedo, que já se tornou um símbolo do município, é famoso na região por causa de uma tradição que diz que quem passa por baixo dele consegue, rapidamente, arranjar pretendentes ao matrimônio.

Mas não se engane em pensar que é assim tão fácil realizar tal feito. Passar por baixo da pedra requer esforço e talvez até um bom preparo físico. A fenda é estreita e o caminho até a outra margem um tanto comprido. Além do mais, reza a tradição que é preciso ter realmente fé no santo para que o pedido se realize. Neste dia dos namorados, véspera da data em que Santo Antônio é homenageado, a pedra que ficou conhecida por seus milagres recebeu diversos visitantes, alguns esperançosos de logo desencalhar.

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Fenda estreita e comprida é onde acredita-se que a imagem do santo tenha aparecido

Foi o caso da estudante Rayssa Vieira Soares da Costa, de 23 anos. Ela já tem namorado, mas de acordo com a mãe, Renilda Vieira Soares, o romance está precisando de uma forçinha para chegar até o altar. "Já faz seis anos de namoro, está mais que na hora de sair esse casamento", brincou. Rayssa, por mais que discorde da mãe quando essa diz que ela "está encalhada", faltou até aula na faculdade para passar por baixo da pedra neste 12 de junho. "Viemos propositalmente no Dia dos Namorados. Meu namorado não veio porque está trabalhando, mas eu quis ver se dá certo essa adivinhação", contou.

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Mãe levou a filha para passar debaixo da pedra e arranjar casamento


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Casal de cordelistas celebrou "71 anos de casamento"


Colorindo a paisagem com suas roupas extravagantes e também divertindo os visitantes da Pedra de Santo Antônio nesta terça-feira (12), o casal de caixeiros viajantes Macambira e Querindina exibiam seus "71 anos de matrimônio". Os dois personagens são criações de Marinalva Bezerra e Fernando Rocha, casal de cordelistas que, na vida real, celebram 25 anos de união matrimonial. "Há 10 anos andamos por esse mundo afora difundindo a literatura de cordel, pois acreditamos que esse seja um elemento fundamental da nossa cultura", disse Marinalva, em um de seus poucos instantes de conversa séria.

Mas nem só de resolver problemas de coração vive o Santo Antônio de Fagundes. Ao local, chegam também muitos romeiros e pessoas que recorrem ao intermédio do famoso casamenteiro por diversos outros motivos. A comerciante Alba Lúcia, 48, pagou pra ver. Saiu de Campina Grande para conhecer o local e apresentar ao santo seus apelos. "As pessoas comentam muito aqui na região que ele é o santo dos milagres. Vou fazer hoje meu primeiro pedido e tenho fé que serei atendida".

Sempre que arranja tempo, seu Manoel Barbosa de Paula, de 57 anos, faz uma visita à capelinha de Santo Antônio que fica ao lado da pedra. Ele conta que há mais de 40 anos, quando começou a frequentar o local, sofria muito com enxaqueca e acredita que foi por intermédio do santo que ficou curado. "Nunca mais eu senti nada. Tenho muito a agradecer a Santo Antônio".

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Seu Manoel vai sempre que pode agradecer ao santo pelas graças alcançadas


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Com uma imagem do santo, Armando José percorreu a pé cerca de 35 km entre Campina Grande e a Pedra de Santo Antônio


E se a fé é capaz de mover montanhas, ela também foi capaz de fazer o romeiro Armando José da Silva, de 38 anos, percorrer a pé aproximados 35 km que separam sua casa, na Rua Joana D'arc Ferreira de Arruda, em Campina Grande, e a Pedra de Santo Antônio. Esta é a quarta vez que Armando realiza a caminhada até o monumento. Segundo ele, a devoção ao santo começou com seu avô e foi passando para outras gerações de sua família. "Venho aqui para pedir e também para agradecer por todos os bens que ele me tem concedido e também por todos os males dos quais tem me livrado".

A LENDA - A lenda em torno da Pedra de Santo Antônio começou há mais de cem anos, segundo os moradores locais. Circula pela região a história de três caçadores que perambulavam pelas serras que cercam Fagundes quando acharam a imagem do santo dentro da fenda da pedra. A imagem foi levada para a igreja católica central de Fagundes, mas na manhã seguinte um sacristão disse que o santo havia sumido. Ao voltarem na Serra, encontraram a imagem no mesmo lugar de onde havia sido retirada. Isto teria acontecido três vezes. No terceiro desaparecimento, a pequena passagem na Pedra tornou-se de difícil acesso e a imagem nunca mais foi vista.

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Em 1904, foi construída uma igrejinha no lugar, com uma estátua de Santo Antônio. A partir daí, começaram as romarias que ocorrem até os dias de hoje. A cada ano, é cada vez maior o número de fiéis que visitam o templo no mês de junho. Além da festa religiosa, nos fins de semana os turistas podem curtir ainda o autêntico forró pé-de-serra, regado, é claro, a muitos pratos típicos.

PONTO TURÍSTICO - Não é só pela devoção que o local onde fica a Pedra de Santo Antônio tem atraído, semanalmente, grande número de turistas. Do alto de seus 950 metros, o monte onde está fixado o monumento natural confere uma bela visão de parte do Agreste e Borborema paraibanos.


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O cenário do recanto é rodeado de trilhas ecológicas e outros monumentos naturais, bem no coração da Serra do Bodopitá. A área encanta, principalmente, por ser um recanto preservado com matas e fontes de água doce, um roteiro bastante atraente, sobretudo pra quem gosta da natureza ou mesmo de praticar trilhas ou esportes de aventura. O local também é histórico. Lá, os visitantes podem aproveitar para conhecer o Sítio das Laranjeiras, que é uma rocha situada à beira de um penhasco, onde há grafadas dezenas de pinturas rupestres, feitas pelos índios que um dia habitaram a região.

Para se chegar à Fagundes, é preciso pegar a BR-230 no sentido João Pessoa (para quem vem de Campina Grande). Da rodovia até chegar ao centro da cidade são cerca de 20 km. A estrada, apesar de asfaltada, alterna-se entre razoável e esburacada, mas a subida vale a pena. Ao chegar no centro de Galante, cidade antes de Fagundes, já é possível sentir o clima ameno e contemplar as belas paisagens. Do centro de Fagundes até a Pedra são mais 3 km aproximadamente.

GASTRONOMIA - E eis que depois de tanta peregrinação, é preciso recarregar as baterias para descer a Serra do Bodopitá. Na Pedra de Santo Antônio é possível encontrar comida barata e saborosa. Daquelas iguarias nordestinas com gostinho de comida feita em casa.

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Na Bodega do Chico, um dos mais antigos restaurantes do local, dá pra se alimentar com menos de R$ 15. No cardápio de seu Hermes Francisco da Silva, 58, que assumiu a bodega do pai há cerca de 11 anos, dá pra pedir arrumadinho de charque, carne de bode, galinha capoeira ou mesmo um bom guizado.

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No comando da cozinha, é a esposa de seu Hermes, dona Maria José Muniz, e outras quatro mulheres que dão tempero especial aos pratos. Tem quem vá ao local somente para tomar aquela cervejinha e bater papo com os amigos. Seu Hermes, como bom anfitrião, atende as mesas pessoalmente, fazendo questão de deixar todos bem à vontade.

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De: Junior Melo- 13/06/2012 10:04

Mais uma crença criada pela igreja e do Brasil, pois o santo que "teria" essa atribuição é São valentino na Itália. Mas pro povo acreditar em algo mesmo que num tenha cabimento é melhor do que não acreditar em nada. E assim se perpetua muitas outros costumes sem a devida comprovação.

De: Cristão- 13/06/2012 10:01

Não existe nada igual ao Nordestino, neste país. A Fé deste povo, cultura e tradição é de impressinonar qualquer um. Parabéns!

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